terça-feira, 22 de maio de 2007

Histórias Fulminantes 8

Careca de saber que quem não arrisca não petisca, Silvio Calvo tornou-se apreciador de bigodes. Eles tinham passado de moda, as mulheres já não os apreciavam, apenas os monárquicos e alguns treinadores de futebol os ostentavam ainda com crepuscular orgulho. Então, fazendo deslocações a casa ou aos locais de trabalho, Silvio Calvo chegava a passar uma ou duas horas em apreciações do género: «Mas que bela bigodaça!»; «Que formidável bigode!»; «Que pontas extraordinárias!» Certo dia, a um dos bigodes que lhe apresentaram disse dele «ser o mais belo bigode do mundo!» Ouvindo tal dislate, um candidato a rei, de bigodes farfalhudos e dos tempos da outra dinastia logo, logo contestou o veredicto, inclusive, interpondo a Silvio um processo sumaríssimo em tribunal. Acusado de corrupção, Sílvio Calvo nunca mais se livrou da alcunha «o bigorrupto».

1 comentário:

Miguel Jardim disse...

Bom ler-te.
Abraços sem bigodaça!
Mike.