terça-feira, 24 de julho de 2007

Anomalias - Conto a conta-gotas

XVII.

Abílio confere a cor do fato


Se há coisa de que malandro não gosta é de ser ludibriado por malandro. Abílio, homem à antiga, educado na base do ou respeita ou se mata, não esteve com meias medidas. Comprou uma pistola com silenciador e começou a limpeza. Juliana foi a primeira vítima, mas só depois de obrigada a contar a quem tinha passado a informação sobre a qual jurara silêncio. Passo seguinte, Abílio pegou no seu velhinho Fiat 124, agora em versão Tunning, e dirigiu-se à empresa onde Juliana trabalhava. Juliana, Sandra e o homem de fato cinzento. Entrou, disse ao porteiro que ia levar uma carta ao Senhor Doutor – «Aquele, o de fato cinzento? – «Esse mesmo!» –, subiu, tocou à campainha e entrou. Sandra nem teve tempo para perceber quem ele era, o que queria e ao que vinha. Levou um balázio no meio da testa e caiu no chão. Um Abílio furioso, podemos garanti-lo, é uma das piores coisas que pode acontecer a alguém. Senão vejam, com um pontapé na porta do gabinete do homem de fato cinzento, Abílio entra de rompante, confere a cor do fato, dá uma espreitadela ao site de miúdas que estava linkado na Net e, acto contínuo, desfere mais um tiro certeiro na testa do homem de fato cinzento que estava mais branco do que um rato branco. Com a calma que assiste aos assassinos, Abílio foi-se embora não sem antes agarrar na chave do BM. Algum proveito havia de tirar da cornatura. Nunca tinha entrado numa máquina daquelas. Acelerou a fundo e desapareceu. Pensa-se que fugiu para Espanha, onde, julgava, havia boas possibilidades de o seu negócio vingar e onde talvez ainda ninguém se tivesse lembrado da ideia.

Cenas da próxima gota:

O Alves soube da morte da esposa pelos noticiários televisivos... ... «Foda-se!», disse o Alves. E sorriu com a sorte que tivera!... ... Alves estava feliz, mesmo que desconhecendo que enviuvava cornudo...

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