sexta-feira, 13 de julho de 2007

Anomalias - Conto a conta-gotas

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Abílio vai ao tapete

Nem só os árbitros como o que roubou o Sporting são filhos da puta. É que há diversos modos de roubar, e nenhum é pior que os outros. Roubar é roubar. Ganha quem rouba mais, é a única diferença. Depois, há aqueles que sabem roubar e os que não sabem. Os primeiros, roubam e enriquecem. Os segundos, roubam e caem na merda, o mais das vezes atrás das grades. Abílio, o amante de Juliana, é da estirpe dos primeiros. Tire-se-lhe o chapéu que o homem sabe fazer a coisa. O truque, confessou ele a Juliana entre suores e lençóis, é saber aguardar pelo momento exacto. Ao bom malandro cabe-lhe apenas ser paciente, essa é, sem dúvida, a sua maior virtude. Não fez a coisa por menos, foi num outro dia de lençóis, mas também tapetes, que ouviu da Juliana os pensamentos para o ar do seu marido, o Alves, e logo se lhe fez luz. Os pensamentos sobre o silêncio, estarão recordados. A coisa de isso ser um bom negócio. Mas foi mais longe, nada de pacotinhos ou acções nem coisa que o valha, Abílio ia ser o primeiro vendedor de silêncio. Em que formato? Simples, CDs, CDs de silêncio. Um espectáculo de ideia; foi aí que, rejubilando com a sua inteligência, acabou por rolar com Juliana da cama para o tapete. E até lhe soube bem, aquele «leito» duro, o arranhar nas costas. «Ai, Julí, Julí, que ainda vamos fazer as malas mais cedo do que o que podíamos esperar!»

Cenas da próxima gota:

Se bem o pensou, melhor o fez... ... Calado que nem um rato... ... «O Silêncio é de Oiro» pareceu-lhe apropriado... ... «Cansado do mundo? Ouça o silêncio que temos para si.»...

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