quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Mais um início de conto
O general Gilles Boyard faleceu num domingo, que era o dia que escolhera para descanso desde que achara que precisava de descomprimir. Militar de carreira, já com mais de três décadas e inúmeras medalhas e louvores no currículo, era um homem tão temido quanto destemido. Aqueles que o temiam – e pode dizer-se que eram todos quantos o conheciam –, os que tinham o azar de prestar serviço militar sob o seu comando, só de o ver à distância ficavam a tremer que nem varas verdes, na perspetiva de que por um qualquer motivo ele viesse dirigir-lhes palavra. Aqueles a quem calhava dirigir-lhes a palavra, não raro chegavam a liquefazer-se em águas pelas pernas abaixo tentando apenas disfarçar a vergonha como podiam, apenas dizendo «sim, meu general, com certeza meu general», fosse o que fosse que o velho militar lhes ordenasse ou motivo pelo qual os repreendesse. ...
O Problema do Autor
«Escrever só para mim. Esquecer os outros. Deitar fora a exaltação estética. Ao escrever-me, faço-me com o que não sou.»
Pedro Paixão, «Quase gosto da vida que tenho», Quetzal Editores
Pedro Paixão, «Quase gosto da vida que tenho», Quetzal Editores
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
O Problema de Deus - 4
X: Por que acreditas em Deus?
Y: Porque neste mundo, casado, com filhos, com pai, com mãe, sinto-me sempre sozinho.
X: Precisas de amigos?
Y: Porque neste mundo, casado, com filhos, com pai, com mãe, sinto-me sempre sozinho.
X: Precisas de amigos?
Paulo R. Ferreira, blog zeromaisquatro
domingo, 7 de setembro de 2008
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