domingo, 7 de setembro de 2008

O PNETliteratura

A partir da meia-noite de hoje, poderão ler visitar o site PNETliteratura (em: http://www.PNETliteratura.pt ou www.PNETliteratura.pt) no qual escreverei sobre romance português.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ainda o Joaquim

Sobre a morte do Joaquim Castro Caldas tenho lido nos jornais acerca de uma sua presumida arrogância. Uma vez mais, a confusão de quem, ao contrário dele, apenas sabe estar no mundo de uma forma muito diplomática e desonesta para com a realidade das coisas. O que o Joaquim, no seu confronto com o mundo e co os outros à sua volta, era não era arrogante, era directo e não tinha medo das palavras, não tinha medo de chamar os bois pelos nomes, não tinha medo de acusar com nomes, ou seja, não era hipócrita, não era falso, não era sujo. Era. E por isso não era deste mundo, que é o que costuma acontecer aos poetas. Aos grandes. Como ele.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Início de um novo conto: Mulher Sentada, à Espera

«Sim. Continua lá.»
Durante muitos anos foi assim. A mulher continuava lá, no seu lugar de sempre, sentada, à espera. Assim se presumia, que esperava, pois na verdade ninguém sabia ao certo as razões porque ali estava, à espera. Que mais, de resto, poderia ali estar a fazer? Que mais faz alguém que horas sobre horas permanece sentada à espera? Imperturbável, imóvel, calada, impassível, ninguém alguma vez ousou incomodá-la na sua quietude. Deixavam-na. Seguiam as suas vidas. «Coitada».
«Deixá-la.» Era o que respondiam habitualmente a quem volta e meia se dava ainda ao trabalho de perguntar o que raio a mulher esperaria, se é que esperava. Ou então, volviam apenas com a confirmação de sempre: «Sim. Continua lá.» E mudavam de assunto.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Problema do Autor

«Cada escritor es una anomalia. (...) La literatura es el dominio de lo raro. Un creador ha de ser consciente de que hace algo nuevo. Si no, no merece la pena escribir. Aunque te ariesgues a la incomprensión.»

Juan Goytisolo, Babelia, El Pais, 30 de Agosto

O Problema de Deus 3

«Deus disse a Moisés que tinha boas e más notícias.
- Dá-me primeiro as boas notícias - respondeu Moisés.
- Irei abrir o Mar Vermelho, para permitir que tu e o teu povo o atravessem, fugindo para o Egipto - prometeu Deus, acrescentando em seguida - E quando os soldados egípcios de lançarem em vossa perseguição, fecharei de novo o mar por cima deles.
- Maravilhoso - foi a reacção de Moisés, - mas quais são as más notícias?
- Terás de ser tu a redigir a declaração de impacto ambiental.

«Ciência de Soslaio», Donald E. Simanek e John C. Holden, Replicação

O Problema do Jornalismo

A «Única» do «Expresso» deste fim-de-semana faz capa com uma história de vida do poeta açoriano Ivo Machado. Uma bela história sacada por Valdemar Cruz. Só é pena que não se cite que provavelmente a história foi colhida semanas antes no suplemento literário «Babelia» do «El Pais». Como diria Castro Caldas, convém avisar os ingleses, ou os espanhóis no caso...

O Problema do Jornalismo

Edição de há duas, três semanas da revista Notícias Magazine. Referenciam, quase em rodapé, o meu livro de contos «O Sorriso de Mona Lisa». E dizem: ser eu o autor prévio de um romance autobiográfico (imagine-se, sobre o pintor Jheronimus Bosch, portanto séculos XV e XVI)!!!; ser o meu livro de contos sobre sociedades e outras culturas e não sei que mais?!!! É o diabo este jornalismo de rodapé! Não tivesse eu mais de quinhentos anos e já tivesse visto de tudo...

Joaquim Castro Caldas

Faleceu ontem o Joaquim, o intérprete da vontade do pássaro. Era um excelente homem, um belo conversador, o mais notável declamador de poesia que conheci. Lembramos agora com um vago sorriso que em tempos chegou a pedir à Gulbenkian um subsídio para se suicidar...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Silence Music Box - The Whip, 'Trash'

O Problema de Deus - 2

«Anos atrás, em visita ao Rio de Janeiro, o papa João Paulo II disse que “se Deus é brasileiro, o papa é carioca”. O que, talvez, o pontífice não sabe é que seu chefe, o Cristo em pessoa, é paranaense. Sim, trata-se do famoso (e infame) Inri Cristo.»

Ademir Luiz, Revista Verbo21

O autor

«O autor é sempre uma morada errada que facilmente passa por exacta.»

Boaventura Sousa Santos, Revista Confraria

Outros Silêncios

«O silêncio que eu propunha – e proponho – é um modo de depurar a palavra, para que ressoe como ressoa nos grandes poetas, nos Vallejo, nos João Cabral, em todos aqueles que não caíram na tentação da loquacidade como caiu um Neruda, por exemplo.»

Alfredo Fressia, Revista Agulha

O problema de Deus - 1

«Acho engraçadíssima a seriedade quadradona de Deus e sua pequena dificuldade em entender as piadas do Diabo e tal. Jó, por exemplo, era ultra-fiel a Deus e todo mundo sabia disto. Deus sabia. O Diabo sabia. E o Diabo só fez uma piadinha inofensiva sobre isso, que perto das minhas piadas iria parecer alguém tentando ser engraçado no GNT. Ele diz algo do tipo "Jó é fiel, mas bate nele com uma ovelha pra Você ver". E Deus leva excessivamente a sério, não percebendo o tom irônico do Diabo. É então que manda dar umas porradas no Jó só pra ver qual que é a do coitado. Sem brincadeira, dá vontade de sacudí-Lo gritando "Era uma piada, porra! Uma piada, You bloody freak!"»

Silence News

Teachers in one part of the US state of Texas are to be allowed to carry concealed firearms when the new school term opens this month.
The school superintendent in Harrold district said the move was intended to protect staff and pupils should there be any gun attacks on its sole campus.
Teachers would have to undertake crisis management training first, the superintendent, David Thweatt, said.
In recent years the US has seen a number of fatal school shootings.
Trustees had approved the policy and parents had not objected, Mr Thweatt said.

BBC News

Isto anda aí uma sinistralidade terrível!


E, facto extraordinário, não é que em Ponte de Lima demos de caras com um tal de Campeonato do Mundo de Horseball?...







Em Paredes de Coura onde fomos atrás dos The Sounds







sábado, 16 de agosto de 2008

Kraftwerk - Tour De France

Sastre ganhou o Tour. Tenho saudades dos tempos do Joaquim Agostinho e do Chagas. Aqui os Kraftwerk em homenagem com excelentes imagens.

Yes We Can - Barack Obama Music Video

Obamania...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Artistas







Um taco teimava em espreitar por cima do soalho. Veio um homem lá a casa pôr a coisa em termos e rubricou a obra que podem ver. Entro eu e pergunto-me: «Mas, o Cabrita Reis veio cá ou a Amparo comprou um Cabrita e plantou-o no meio da sala?...» Nem uma, nem outra: tinha sido o artista Bento, o senhor Bento. Pois não foi surpresa que bastasse, aparece depois o artista Abel e propõe nova releitura da obra. Um esmero! Ora comparem com um Cabrita original (preto e branco) e registado que fui buscar a um álbum do nosso consagrado 'plástico'.

domingo, 27 de julho de 2008

Iluminações

Uma estranha frase que encontro pela net: A igreja que mais ilumina é a que mais arde.

Silence Photos - Lucia Ganieva






O designer de moda Christian Lacroix foi o comissário da mais recente dição dos encontros de fotografia de Arles. Entre as propostas de exposições que propôs, a descoberta da fotógrafa Lucia Ganieva, com uma série chamada «Iron Mules» (meio de transporte típico numa remota povoação russa). A conhecer mais em www.luciaganieva.com

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Herr Roupinho no Tour

















Ontem, na incrível etapa da Volta à França, um ciclista alemão saiu da estrada caindo montanha abaixo. Parecia o Dom Fuas Roupinho a cavalo da sua bicicleta. Tenho desde sempre uma paixão pela Volta a França. Era um dos meus sonhos desportistas, ser ciclista. Penso que nesse desejo encontro raízes genéticas. Vou procurar uma certa fotografia para disso dar conta... (fotos do Boston Globe e de fotógrafos da Magnum - Robert Capa/ Kohn Vink/ Martine Franck).

Histórias Fulminantes 95

Chegara o Verão e os dias quentes em que apetece sair e ir a banhos. O Senhor K. já não suportava o calor em casa e ardia de desejos por uma escapadela. Mas não queria um lugar qualquer: não queria as praias brasileiras; não queria as Antilhas; não queria Bazaruto; não queria a Riviera francesa; não queria os paradisíacos destinos asiáticos; não queria, em suma, os destinos-postal que as agências de viagem vendiam em pacote. Não, o Senhor K. queria um lugar especial, queria... queria... queria, afinal, um lugar comum e por isso acabou por não sair de casa, baixando apenas os estores para ver se o ambiente refrescava.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Susana Paiva - Depois da «Suite Egípcia»

A Susana Paiva anda a tirar um curso de Papa, ou de Tiago Salazar; ora se encontra em Paris como tão depressa em Coimbra, ora em Londres ora logo em... Montemor-o-Velho, onde, por ocasião do festival de teatro que ali tem lugar nos dias que correm, fez as excelentes fotos que podem ser vistas aqui: http://homepage.mac.com/mariacerdeira/Gatoeiro_warehouse/index.html

Regresso

Estou de volta, muitos quilos às costas depois!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Histórias Fulminantes 94

O Senhor K. perdera-o de vista desde os tempos de faculdade e nunca mais o vira. Agora, reencontrando-o por acaso na rua, viu que ele tinha perdido a vista e por isso passara por ele sem o cumprimentar.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Histórias Fulminantes 93

Era uma vitamina do complexo B. Mas isso era só por fora. Quando começaram a viver juntos é que ele se deu conta de quanto ela era complexada. O Senhor K. sorriu.

Outros Silêncios

O silêncio das prateleiras sem livros. O silêncio da casa sem livros. O silêncio da noite dentro do silêncio da ausência dos livros. O silêncio dos livros silenciados dentro dos caixotes.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Histórias Fulminantes 92

Nas procissões em devoção à Virgem havia polícias por todo o lado. Houve quem se queixasse que era demais, mas houve logo quem discordasse e lembrasse o episódio do ano anterior quando na procissão a Nossa Senhora de Fátima se intrometeu um fanático xiita disfarçado de Nossa Senhora de Fatwa. O Senhor K. benzeu-se.

Novo Salazar


O maior trotamundos que já conheci, por ironias da história de sua graça Salazar, embora não Oliveira, vai lançar segundo tomo (ora toma) de crónicas no mercado nacional. Só parece é que o livro é da autoria de Miguel Sousa Tavares (autor, sim, do prefácio) e não do rapaz Salazar; oficinices de marketing, está de ver... que caia nas boas graças dos leitores eis o que se deseja. o lançamento é já no próximo dia 9, na fnac chiado, pelo fim da tarde e conta com apresentação de Baptista Bastos. Ora, é o bastante para se dar lá um pulo.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Histórias Fulminantes 91

Era água corrente, foi, por conseguinte, natural que quando inundou a casa a tivesse transformado numa prisão. O Senhor K. arrepiou-se.

Prosema a um país merencório ou «dar de mamar tristeza aos filhos»

A propósito do humor ou do não-humor enquanto presença na literatura portuguesa, troco conversa emailográfica com Onésimo Teotónio de Almeida, nos States. E envia-me ele um notável poema sobre este lado obscuro e melancólico de ser das letras lusas. Publico o seu início, pedindo licença ao seu dono e retendo sobretudo a brilhante imagem «dar de mamar tristeza aos filhos»:

Prosema a um país merencório

Num pub em Cork um irlandês de rosto triste quis saber se Portugal era melancólico como parecia pergunta ad nauseam ouvida Europa e mundo fora Eu nunca sei bem como explicar esse raio de mistério misterioso do país do sol e mar azul de abraço mediterratlântico logo no berço dar de mamar tristeza aos filhos como se vivessem sob os céus cinzentos da Europa nortenha no longo inverno gelados no frio branco e os rodeasse um mar frígido cor de nuvens Reinventou António Sérgio a roda quando entendeu serem os nossos vates de antanho albergues de melancolia penumbra e mágoa por conta talvez da coita amorosa e de no palor das brumas se arrepiarem com os uivos da ventania pelas solidões nocturnas mundo e alma sobrevoada de medo torvo das emanações do sombrio Basta em relance desfolhar páginas roxas pois já Cesário dissera nas nossas ruas ao anoitecer há tal soturnidade há tal melancolia que as sombras o bulício o Tejo a maresia despertam-me um desejo absurdo de sofrer e é como se todos os dias fossem aqueles domingos terríveis de passar de Alexandre O'Neill o país todo nau dos corvos nau parada de pedra que tanto navega e há tanto está no mar sem nunca ao porto chegar de Ruy Belo ou o de Melo e Castro naquele fragmento de um mapa do lirismo português onde lágrima -lá rima com ama sobra um g de gosto tem um ri de riso amargo onde amar é gosto gasto E mil poetas rimaram com o Mário Sá-Carneiro do nada me expira já nada me vive nem a tristeza nem as horas belas de as não ter e de nunca vir a tê-las fartou-me até as coisas que não tive e com Reinaldo Ferreira contente nunca estou feliz não sei se existe alguém ou neste ou noutro mundo...»

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Outros Silêncios

Mulheres cujos sorrisos escondem silêncios debaixo do olhar, abaixo do sangue, no dentro da pele. Filhos que adormecem por entre o silêncio dos dedos das suas mães. O silêncio do olhar quando enfrenta a rendição. O silêncio em chamas dos incêndios. O silêncio aceso nos olhos de dois inimigos frente a frente. As imperfeições e as impurezas do silêncio pairando no ar. O que resta do silêncio que deixamos por entre as dobras dos lençóis. O silêncio dos insectos nas crostas do verão. O silêncio sussurrando a sua solidão. O silêncio de uma mordaça de aço. O silêncio como sombra que o peito vai recolhendo. O silêncio enquanto lugar da mentira. O silêncio à voz da neve, ao ouvido das águas. O silêncio por entre as hortências junto às ruínas. O silêncio dos namorados aquando do reconhecimento dos cheiros. O silêncio dos frutos desfeitos depois da queda. O silêncio maduro do irremediável. O silêncio do Inverno que te arrefece o peito e faz morada no mais secreto das memórias. O silêncio das coisas sem nome. O silêncio desfeito em cacos. O silêncio que o espelho reflecte em certas manhãs. O silêncio da idade quando se acende nos corpos. O silêncio nocturno das cidades quando os camiões do lixo dobram o fim da rua. O silêncio das palavras nos teus lábios de água. O silêncio de partires sem te despedires do coração. O silêncio líquido das lágrimas que percorrem o abismo da tua ausência. O silêncio em cinzas sobre a terra queimada. O silêncio vivo no coração da alegria. A delicadeza do silêncio no passar do cisne. O táctil silêncio da escrita braille. O silêncio misterioso do nascimento e da morte das nuvens. O silêncio do povo ante o rei decapitado. O silêncio subserviente do povo perante o novo rei. O silêncio vítreo nos olhos do enforcado. O silêncio caindo as mãos, maduro, em polpa. O silêncio quase parado das procissões fúnebres. O silêncio extasiado diante do Belo e do Intemporal. A anatomia do silêncio quando ao comprido aguradando a dissecação. O contrato de silêncio entre os talheres e a toalha de renda branca em ocasiões especiais. O silêncio arrastado dos fantasmas quando pela manhã recolhem aos seus quartos. O silêncio como raiz de todos os medos. O silêncio dos sonhos de um surdo. O silêncio quando no teu peito vêm sossegar os pássaros. O silêncio percorrido dedo a dedo na linha da tua pele. O silêncio debruado a silêncios. O silêncio articulado das grandes engrenagens e dos planetas. Uma máquina de calcular silêncios. O silêncio gasto de tanto ver-se de um velho fabricante de espelhos. O silêncio oculto dos sentimentos desconhecidos. O secreto silêncio das secretas. O silêncio fóssil dos coleccionadores de fósseis. O silêncio calculado das negociações com terroristas. O silêncio maior da morte. O silêncio por vezes discutível de deus. O silêncio dos cretinos que discursam, discursam, discursam. O preciso silêncio das mãos arrancando os caules à terra. O silêncio dos oráculos fazendo seus cálculos. O redondo silêncio das coroas de flores. O pesado silêncio de velhos soldadinhos de chumbo. O silêncio enquanto pó sobre a mesa lá de casa. O doméstico e domesticado silêncio das mulheres.

O Problema dos Domingos

«Um domingo, no parque das imediações do Georgenäum, Hermann saltou para dentro da enorme fonte de pedra, imitando-o e, se a sua vizinha não andasse por ali, ter-se-ia afogado. Desde então, são amigos de Frau Ana.»

Eduardo Halfon, «O Anjo Literário», Cavalo de Ferro

Histórias Fulminantes 90

O Senhor K. achou que já não tinha nada a perder. A partir daí tudo o que encontrasse seria ganho. Porém, quando encontrou a morte pela frente, duvidou dessa verdade tão simples e evidente.

domingo, 15 de junho de 2008

O Problema dos Domingos

«Interrogado pelo Expresso, o relator do inquérito admitiu uma quebra de fiéis nas missas de domingo compensada pela 'purificação', ou o aumento da qualidade, dos participantes...»

Frei Bento Domingues, «Público», 15 de Junho 2008

sexta-feira, 13 de junho de 2008

UEFA - Porto

A Comissão Disciplinar passou a Comichão Disciplinar...

O Problema dos Domingos

«Triste é comprar castanhas depois da tourada entre o fumo e o domingo na tarde de Novembro e ter como futuro o asfalto e muita gente.»

Ruy Belo, «O Problema da Habitação»

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O país segue dentro de momentos

o governo aconselha a escrita de poemas a duas mãos
o governo avisa que não pactuará com piquetes contra a poesia
os poetas por conta própria estão a paralizar o país
polícias investem contra poetas que querem impedir outros poetas de escrever
um poeta veio a falecer quando tentava escrever um poema
senão for abastecido de livros o país poderá ficar sem poemas já amanhã
poetas e versos já escasseiam na grande lisboa
reunião decisiva entre poetas e governo para decidir o fim da paralização
nos piquetes poéticos os ânimos têm-se exaltado (o que promete grandes versos futuros)
o país quase estagna devido ao aumento do livro de poesia
o presidente da república não sabe ler o problema
à cautela já há quem compre cinco a seis livros de poemas para o que der e vier
os poetas não admitem um preço do livro aqui e outro acolá
os poetas reclamam o verso profissional
filas com três quilómetros à entrada das livrarias um pouco de norte a sul do país

vale que o país se esquece
nos golos de deco e pepe
há quem admita recorrer à deco
há quem culpe a opep

Goleadas numerosas

Vivemos mesmo em tempo de vacas magras: os comentadores de futebol falam em goleadas quando se vence por três a zero, a associação de famílias numerosas faz-me saber que a partir de três filhos já se considera a família como tal...

Silence Music Box - Psychedelic Furs - «Love my Way»

Silence Music Box - The Church - «Under the milky way»

Silence Music Box - The Triffids - «Wide Open Road»

Compras na Feira




Raça

A cabéça daquel môsse na deve de ser de boa raça! Ou entã anda apanhade da cabéça!