Pois ontem, na televisão, vi uns artistas residentes em Berlim e tal e tal e muito conceptuais e tal e tal, e muito incompreendidos e tal e tal, e foi também para eles que escrevi o meu «Sorriso de Mona Lisa» e tal e tal... Pois em matéria de arte espreitem:
http://www.youtube.com/watch?v=uuGaqLT-gO4
quarta-feira, 11 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
À conversa com Zeferino Coelho
«Já fui uma vez a Oslo, espero ir outra vez...»; isto em conversa sobre...
O Problema dos Domingos
«Mas hoje não, hoje não morra que é domingo... Sidónio sabe da rotina de Bartolomeu: Domingo é dia de janela...»
Mia Couto, «Venenos de Deus, Remédios do Diabo», Caminho
Mia Couto
Uma frase bonita do novo romance de Mia Couto: «A velhice é assim, faz noite a qualquer hora.»
Leituras Silenciosas - Mia Couto
«Venenos de Deus, Remédios do Diabo», já vos falei de raspão do novo romance de Mia Couto: um excepcional enredo em torno de um médico português por terras africanas atrás das saias de uma médica mulata conhecida num encontro de médicos em Portugal. Humor desconcertante, diálogos de se lhes tirar o chapéu, e sempre a mesma reinvenção do português no que é a mais avisada evidência de que qualquer ideia de um acordo ortográfico é um perfeito disparate. (P.S. Na foto, eu, André Sant'Anna e Mia Couto, numa escola da Póvoa de Varzim)
domingo, 8 de junho de 2008
Leituras Silenciosas - Leão Tolstoi
«- Nikita!
- Estou bem, sinto agora calor... - respondeu a voz de Nikita por baixo de Vassili Andréitch.
- Sim, irmão, sim... Eu vi a morte diante de mim. Tu estiveste quase a morrer de frio e eu também. - Mas as maxilas puseram-se-lhe de novo a tremer e os olhos encheram-se-lhe de lágrimas. Não pôde continuar.»
Ou a redenção do homem perante o confronto com a morte, segundo Leão Tolstoi (é assim mesmo a tradução adiantada), Leão em «Senhor e Servo», breve novel que a Europa-América acaba de editar nos seus livros de bolso. Com uma capa muito bonita.
- Estou bem, sinto agora calor... - respondeu a voz de Nikita por baixo de Vassili Andréitch.
- Sim, irmão, sim... Eu vi a morte diante de mim. Tu estiveste quase a morrer de frio e eu também. - Mas as maxilas puseram-se-lhe de novo a tremer e os olhos encheram-se-lhe de lágrimas. Não pôde continuar.»
Ou a redenção do homem perante o confronto com a morte, segundo Leão Tolstoi (é assim mesmo a tradução adiantada), Leão em «Senhor e Servo», breve novel que a Europa-América acaba de editar nos seus livros de bolso. Com uma capa muito bonita.
sábado, 7 de junho de 2008
O Problema dos Domingos
«Domingo. Ninguém trabalha no garimpo. (...) É o dia de Deus, ninguém trabalha. Dia de Deus e da polícia. O melhor dia para a pensão da cadeia melhorar dos seus hóspedes e alugar os seus quartos de janelas cruzadas...»
José Mauro de Vasconcelos, «Banana Brava», Melhoramentos
Rir ou chorar...

Na Bertrand do Chiado esteve em discussão, esta quinta-feira passada, o tema:
«A literatura portuguesa tem sentido de humor?». Não fui, não sei a que conclusões chegaram os conferencistas de serviço. Quanto a mim, respondo já: não. Nenhum, ou quase nenhum. Dois caminhos: se vamos pelos autores tidos como mais sérios e autorizados (Saramago, Lobo Antunes, Lídia Jorge, Peixoto, etc.) nem um vislumbre, alinham todos pelo negrume dos dias e o acre nas palavras; depois temos os outros, com humor subterrâneo, mas sem grande apreço de público (Mário de Carvalho - provavelmente o melhor de todos os escritores portugueses de hoje -, Jorge Sousa Braga, Rui Zink, Joaquim Castro Caldas) e já não recordo mais ninguém!). Outra coisa é saber se o panorama da literatura portuguesa faz rir. Aí, sim, e de que maneira. Basta olhar para os best-sellers e desatar a rir... Em suma, saudades do O'Neill.
Feira do Livro
Visito a Feira do Livro. Desço à Praça Leya e abismo-me. Olho e vejo uma rapaziada toda com camisolas dizendo Staff; penso para mim, nova editora no mercado? Afinal, não. Era mesmo só o Staff da Leya que depois de nos ter surpreendido na Póvoa do Varzim com os Smart passeando pela cidade as caras dos escritores, agora reunia o seu pessoal sob o nome de Staff - which is very international. Nada mais me surpreende, a não ser um «Estádio do Dragão» em desconto à venda por cinco euros (não sei se a acompanhar as tendências noticiosas negativas do mercado) e uma sessão de autógrafos do notável Gerónimo Stilton.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
GPS - Gente, o Padre Sumiu!

Pois é, qual Ícaro, este propulsionado a balões, há algumas semanas um padre voador (claro que não da cêpa do nosso Bartolomeu) desapareceu nos céus do Brasil. Diz-se que não levava GPS. Mas, curiosamente, foi isso mesmo que esclareceu o significado da sigla em terras de Vera Cruz e, por corolário do novo acordo ortográfico, presumo, fica também o mesmo a valer para «Portugáu». E o significado é: «Gente, o Padre Sumiu!».
Matilde e a Trofa

Ontem, tarde em casa de Matilde Rosa Araújo para atribuição do prémio do conto infantil da Trofa, que leva o nome da escritora. Boa conversa, algumas novidades literárias, a bonomia e simpatia da anfitriã, com idade para ser avó de quase todos nós, sobretudo literariamente falando. E pensar que há 30 anos frequentava eu uma escola que a escritora um dia visitou!
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Venenos de Deus
«Venenos de Deus Remédios do Diabo», o título do novo livro de Mia Couto, a editar em breve, é um sério candidato a destronar «Mágoa das Pedras».
Mágoa das Pedras
O José Mário Silva, no blog O bibliotecário de Babel, considera, e bem, o título «Mágoa das Pedras», do livro de poesia de Joaquim Castro Caldas, o melhor título do ano até ao momento. Completamente de acordo. E lembro-me, a propósito, de outro título dele, também notável, saído há um punhado de anos, «Convém avisar os ingleses» (editado nas Quasi); creio que é assim, porque, oferecido pelo poeta quando trabalhámos juntos, foi, infelizmente, livro que não sei onde me foi parar... Seja como for, não deve o leitor ficar-se pelo título...
um amigo
chora no ombro onde pousa
o amigo é um violino
estimado, obstinado
mesmo se dorme ao colo aberto de pau santo
de alfinete paciente e carinho antigo
o virtuoso ausente
omnipresente como um príncipe
e prenhe do murro seco
no estômago do mundo
o amigo é um chicote de raios de sol
para sacudir e arejar o pólen ao corpo indefeso
ao coração inocente e sábio
e ao suor da planície
é um homem à rasca pelo que fez por nós
mas não disse, não disse
um amigo
chora no ombro onde pousa
o amigo é um violino
estimado, obstinado
mesmo se dorme ao colo aberto de pau santo
de alfinete paciente e carinho antigo
o virtuoso ausente
omnipresente como um príncipe
e prenhe do murro seco
no estômago do mundo
o amigo é um chicote de raios de sol
para sacudir e arejar o pólen ao corpo indefeso
ao coração inocente e sábio
e ao suor da planície
é um homem à rasca pelo que fez por nós
mas não disse, não disse
Joaquim Castro Caldas
Saramago vs Lobo Antunes
«Vai ser preciso que eu morra para haver outro Nobel português.» Quem o afirma é José Saramago no novo número da revista «Ler». Frase, está de ver, à Nobel. Curioso, mais adiante, é que Saramago diz nada ter contra António Lobo Antunes, o outro escritor português eternamente tido como candidato ao galardão sueco e que, há coisa de meses, disse qualquer coisa como nenhum escritor português me chega aos calcanhares... Vê-se como se prezam.
Joss vs Amy
Ontem, no Rock in Rio, fenomenal actuação de Joss Stone. A contrapor à miserável apresentação no dia anterior de Amy Winehouse. Estranho é que muita gente tenha achado piada ao facto de ter pago para ver a estrela «caminhar para o inferno» em cima do palco.
Rosa
É, era para a polémica. Mea culpa. Tem razão o leitor, donde que retiro o post. Todos podem jogar na selecção. Só o estilo metrossexual é que...
E agora para um momento poético
entre o silêncio e a noite
procura o poeta
nas entranhas das palavras.
diz...
qualquer coisa...
o silêncio de Deus que seja.
aos domingos
a fome das palavras agride
como o jejum pascal.
alegra-me
saber de ti
como quem reaprende a viver.
sim os vincos
que partilhamos
como cicatrizes.
a luz redime
nenhuma noite
te conduzirá à cruz.
não te deixes
como o poeta
preso ao frágil das palavras.
a palavra
único degrau
a preceder o silêncio.
a noite
alimenta-se
da sede dos poetas.
deixa que as tuas mãos
toquem os contornos da noite
ali perto moram os poemas.
o passado é uma história
que a mãe nos contou
num inverno já sem nome.
indício de aves
assim o teu sorriso
quando entraste para o avião.
não raro é da ordem da pele
a desordem que se acende
no coração.
como o verso
um corpo de mulher
nem sempre é fácil de dizer.
enquanto bebíamos o café
na esplanada as aves migratórias
partiam. era hora de regressarmos.
à mesa entre os dois
o silêncio pesava rigoroso
como o linho das toalhas.
o teu olhar
era então um porto distante
o meu um mar de sombras.
havia em ti
qualquer coisa de noite
talvez a luz excessiva no olhar.
ditas com o coração
as palavras são como o sol
cegam.
procura o poeta
nas entranhas das palavras.
diz...
qualquer coisa...
o silêncio de Deus que seja.
aos domingos
a fome das palavras agride
como o jejum pascal.
alegra-me
saber de ti
como quem reaprende a viver.
sim os vincos
que partilhamos
como cicatrizes.
a luz redime
nenhuma noite
te conduzirá à cruz.
não te deixes
como o poeta
preso ao frágil das palavras.
a palavra
único degrau
a preceder o silêncio.
a noite
alimenta-se
da sede dos poetas.
deixa que as tuas mãos
toquem os contornos da noite
ali perto moram os poemas.
o passado é uma história
que a mãe nos contou
num inverno já sem nome.
indício de aves
assim o teu sorriso
quando entraste para o avião.
não raro é da ordem da pele
a desordem que se acende
no coração.
como o verso
um corpo de mulher
nem sempre é fácil de dizer.
enquanto bebíamos o café
na esplanada as aves migratórias
partiam. era hora de regressarmos.
à mesa entre os dois
o silêncio pesava rigoroso
como o linho das toalhas.
o teu olhar
era então um porto distante
o meu um mar de sombras.
havia em ti
qualquer coisa de noite
talvez a luz excessiva no olhar.
ditas com o coração
as palavras são como o sol
cegam.
domingo, 1 de junho de 2008
PSD
Mas aquela senhora que agora vai liderar o PSD não é a mesma cujo ministério das finanças se mostrou inepto ao tempo em que fez parte do governo? Renovação? Respira fundo, Sócrates, respira. E fuma um às escondidas...
Dá-me ideia que isto vai ser uma barraca
Chega de bola; isto não é o mesmo país que atravessa uma crise como há muito não se vê? O que é que anda a fazer aquela gente toda histérica atrás de uma equipa de futebol?
Dá-me ideia que isto vai ser uma barraca
SIC em grande estilo de cobertura noticiosa, em torno das últimas andanças da Selecção em Portugal, ou porque é que por vezes renego esta condição de jornalista...
«Cristiano Ronaldo não terá entrado no autocarro... Fernando Meira fala ao telefone...»
«O avião que vai levar os jogadores de todos os sonhos...»
«Dá-me ideia que Cristiano Ronaldo e Nani entraram no autocarro...»
«Cristiano Ronaldo acena às câmaras...»
«Um autocarro que vai também cheio de uma aimbólica paixão...»
«A selecção nacional já não está neste hotel...»
Como se vê, tudo notícias de suma importância nacional.
«Cristiano Ronaldo não terá entrado no autocarro... Fernando Meira fala ao telefone...»
«O avião que vai levar os jogadores de todos os sonhos...»
«Dá-me ideia que Cristiano Ronaldo e Nani entraram no autocarro...»
«Cristiano Ronaldo acena às câmaras...»
«Um autocarro que vai também cheio de uma aimbólica paixão...»
«A selecção nacional já não está neste hotel...»
Como se vê, tudo notícias de suma importância nacional.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Festa da Criança - Este fim-de-semana na Fundação EDP

O Museu da Electricidade (Belém, Lisboa) festeja este ano a preceito o Dia Mundial da Criança. Tudo irá decorrer este fim-de-semana, de 30 de Maio a 1 de Junho, entre as 10 e as 18 horas, estando previstas diversas actividades dignas de tomar nota e deixar a miudagem radiante. Concebida a pensar em crianças e jovens entre os 2 e os 14 anos, a Festa tem um programa que visa cativar também as respectivas famílias, dando azo a que todos se divirtam com múltiplas brincadeiras. E como também a brincar se aprende, a Festa da Criança vai apelar para necessidade da criação de uma consciência ambiental. Como? Fazendo de coisas como a reciclagem de materiais e as energias renováveis temas centrais dos vários jogos e diversões disponíveis. Assim, haverá uma pista de carrinhos solares, onde todos poderão competir; carros solares prontos a ser experimentados; segways, um divertido veiculo eléctrico e bicicletas-geradores de electricidade, cedidas pela Quercus e que produzem electricidade ao ritmo da pedalada! Um atelier para fabrico de brinquedos por reciclagem de materiais; um Atelier das Artes, para pintura em papel gigante; espectáculos de Magia e quatro Insufláveis diferentes - Parede Escalada, Escorrega Obstáculos, Pula-Pula Silvestre e Escorrega Jogo da Selva –; pinturas faciais; jogo da reciclagem; bolas saltitonas; fotos com mascotes; construção de instrumentos musicais com embalagens recicladas; concerto TOCA A RUFAR, etc.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Prefácios
Escreve Ana Cristina Leonardo no blog Meditação na Pastelaria e eu tive a mesmíssima percepção e espanto: «Tenho entre mãos um dos clássicos da literatura do século XX, Rayuela, palavra que no original significa «jogo da macaca», texto poderoso assinado por Julio Cortázar e traduzido (só) agora em Portugal pela Cavalo de Ferro.Olho para a capa e concluo que é uma belíssima capa. Olho-a outra vez e leio: «Prefácio de José Luís Peixoto». Morre-se-me o entusiasmo. O que tem o crochet e o sentimentalismo pacóvio de Peixoto que ver com o experimentalismo e o rigor de Cortázar?Fui ver, como o Augusto Gil.Pois bem, vocês conhecem-se (esta é uma frase de efeito, naturalmente). Um quebra-cabeças de 631 páginas resumido a folha e meia? E coroado pelo título «Prefácio dispensável»? Solta-se-me a bipolaridade: da estranheza passo à irritação. Começo a ler. A meio do rol de coisa alguma, já passei da irritação à gargalhada.Na tal folha e 1/4 (tentando ser mais precisa), o moço de Galveias consegue descarregar dois pianos, e cito:
1. «trata[-se] do livro incontornável de um autor incontornável na literatura do século XX»;
2. «estamos na presença de um dos mais importantes livros escritos na segunda metade do século XX».Além disto: NADA. Minto (até ao dizer que minto), acrescenta: «Reparo agora que ainda não escrevi suficientes frases de possível citação na contracapa».Fui ver, como o Augusto Gil.Na contracapa: NADA. Grande es Dios. E Cortázar, claro.»
Ou seja, há toda uma enorme diferença entre um prefácio como o de José Mário Silva ao livro «O Resto é Silêncio», de Augusto Monterroso (Oficina do Livro), e este «prefácio» a «Rayuela».
1. «trata[-se] do livro incontornável de um autor incontornável na literatura do século XX»;
2. «estamos na presença de um dos mais importantes livros escritos na segunda metade do século XX».Além disto: NADA. Minto (até ao dizer que minto), acrescenta: «Reparo agora que ainda não escrevi suficientes frases de possível citação na contracapa».Fui ver, como o Augusto Gil.Na contracapa: NADA. Grande es Dios. E Cortázar, claro.»
Ou seja, há toda uma enorme diferença entre um prefácio como o de José Mário Silva ao livro «O Resto é Silêncio», de Augusto Monterroso (Oficina do Livro), e este «prefácio» a «Rayuela».
sábado, 24 de maio de 2008
Leya-se Publicidade
Agora é que dei por mim a iluminar-me sobre o assunto. É que nunca como este ano se falou tanto em Feira do Livro! Não sei se estão a perceber a táctica da Leya, polemizar par ter publicidade de graça. Notável. Vão ver como este ano as estatísticas hão-de dar conta de mais gente no Parque Eduardo VII.
Outros Silêncios
«No início do caderno que tenho comigo, e onde pouco escrevo, constam umas poucas linhas que eu mesmo inventei e me pareceram, na ocasião, um guia adequado para a busca espiritualque me propunha empreender: "Eem algum momento é preciso aprender a importância do silêncio. Calarmo-nos. Saber não dizer nada, não insinuar nada. Não reticenciar nem exclamar. Não perguntar. Não responder...»
Manuel Jorge Marmelo, «Zero à Esquerda» , «O Prazer da Leitura», Colectânea de contos FNAC/ Teorema
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Torcato Sepúlveda (1951-2008)

«O Torcato morreu». A Isabel fez-me chegar a mensagem, assim, tão dura como um soco no estômago. Eu fiquei triste e respondi-lhe que ele era um tipo único. E era. Conheci-o quando trabalhámos juntos no «Semanário», ele, jornalista tarimbado, eu, aprendiz de ofício. Ele bastante mais velho do que eu, mas nem por isso a afirmar o posto como barreira. Era um homem que gostava das palavras, tanto quanto de ajudar. Era exigente, culto, seco. Aparentemente indisposto na sua solidão rodeada de todos quantos o prezavam, que eram todos. A mim, creio que no imediato me detectou o gosto comum pelos livros, pelo que deles por várias vezes falámos; lembro-me de me mostrar os poemas de Amália (que vinha de acabar de entrevistar) e dizer que sim, que até eram coisas bonitas e bem escritas. Lembro-me também de me ter recomendado os poemas de «Reinaldo Ferreira» (então publicados pela Vega), filho do famoso Repórter X, sobre que depois escrevi artigo... E lembro-me de que fumava muito, lembro-me de o ver como um príncipe das letras, com o seu cabelo e barbas brancas. Depois desse tempo tempos vieram em que só fui sabendo dele à distância. E todos me diziam de que continuava o mesmo: com a mesma fibra com que tomava a pulso o mundo à sua volta. Um abraço, Torcato.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Prémios
Por curiosidade, num site venezuelano dedicado à escrita e à literatura, 'clico' em «Concursos» e eis que me surge na página o imenso ror de prémios literários disponíveis a concurso (ver abaixo para os interessados)! Primeiro, pasmo, depois dou comigo a pensar que de certa forma isso faz-me perceber porque não há quase um autor latino-americano que não venha creditado na sua biografia enquanto vencedor de um qualquer cocurso literário.
IV Certamen de Relatos “Villa de Cabra del Santo Cristo” (España)15 de mayo
Concurso de Relatos Breves Bellver15 de mayo
Premio Nacional de Cuento Joven “Alejandro Meneses” 2008 (México)15 de mayo
Premio Nacional de Poesía Joven “Gutierre de Cetina” 2008 (México)15 de mayo
II Certamen de Relatos Cortos “El tránsito, el viaje, el movimiento hacia un destino...” (España)15 de mayo
Premio de Poesía Antonio Gala16 de mayo
VI Concurso para Obras de Autores Inéditos 2008 de Monte Ávila Editores Latinoamericana (Venezuela)16 de mayo
I Certamen Nacional de Poesía Ibn Hazm16 de mayo
III Bienal de Novela Adriano González León (Venezuela)16 de mayo
X Certamen Literario Manuel Pacheco16 de mayo
Primer Concurso Narrativo “Ten en Cuento a La Victoria”20 de mayo
I Concurso de Poesía del Centro de Información a la Mujer de Castro Urdiales (España)23 de mayo
VII Premio Literario “Carlos Casares” de Microrrelato23 de mayo
XV Premios de la Mar de Poesía 2008 (España)25 de mayo
IX Premios Vida y Salud de Narrativa25 de mayo
V Certamen Internacional de Poesía Memorial Bruno Alzola García27 de mayo
Primer Certamen Literario de la Asociación Costarricense de Escritoras (Centroamérica)27 de mayo
IV Premio Tusquets Editores de Novela 200830 de mayo
IV Bienal de Literatura “Orlando Araujo”, Mención Crónica (Venezuela)30 de mayo
I Concurso de Fotografía Turística de Cehegín30 de mayo
I Concurso de Letras Flamencas “Francisco Moreno Galván”30 de mayo
I Premio Internacional de Poesía “José Verón Gormaz”30 de mayo
IV Premio de Narrativa de Viajes “Eurostars Hotels”31 de mayo
Premios Fray Luis de León de Novela, Poesía, Ensayo y Teatro31 de mayo
XII Premio de Nueva Novela Corta “Salvador García Aguilar”31 de mayo
Concurso Literario 72º Aniversario de la Peña de las Bellas Artes31 de mayo
III Bienal de Cuento Infantil ICPNA 2008 (Perú)31 de mayo
XII Concurso Internacional de Relato Corto “Elena Soriano”31 de mayo
Bienales Venezolanas de Literatura 2006-2008 (Venezuela)31 de mayo
XX Concurso Poético “Segovia y su Sierra”31 de mayo
IX Certamen Literario “Nuestras Raíces” de la Asociación Española de Socorros Mutuis de Coronel Dorrego31 de mayo
Premios Literarios Jaén 2008, XXIV Edición31 de mayo
I Concurso de Poesía de Piloña 200831 de mayo
I Concurso de Investigación sobre Lenguas Indígenas 2007 (Venezuela)1 de junio (prorrogado)
VI Premio Nacional Vivir de Relato Breve1 de junio
Premios del Tren 200813 de junio
I Certamen literario Ayuntamiento de Berrioplano. Fuerte San Cristóbal15 de junio
II Premio Internacional de Novela Negra RBA 200815 de junio
XVIII Premio Internacional de Novela “Luis Berenguer”15 de junio
III Certamen de Poesía Erótica “El Búho Rojo”15 de junio
VIII Premio “Encuentro de Dos Mundos”15 de junio
XII Certamen Poético Pepa Cantarero (España)16 de junio
IV Edición del Premio “Tristana” de Novela Fantástica20 de junio
IX Premio Nacional de Cerámica “Ciudad de Castellón 2008” (España)20 de junio
Certamen de Cuentos para Niños y Niñas “¿Quieres que te cuente el mundo al revés?”27 de junio
Premio Altea de Literatura: Novela - 1ª Edición 200830 de junio
Premio de Novela Onuba 2008 (España)30 de junio
II Premio Internacional de Poesía Víctor Valera Mora (2007)30 de junio
Concurso Interamericano de Cuentos 2008 “Espacio AVON” (América)30 de junio
Concurso Interamericano de Poesía 2008 “Espacio AVON” (América)30 de junio
IV Concurso de Poesía y Narrativa 2008 “Simón Darío Ramírez” y “Antonio Márquez Salas” (Mérida, Venezuela)30 de junio
II Edición Premio Internacional de Poesía Víctor Valera Mora (2007)30 de junio
I Certamen Literario de Poesía y Relato Corto “Rodrigo Manrique”15 de julio
Convocatoria de Cinergia, Fondo de Fomento al Audiovisual de Centroamérica y el Caribe, para proyectos audiovisuales18 de julio
I Concurso Internacional de Microtextos “Garzón Céspedes”: Del Cuento de Nunca Acabar, el Dicho y el Pensamiento19 de julio
III Exposición Todos por el Arte (Aragua, Venezuela)Del 14 al 25 de julio
Tercer Certamen de Autobiografía “Un Capítulo de mi Vida”30 de julio
IV Premios Andrómeda de Ficción Especulativa31 de julio
Concurso Nacional de Literatura “José Vicente Abreu”, Mención Poesía (Venezuela)31 de julio
Concurso Nacional de Literatura “José Vicente Abreu”, Mención Narrativa (Venezuela)31 de julio
Concurso Nacional de Literatura “José Vicente Abreu”, Mención Crónica (Venezuela)31 de julio
Premio FIL de Literatura en Lenguas Romances 20081 de agosto
I Concurso Internacional de Cuento Breve15 de agosto
II Certamen de Autobiografía para Obra Publicada “Alejo Carpentier”30 de agosto
Primer Premio Mundial de Literatura Aguas Verdes30 de agosto
XVI Premio de Relatos Cortos Diputación de Huelva José Nogales30 de agosto
25º Concurso Juan Rulfo de Novela Corta y Cuento30 de agosto
Convocatoria para Antología Literaria de Marick Press (escritores chilenos en EUA y Canadá)1 de septiembre
XX Concurso “Teruel” de Relatos1 de septiembre
Premios de la Fundación Corda para el Estudio de la Obra Poética de David Rosenmann-Taub1 de septiembre
Primer Certamen Literario Rosendo Tello10 de septiembre
XX Certamen Literario “Pedro de Atarrabia”12 de septiembre
III Concurso de Relatos “Comarca del Maestrazgo”26 de septiembre
I Premio de Ensayo Histórico “Ciudad de Cehegín”30 de septiembre
Premio de Fotografía Unión Latina-Martin Chambi 200830 de septiembre
IV Certamen Bienal Internacional de Pintura y Fotografía “Paco Luna”15 de octubre
VIII Premio Internacional de Relato Corto “Encarna León”25 de noviembre
Concurso Novela Corta 2009 “Julio Ramón Ribeyro” (Perú)30 de diciembre
Premio Internacional para el Desarrollo Social de la Información31 de diciembre
IV Certamen de Relatos “Villa de Cabra del Santo Cristo” (España)15 de mayo
Concurso de Relatos Breves Bellver15 de mayo
Premio Nacional de Cuento Joven “Alejandro Meneses” 2008 (México)15 de mayo
Premio Nacional de Poesía Joven “Gutierre de Cetina” 2008 (México)15 de mayo
II Certamen de Relatos Cortos “El tránsito, el viaje, el movimiento hacia un destino...” (España)15 de mayo
Premio de Poesía Antonio Gala16 de mayo
VI Concurso para Obras de Autores Inéditos 2008 de Monte Ávila Editores Latinoamericana (Venezuela)16 de mayo
I Certamen Nacional de Poesía Ibn Hazm16 de mayo
III Bienal de Novela Adriano González León (Venezuela)16 de mayo
X Certamen Literario Manuel Pacheco16 de mayo
Primer Concurso Narrativo “Ten en Cuento a La Victoria”20 de mayo
I Concurso de Poesía del Centro de Información a la Mujer de Castro Urdiales (España)23 de mayo
VII Premio Literario “Carlos Casares” de Microrrelato23 de mayo
XV Premios de la Mar de Poesía 2008 (España)25 de mayo
IX Premios Vida y Salud de Narrativa25 de mayo
V Certamen Internacional de Poesía Memorial Bruno Alzola García27 de mayo
Primer Certamen Literario de la Asociación Costarricense de Escritoras (Centroamérica)27 de mayo
IV Premio Tusquets Editores de Novela 200830 de mayo
IV Bienal de Literatura “Orlando Araujo”, Mención Crónica (Venezuela)30 de mayo
I Concurso de Fotografía Turística de Cehegín30 de mayo
I Concurso de Letras Flamencas “Francisco Moreno Galván”30 de mayo
I Premio Internacional de Poesía “José Verón Gormaz”30 de mayo
IV Premio de Narrativa de Viajes “Eurostars Hotels”31 de mayo
Premios Fray Luis de León de Novela, Poesía, Ensayo y Teatro31 de mayo
XII Premio de Nueva Novela Corta “Salvador García Aguilar”31 de mayo
Concurso Literario 72º Aniversario de la Peña de las Bellas Artes31 de mayo
III Bienal de Cuento Infantil ICPNA 2008 (Perú)31 de mayo
XII Concurso Internacional de Relato Corto “Elena Soriano”31 de mayo
Bienales Venezolanas de Literatura 2006-2008 (Venezuela)31 de mayo
XX Concurso Poético “Segovia y su Sierra”31 de mayo
IX Certamen Literario “Nuestras Raíces” de la Asociación Española de Socorros Mutuis de Coronel Dorrego31 de mayo
Premios Literarios Jaén 2008, XXIV Edición31 de mayo
I Concurso de Poesía de Piloña 200831 de mayo
I Concurso de Investigación sobre Lenguas Indígenas 2007 (Venezuela)1 de junio (prorrogado)
VI Premio Nacional Vivir de Relato Breve1 de junio
Premios del Tren 200813 de junio
I Certamen literario Ayuntamiento de Berrioplano. Fuerte San Cristóbal15 de junio
II Premio Internacional de Novela Negra RBA 200815 de junio
XVIII Premio Internacional de Novela “Luis Berenguer”15 de junio
III Certamen de Poesía Erótica “El Búho Rojo”15 de junio
VIII Premio “Encuentro de Dos Mundos”15 de junio
XII Certamen Poético Pepa Cantarero (España)16 de junio
IV Edición del Premio “Tristana” de Novela Fantástica20 de junio
IX Premio Nacional de Cerámica “Ciudad de Castellón 2008” (España)20 de junio
Certamen de Cuentos para Niños y Niñas “¿Quieres que te cuente el mundo al revés?”27 de junio
Premio Altea de Literatura: Novela - 1ª Edición 200830 de junio
Premio de Novela Onuba 2008 (España)30 de junio
II Premio Internacional de Poesía Víctor Valera Mora (2007)30 de junio
Concurso Interamericano de Cuentos 2008 “Espacio AVON” (América)30 de junio
Concurso Interamericano de Poesía 2008 “Espacio AVON” (América)30 de junio
IV Concurso de Poesía y Narrativa 2008 “Simón Darío Ramírez” y “Antonio Márquez Salas” (Mérida, Venezuela)30 de junio
II Edición Premio Internacional de Poesía Víctor Valera Mora (2007)30 de junio
I Certamen Literario de Poesía y Relato Corto “Rodrigo Manrique”15 de julio
Convocatoria de Cinergia, Fondo de Fomento al Audiovisual de Centroamérica y el Caribe, para proyectos audiovisuales18 de julio
I Concurso Internacional de Microtextos “Garzón Céspedes”: Del Cuento de Nunca Acabar, el Dicho y el Pensamiento19 de julio
III Exposición Todos por el Arte (Aragua, Venezuela)Del 14 al 25 de julio
Tercer Certamen de Autobiografía “Un Capítulo de mi Vida”30 de julio
IV Premios Andrómeda de Ficción Especulativa31 de julio
Concurso Nacional de Literatura “José Vicente Abreu”, Mención Poesía (Venezuela)31 de julio
Concurso Nacional de Literatura “José Vicente Abreu”, Mención Narrativa (Venezuela)31 de julio
Concurso Nacional de Literatura “José Vicente Abreu”, Mención Crónica (Venezuela)31 de julio
Premio FIL de Literatura en Lenguas Romances 20081 de agosto
I Concurso Internacional de Cuento Breve15 de agosto
II Certamen de Autobiografía para Obra Publicada “Alejo Carpentier”30 de agosto
Primer Premio Mundial de Literatura Aguas Verdes30 de agosto
XVI Premio de Relatos Cortos Diputación de Huelva José Nogales30 de agosto
25º Concurso Juan Rulfo de Novela Corta y Cuento30 de agosto
Convocatoria para Antología Literaria de Marick Press (escritores chilenos en EUA y Canadá)1 de septiembre
XX Concurso “Teruel” de Relatos1 de septiembre
Premios de la Fundación Corda para el Estudio de la Obra Poética de David Rosenmann-Taub1 de septiembre
Primer Certamen Literario Rosendo Tello10 de septiembre
XX Certamen Literario “Pedro de Atarrabia”12 de septiembre
III Concurso de Relatos “Comarca del Maestrazgo”26 de septiembre
I Premio de Ensayo Histórico “Ciudad de Cehegín”30 de septiembre
Premio de Fotografía Unión Latina-Martin Chambi 200830 de septiembre
IV Certamen Bienal Internacional de Pintura y Fotografía “Paco Luna”15 de octubre
VIII Premio Internacional de Relato Corto “Encarna León”25 de noviembre
Concurso Novela Corta 2009 “Julio Ramón Ribeyro” (Perú)30 de diciembre
Premio Internacional para el Desarrollo Social de la Información31 de diciembre
Feira do Livro
Maddie
Parvo, sem dúvida. Porque é que também eu não escrevo um livro sobre a Maddie? Eu digo-vos: por respeito à Maddie, à custa de quem jamais faria dinheiro.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Leituras Silenciosas - Bagão Félix

Ontem, salvo erro, ouço com espanto, no final de um telejornal qualquer, o jornalista de serviço a apresentar/ apregoar livro de contos acabado de sair!!! Exclamações muitas! Olá, repercussões da polémica em torno da feira do livro? Qual quê. Autor: Bagão Félix. Tudo se esclarece: é político, ou foi, ora aí está instituído a autor com honras (únicas) de (ex)citação em telejornal, para mais em horário dito nobre. Este jornalismo «amigo» e «companheiro» é algo que me tira do sério. Mas, dando o benefício da dúvida, fui ver. Hoje, depois do jantar, tomo café com a reunião de 22 contos do autor, a aquilatar do seu valor literário. Título: «O Cacto e a Rosa». Editora: Sextante. Sextante, de João Rodrigues, ex-editor da Dom Quixote, chancela que já editou escritores como Abel Neves, Júlia Nery, Filomena Marona Beja, Teolinda Gersão ou Jaime Rocha. Vinco: escritores. Ora, ao Cacto e à Rosa. Eu confesso, li os primeiros quatro, cinco contos. Bastou-me. Para: perceber que Bagão não fosse quem é jamais publicaria estes contos; perceber que está lá uma frustre tentativa filosofante de cariz teológico-desportivo-existencialista; perceber, enfim, que o mundo está cheio de amigos... Mas esta escrita é muito má. Falta-lhe mão, falta-lhe ficção. E falta revisão editorial para dizer ao autor que dificilmente um relógio tem um ar «empertigado», adjectivo pelo qual Bagão parece nutrir especial apreço. Falta revisão editorial para dizer ao autor que literatura não é andar constantemente à volta de jogos do género: «O Henrique em mudança? Ou a mudança do Henrique?» ou «Agora desaparecido, via-se, nítida, a presença da ausência.» Falta revisão editorial para dizer ao autor que frases como estas soam mal e são de construção débil: «A rota da vida havia-os afastado entre dois continentes»; ou: «Uma minudência do quotidiano impulsionou-os para o subconsciente do calor de uma nova polémica». Falta revisão editorial para dizer ao autor que não se escreve «onde trabalhava há vinte anos», mas sim «... havia vinte anos» (erro recorrente). Falta revisão editorial para dizer ao autor que frases como «reencontro feito de desencontros» são mais do que banais e pueris. Falta revisão editorial para dizer ao autor que em vez de «um quartel de século» se deveria antes escrever «um quarto de século». Falta revisão editorial para dizer ao autor que frases como aquela adiante transcrita, do conto «Amizade», são dignas de um qualquer boletim pastoral ou jornal de paróquia: «Amigos e tão diferentes de cada um e do outro antes de cada um se ter transformado no outro. Uma amizade bela, pura e resistente. Verdadeira!» - a exclamação, deliciosa, é do autor. Falta revisão editorial para dizer ao autor que não há literatura em declarações de subterrâneo moralismo presente em frases como aquelas que encontramos em abundância no conto «E depois da morte»: «Porque a demanda de Deus faz parte da mesma necessidade de compreender para aceitar e de aceitar para compreender.» Falta revisão editorial para dizer ao autor que a sua personagem Júlio, do conto «A Solução», dificilmente se credibiliza à luz de factos como: é um cangalheiro que desde tenra idade percebeu que só poderia seguir as pegadas do pai, o mesmo almocreve de quem depois se diz correr-lhe nas veias «sangue de empreendedor», e o mesmo oficial da morte que, vem a saber-se, é perito em questões internacionais, nomeadamente um «estudioso da história dos Balcãs» e que até chegou a tirar o primeiro ano de um curso qualquer de Gestão!!! - e aqui as exclamações são minhas. E mais não li, que o tempo de leitura é de ouro. Resumindo, não fosse o benfiquismo que perpassa por um ou outro texto e qualquer um de nós poderia pensar que o Papa tivesse dado em escritor. Eu, confesso, de João Rodrigues esperava muito mais exigência. Que Leonor Pinhão, amiga de sempre, teça loas e passe a mão pelo lombo do amigo benfiquista, ainda se percebe... Uma coisa concedo, na fotografia está com ar de autor.
Bastonadas na inteligência...

O arrivista e espaventoso bastonário dos advogados, Marinho Pinto, voltou a dar ares da sua graça. Depois de ter ido visitar à prisão o estimável líder das hostes saudosas do terceiro reich, agora lembrou-se de declarar, em plena Assembleia da República, que a violência doméstica deveria deixar de ser crime público. Marinho Pinto di-lo com ar de mão pesada, e di-lo com uma ligeireza que aflige vindo de quem vem. Que saudades de Rogério Alves!
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Fumar Não Fumar

Eu compreendo Sócrates, pois se ele também, na história do diploma de curso, não se lembrava de quem tinham sido os seus professores, como haveria agora de se lembrar que não se pode fumar em aviões! Ó meus amigos, ainda por cima estamos a falar numa viagem de longo curso... Digamos que os cursos causam certo dano à memória do nosso primeiro!
Indignações Indagações
O cardeal português José Saraiva Martins, indignava-se por estes dias, em entrevista à Imprensa, com a opulência que varre o mundo e as sociedades contemporâneas e com a fome que grassa no planeta. Ao ler as suas declarações não deixei de me lembrar dos custos astronómicos a que ascendeu a construção da nova catedral de Fátima... Pergunto, por exemplo, quantos hospitais poderiam ter sido construídos com esse dinheiro? Pergunto, por exemplo, quantos armazéns de luta contra a fome poderiam ter sido enchidos e durante quanto tempo? E, por exemplo, preferiria um crente, em caso de doença grave, tratar-se no altar de Fátima ou num hospital rodeado de excelentes médicos? Falava, pois, o Cardeal de uma «realidade triste, vergonhosa, onde morrem milhões de irmãos à fome»... Enquanto outros nadam em dinheiro! Tem toda a razão. Este ano não fui a Fátima, mas amanhã publicarei aqui fotografia do estipêndio das missas locais, e muita curiosidade tenho em saber se os preços das preces acompanharam a inflação ou se, pelo contrário, tiveram de ser aumentados por causa do aumento do preço do «crude» nos mercados religiosos internacionais... Crudes, perdão, cruzes canhoto! Tudo isto enquanto gente crescida anda desesperadamente à procura de um milagre para justificar a santidade de dois jovens e inocentes pastores, que é como quem diz para justificar a elevação de Fátima a santuário de topo do turismo religioso, ou seja, à insituição da fé enquanto máquina de fazer dinheiro. Que seja. Seria contudo interessante é que a Igreja fosse obrigada a revelar pública e anualmente um relatório de contas, tal como qualquer outra grande empresa. E, já agora, impostos, pagam-se? E facturas, passam-se?
Outros Silêncios
«Um corpo que se move e que gesticula é um dos mais poderosos meios de experimentar o silêncio».
«Eu associo muito o silêncio à imagem de uma janela, melhor, à experiência de uma mão que toca numa janela».
«O silêncio é quase o invólucro do rumor».
«Eu associo muito o silêncio à imagem de uma janela, melhor, à experiência de uma mão que toca numa janela».
«O silêncio é quase o invólucro do rumor».
Né Barros, «Pretextos»
Silence Music Box - Divino Sospiro

O Divino Sospiro em Lisboa: Duplo concerto para violino e viola da gamba de Graun, revelando as qualidades tímbricas únicas deste instrumento que, nas mãos de Vittorio Ghielmi, adquire um virtuosismo e uma dinâmica surpreendentes. Acrescem duas peças instrumentais de grande impacto: a Abertura de Telemann, «La Putain», e a sinfonia para cordas de Carl Philipp Emanuel Bach, um dos testes mais difíceis para uma orquestra barroca. No meio do programa, um pequeno intermezzo para ouvir “a solo” a «voz» da viola da gamba.
Centro Cultural de Belém, Lisboa
24 de Maio, 19h00
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