domingo, 11 de novembro de 2007
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Dirty Diana - Um terrível conto de terror VI
6. não fosse a sua cara de cu
Meia noite e picos, portanto. Diana, já dirty depois da sua primeira malvadez, ainda para mais cometida sobre uma pobre enfermeira que o pior que tinha feito na vida era cobiçar para marido um dos médicos com quem diariamente se cruzava, avança, em pezinhos de lã pelo seu quarto, já vestida com a bata branca que surripiara à desdita enfermeira. Toda controlo e contenção de emoções, abre a porta do quarto deparando-se com a primeira prova de fogo da sua fuga: os agentes policiais que ali circunstanciavam em amena cavaqueira, ora sobre os jogos da quarta-feira europeia dessa noite (que é quando as putas fazem folga), ora sobre a mais recente casa de putas aberta na Cidade-Luz (onde não falta jogador de bola que se preze e tenha em imagem de garanhão). Conversa diversificada, está de ver.
Lampeira e tentando agir com a máxima naturalidade, Diana abre a porta, mantendo o olhar ligeiramente descaído para o chão. Os agentes, é claro, debicam-na logo com os olhares gulosos, havendo mesmo um que não se tem e arrisca uma apalpadela, após o que sorri, a meia haste, batendo, à garanhão, com o dedo do meio da mão direita na pala da boina. Mal sabendo que apalpava a princesa e não uma reles enfermeira! Ao sentir o aperto na nádega, Dirty Diana sente subir-lhe o sangue às têmporas, aperta os punhos já com os nervos fervendo e os músculos eriçados, mas contém-se a tempo de não se voltar para o libidinoso agente e arrear-lhe valente tabefe na fronha. Tabefe que o mais natural é que encomendasse o gendarmezito desta para as alturas, pois outra das transformações que o corpo da princesa sofrera, e que ela estava também prestes a descobrir, é que se tornara imensamente forte. Assim mesmo, tal qual os vampiros ou os lobisomens que se dizem ter a força de dez homens fortes juntos!
Mas Diana conteve-se, a bem da sua bem sucedida fuga. Não esqueceu foi o ultraje da apalpadela, coisa que só experimentara pela mão do seu Dodi - e essas sabiam-lhe bem melhor. De modo que, a fim de descarregar o stress da situação, até porque já chegara ao exterior, ao passar por um cigano que lhe atira um piropo mais não lhe regateia senão um soco no meio dos olhos. O efeito surpresa da sua reacção, dir-se-ia, somou a seu favor, pois a restante comunidade cigana ficou estupefacta e nem se lembrou de sacar das naifas. Quando o fez, já Diana tinha desaparecido do mapa. Desaparecia num táxi que a levava rumo ao coração de Paris. Dirty Diana preparava-se para gozar a vida como nunca pudera fazer. E uma vez que, como ouvira nas televisões e lera nos jornais e revistas, todos a davam como morta, pois que assim fosse, tanto melhor, mais facilmente a sua semelhança consigo própria não passaria, aos olhos dos outros, disso mesmo: uma curiosa semelhança física para com a malograda princesa. Na verdade, como ouviria de alguns bêbados em bares de terceira categoria, não fosse a sua cara de cu e seriam capazes de apostar que era Sua falecida Alteza. Dos que tiveram o azar de fazer tal comentário, nenhum viveu para contar o que depois se passou, e a nós, valha a verdade, também não nos apetece estar a relatar a sangria que aquilo foi... Esta Diana não estava para graçolas.
Acto contínuo, estando em Paris, Dirty Diana decidiu divertir-se à grande e à francesa; coisa que nunca fica bem a uma princesa inglesa. A triste realidade é que optou por fazê-lo porque ao saber da morte de Dodi ficou completamente de rastos e inconsolável. Nem que o Brad Pitt a tomasse nos braços, nem mesmo que George Clooney a quisesse animar tomando-lhe a cabeça junto ao farfalhudo peito, não havia maneira de recompor a princesa. Melhor, havia: a alternativa clássica do álcool. So sad, diriam os seus patrícios, mas é a verdade, e vale que Diana, traumatizada, não voltaria tão cedo a arriscar-se ao volante de um carro, sobretudo se fosse um Mercedes. Deste modo, ao longo dos dias, foi vivendo a princesa, vivendo para esquecer o seu desgosto. Mas à medida que o tentava fazer mais aumentava o seu desejo de vingança.
O dinheiro não constituiu um problema para Diana, pois consigo detinha ainda o cartão de crédito real, que ninguém em Buckingham mandara cancelar, não fosse a Imprensa armar um escabeche por causa disso. No banco também ninguém suspeitou de nada, até porque a conta estava em nome de Diana e de Carlos, podendo os dois fazer movimentações. Não haveria pois qualquer problema, desde que Diana se confinasse aos levantamentos em ATM e fizesse pagamentos em cash, sem assinar o que quer que fosse. De modo que Dirty Diana se instalou nos melhores hotéis parisienses, almoçou nos melhores restaurantes, vestiu nas melhores lojas. E à medida que descansava e recuperava fisicamente, que enchia a barriguinha, que vestia do bom e do melhor, ia congeminando a sua lista de «vítimas» a abater, assim Nosso Senhor a ajudasse nessa nobre tarefa de vingar os seus dias sofridos e a morte do seu Dodi. Que era um doidivanas, ela sabia, um maroto de um árabe mimado pela fortuna do pai, mas ainda assim era o seu Dodi e Dodis como aquele não se arranjam por aí todos os dias, ou então o mundo estaria pejado de princesas.
Meia noite e picos, portanto. Diana, já dirty depois da sua primeira malvadez, ainda para mais cometida sobre uma pobre enfermeira que o pior que tinha feito na vida era cobiçar para marido um dos médicos com quem diariamente se cruzava, avança, em pezinhos de lã pelo seu quarto, já vestida com a bata branca que surripiara à desdita enfermeira. Toda controlo e contenção de emoções, abre a porta do quarto deparando-se com a primeira prova de fogo da sua fuga: os agentes policiais que ali circunstanciavam em amena cavaqueira, ora sobre os jogos da quarta-feira europeia dessa noite (que é quando as putas fazem folga), ora sobre a mais recente casa de putas aberta na Cidade-Luz (onde não falta jogador de bola que se preze e tenha em imagem de garanhão). Conversa diversificada, está de ver.
Lampeira e tentando agir com a máxima naturalidade, Diana abre a porta, mantendo o olhar ligeiramente descaído para o chão. Os agentes, é claro, debicam-na logo com os olhares gulosos, havendo mesmo um que não se tem e arrisca uma apalpadela, após o que sorri, a meia haste, batendo, à garanhão, com o dedo do meio da mão direita na pala da boina. Mal sabendo que apalpava a princesa e não uma reles enfermeira! Ao sentir o aperto na nádega, Dirty Diana sente subir-lhe o sangue às têmporas, aperta os punhos já com os nervos fervendo e os músculos eriçados, mas contém-se a tempo de não se voltar para o libidinoso agente e arrear-lhe valente tabefe na fronha. Tabefe que o mais natural é que encomendasse o gendarmezito desta para as alturas, pois outra das transformações que o corpo da princesa sofrera, e que ela estava também prestes a descobrir, é que se tornara imensamente forte. Assim mesmo, tal qual os vampiros ou os lobisomens que se dizem ter a força de dez homens fortes juntos!
Mas Diana conteve-se, a bem da sua bem sucedida fuga. Não esqueceu foi o ultraje da apalpadela, coisa que só experimentara pela mão do seu Dodi - e essas sabiam-lhe bem melhor. De modo que, a fim de descarregar o stress da situação, até porque já chegara ao exterior, ao passar por um cigano que lhe atira um piropo mais não lhe regateia senão um soco no meio dos olhos. O efeito surpresa da sua reacção, dir-se-ia, somou a seu favor, pois a restante comunidade cigana ficou estupefacta e nem se lembrou de sacar das naifas. Quando o fez, já Diana tinha desaparecido do mapa. Desaparecia num táxi que a levava rumo ao coração de Paris. Dirty Diana preparava-se para gozar a vida como nunca pudera fazer. E uma vez que, como ouvira nas televisões e lera nos jornais e revistas, todos a davam como morta, pois que assim fosse, tanto melhor, mais facilmente a sua semelhança consigo própria não passaria, aos olhos dos outros, disso mesmo: uma curiosa semelhança física para com a malograda princesa. Na verdade, como ouviria de alguns bêbados em bares de terceira categoria, não fosse a sua cara de cu e seriam capazes de apostar que era Sua falecida Alteza. Dos que tiveram o azar de fazer tal comentário, nenhum viveu para contar o que depois se passou, e a nós, valha a verdade, também não nos apetece estar a relatar a sangria que aquilo foi... Esta Diana não estava para graçolas.
Acto contínuo, estando em Paris, Dirty Diana decidiu divertir-se à grande e à francesa; coisa que nunca fica bem a uma princesa inglesa. A triste realidade é que optou por fazê-lo porque ao saber da morte de Dodi ficou completamente de rastos e inconsolável. Nem que o Brad Pitt a tomasse nos braços, nem mesmo que George Clooney a quisesse animar tomando-lhe a cabeça junto ao farfalhudo peito, não havia maneira de recompor a princesa. Melhor, havia: a alternativa clássica do álcool. So sad, diriam os seus patrícios, mas é a verdade, e vale que Diana, traumatizada, não voltaria tão cedo a arriscar-se ao volante de um carro, sobretudo se fosse um Mercedes. Deste modo, ao longo dos dias, foi vivendo a princesa, vivendo para esquecer o seu desgosto. Mas à medida que o tentava fazer mais aumentava o seu desejo de vingança.
O dinheiro não constituiu um problema para Diana, pois consigo detinha ainda o cartão de crédito real, que ninguém em Buckingham mandara cancelar, não fosse a Imprensa armar um escabeche por causa disso. No banco também ninguém suspeitou de nada, até porque a conta estava em nome de Diana e de Carlos, podendo os dois fazer movimentações. Não haveria pois qualquer problema, desde que Diana se confinasse aos levantamentos em ATM e fizesse pagamentos em cash, sem assinar o que quer que fosse. De modo que Dirty Diana se instalou nos melhores hotéis parisienses, almoçou nos melhores restaurantes, vestiu nas melhores lojas. E à medida que descansava e recuperava fisicamente, que enchia a barriguinha, que vestia do bom e do melhor, ia congeminando a sua lista de «vítimas» a abater, assim Nosso Senhor a ajudasse nessa nobre tarefa de vingar os seus dias sofridos e a morte do seu Dodi. Que era um doidivanas, ela sabia, um maroto de um árabe mimado pela fortuna do pai, mas ainda assim era o seu Dodi e Dodis como aquele não se arranjam por aí todos os dias, ou então o mundo estaria pejado de princesas.
Sem Respirar - No Onda curta
Futuro próximo: Bruno tenta reconquistar Isabel, a sua ex-mulher. Pressionada pela sua mãe autoritária e por Jorge, o seu novo e imposto namorado, Isabel apresenta queixa por assédio contra Bruno. Bruno é julgado e condenado. É-lhe colocado um implante na garganta, que o sufocará sempre que se aproxime menos de 100 metros de Isabel. Mas Bruno não desiste. Apesar dos avisos de Miguel, o seu melhor amigo, Bruno começa os treinos para resistir mais tempo sem respirar. O argumento, genial, é de Filipe Homem Fonseca, a realização da curta-metragem é de Pedro Brito. «Sem Respirar», de 2004, (Animação 2 D) passa este fim-de-semana (domingo) no Onda Curta da RTP2. A não perder.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
O Problema dos Domingos
«Em especial aos domingos
quando ninguém está em casa
aí por finais de Junho
subo então ao terraço
para perceber além dos muros
a cidade silenciosa.»
quando ninguém está em casa
aí por finais de Junho
subo então ao terraço
para perceber além dos muros
a cidade silenciosa.»
Tonino Guerra, «Histórias para Uma Noite de Calmaria», Assírio & Alvim
Panda
Interpol
Pois eu gostei do início, bocejei pelo meio, acordei para o fim. E confirmei que a força maior dos nova-iorquinos Interpol não está em palco, reside mais no som em disco. E não tanto por defeito, mais por falta de vontade. Sobretudo do introspectivo Paul Banks, algo monocórdico, por vezes distorcido por riffs estridentes, e nem sempre salvo pelo mais enérgico Kessler, nas guitarras. Infelizmente, perdi a actução dos Blonde Redhead, cujo álbum «23» me acompanhou até ao Algarve o Verão passado.
Interdisciplinaridade

«Electricidade Estática» ou, de outro modo, várias áreas de criação no mesmo palco: o músico Paulo Furtado, vulgo Legendary Tiger Man, os artistas plásticos João Louro e Julião Sarmento e o arquitecto João Luís Carrilho da Graça. Tudo tendo por mote o filme "One Plus One" de Jean Luc Godard (1968), que filmou os Rolling Stones em estúdio a gravar o famoso álbum "Sympathy for the Devil". Para aferir do grau da tão propalada interdisciplinaridade. Daqui a bocado, no âmbito do Festival Temps D'Image.
Expo Rimas de Inventar
De como Afrodite aproxima os deuses da humana condição

Apolo - De que é que estás a rir-te, Hermes?
Hermes - É que vi umas coisas muito engraçadas, Apolo.
Apolo - Então conta, para que depois de ouvir, eu possa também rir-me contigo.
Hermes - Afrodite foi apanhada na cama com Ares e Hefestos agarrou-os e prendeu-os.
Apolo - Como?! Ora, parece que vais contar algo interessante!
Luciano de Samósata, «Diálogos dos Deuses», Europa-América
Dirty Diana - Um Terrível Conto de Terror V Capítulo
5. a desditosa la sallette
O que a Rainha não sabia, e disso não fora informada, era acerca da tal impressão que um dos médicos surpreendera no brilho do olhar da nova Diana. Não era um daqueles brilhos cristalinos, melosos e chorosos, de princesa em visita a campos de refugiados, um brilho de lágrima no canto do olho, mas antes um brilho, como dizer... acutilante, vibrante, um brilho de diamante tocado pela luz do sol. Digamos, uma jactância de luz. Um raio vituperino, febril e seco, cortando como se de uma tesoura sobre papel se tratasse.
«O raio que a parta», disse para o colega uma enfermeira que a custo administrara uma injecção à princesa, para que melhor repousasse e, se possível, sem dores – coisa, de resto, a que príncipes e princesas devem ser subtraídos. Porém, por aquela altura, e três dias tinham passado sobre a fatídica noite do acidente, Diana estava já mais desperta do que um nabo e pronta, prontinha a ir-se dali embora. Como não era tonta, malgrado o seu ar de sonsa o fizesse crer, Diana, reconstruída e refeita do choque sofrido, apercebeu-se que tão cedo não a deixariam sair do hospital. E logo ali congeminou projectos de fuga. Coisa que se mostrava vir a ser mais difícil do que Dustin Hoffman escapar da Ilha do Diabo, ou Clint Eastwood de Alcatraz, pois no hall em frente ao quarto onde se encontrava, apercebia-se de que um grande aparato policial tinha assentado praça. Ora, polícia e mais polícia, não foi fácil à princesa juntar dois mais dois (e muitos mais agentes havia para juntar se necessário fosse, porque aos MI5 se juntavam as tropas da gendarmerie) e chegar à conclusão de que ali havia mão da sogra. O que nada de bom prenunciava.
Mas se qualquer dúvida restava na cabeça da outrora bela princesa acerca das intenções da sogra, secretas e afins, logo elas se dissiparam, no que respeita às suas intenções de fuga, quando certa manhã, ao olhar pela pequena janelinha da porta do seu quarto, vislumbrou uma orelha enorme! Assustada com a ideia de voltar a rever o seu esposo, foi nesse exacto momento que Diana tomou a decisão de fugir do hospital nessa mesma noite. Foi uma decisão que no seu íntimo acatou com uma dor no coração, não pela decisão em si, mas pelo facto de a ter tomado ao ver as orelhas de Carlos, o que no imediato a fez lembrar-se das orelhinhas de Dodi e das lambidelas sussurradas com que as costumava presentear – sem suspeitar, claro está, de que na noite do acidente um cão malvado se alambazara a uma delas qual repasto das Arábias.
Durante o resto do dia Diana fingiu-se sonolenta. Matreira até dizer basta, qual Zeus travestido a cisne seduzindo Leda, Diana evitou assim mais visitas e conversas. À meia-noite (e foi mesmo a essa hora, garante o escritor – eu – que não se trata de expediente useiro e vezeiro em matéria de horários no género literário do terror), porque era essa a hora em que a enfermeira La Salette a vinha ver pela última vez, Diana pôs o seu plano de fuga em prática. Nada de especial. Quando La Salette aproximou a cara da sua, a ver se ela respirava normalmente, Diana puxou rapidamente o tubo do soro que lhe pendia sobre o ombro esquerdo e enrolou-o ao pescoço da desditosa La Salette.
Depois de bem apertar e esperar uns três minutos, para se certificar de que não tinha falhado, e experimentando um estranho gozo ou prazer pelo feito havido, não resistiu a pegar num bisturi ali deixado por incúria e lembrou-se de deixar a sua marca em La Salette; assinando na testa da enfermeira: «DDT». Seria aquela a sua imagem de marca – ali mesmo escolhida, no momento, a laivos de pura inspiração –, a imagem que deixaria nas suas vítimas. Agradava-lhe a ideia: tinha em tempos visto uns filmes de terror com o seu príncipe de Gales (naturalmente que nunca com a cabeça encostada à dele, porque assim nada veria...) e notara que era habitual os assassinos deixarem a sua marca no local do crime ou, no caso, nas suas vítimas.
Nem mais. Se o leitor ainda não reparou, aqui o estatuo sem subterfúgios estilísticos ou mais redundâncias: Diana já não era a mansa e piedosa Diana de antigamente, aquela princesinha de algodão amiga de cantores maricosos a cantar ao piano e concorrente número 1 a santa, rivalizando à altura com a piedosa Madre Teresa das Índias. Ela era agora a perigosa Dirty Diana, nome de guerra que adoptara para vingar as agruras do passado e sentenciar todos aqueles que a tinham feito passar as passas do inferno e, vistas as coisas, perder o seu Dodi. Ah!... Pois, pois claro, tem razão o leitor atento: o T. Sim, o T de DDT. DD, está de ver, é para Dirty Diana, o T... bem, o T, confesso, é só para disfarce. Uma artimanha inventada pela princesa para despistar os polícias incautos. Tanto mais que, se se visse bem, coisa que aqui ao computador não consigo fazer, o T que a princesa assinava não era um T como este, mas antes um T com a perna central elevada ligeiramente acima do travessão em cima: exactamente, em forma de cruz. Uma bandida, esta nova Diana! Nem mais, é claro que, a princípio, todos pensaram estar diante de um qualquer homicida que usasse o famoso DDT (o diclorodifeniltrocoloretano) para exterminar as suas vítimas... Grande matreira! Porquê Dirty Diana? Primeiro, em tributo a um dos seus cantores favoritos, Michael Jackson, naturalmente glosando a canção homónima onde gritava, histérico, justamente esse «Dirty Diana». Depois, porque a nova Diana estava disposta a ser mesmo Dirty.
O que a Rainha não sabia, e disso não fora informada, era acerca da tal impressão que um dos médicos surpreendera no brilho do olhar da nova Diana. Não era um daqueles brilhos cristalinos, melosos e chorosos, de princesa em visita a campos de refugiados, um brilho de lágrima no canto do olho, mas antes um brilho, como dizer... acutilante, vibrante, um brilho de diamante tocado pela luz do sol. Digamos, uma jactância de luz. Um raio vituperino, febril e seco, cortando como se de uma tesoura sobre papel se tratasse.
«O raio que a parta», disse para o colega uma enfermeira que a custo administrara uma injecção à princesa, para que melhor repousasse e, se possível, sem dores – coisa, de resto, a que príncipes e princesas devem ser subtraídos. Porém, por aquela altura, e três dias tinham passado sobre a fatídica noite do acidente, Diana estava já mais desperta do que um nabo e pronta, prontinha a ir-se dali embora. Como não era tonta, malgrado o seu ar de sonsa o fizesse crer, Diana, reconstruída e refeita do choque sofrido, apercebeu-se que tão cedo não a deixariam sair do hospital. E logo ali congeminou projectos de fuga. Coisa que se mostrava vir a ser mais difícil do que Dustin Hoffman escapar da Ilha do Diabo, ou Clint Eastwood de Alcatraz, pois no hall em frente ao quarto onde se encontrava, apercebia-se de que um grande aparato policial tinha assentado praça. Ora, polícia e mais polícia, não foi fácil à princesa juntar dois mais dois (e muitos mais agentes havia para juntar se necessário fosse, porque aos MI5 se juntavam as tropas da gendarmerie) e chegar à conclusão de que ali havia mão da sogra. O que nada de bom prenunciava.
Mas se qualquer dúvida restava na cabeça da outrora bela princesa acerca das intenções da sogra, secretas e afins, logo elas se dissiparam, no que respeita às suas intenções de fuga, quando certa manhã, ao olhar pela pequena janelinha da porta do seu quarto, vislumbrou uma orelha enorme! Assustada com a ideia de voltar a rever o seu esposo, foi nesse exacto momento que Diana tomou a decisão de fugir do hospital nessa mesma noite. Foi uma decisão que no seu íntimo acatou com uma dor no coração, não pela decisão em si, mas pelo facto de a ter tomado ao ver as orelhas de Carlos, o que no imediato a fez lembrar-se das orelhinhas de Dodi e das lambidelas sussurradas com que as costumava presentear – sem suspeitar, claro está, de que na noite do acidente um cão malvado se alambazara a uma delas qual repasto das Arábias.
Durante o resto do dia Diana fingiu-se sonolenta. Matreira até dizer basta, qual Zeus travestido a cisne seduzindo Leda, Diana evitou assim mais visitas e conversas. À meia-noite (e foi mesmo a essa hora, garante o escritor – eu – que não se trata de expediente useiro e vezeiro em matéria de horários no género literário do terror), porque era essa a hora em que a enfermeira La Salette a vinha ver pela última vez, Diana pôs o seu plano de fuga em prática. Nada de especial. Quando La Salette aproximou a cara da sua, a ver se ela respirava normalmente, Diana puxou rapidamente o tubo do soro que lhe pendia sobre o ombro esquerdo e enrolou-o ao pescoço da desditosa La Salette.
Depois de bem apertar e esperar uns três minutos, para se certificar de que não tinha falhado, e experimentando um estranho gozo ou prazer pelo feito havido, não resistiu a pegar num bisturi ali deixado por incúria e lembrou-se de deixar a sua marca em La Salette; assinando na testa da enfermeira: «DDT». Seria aquela a sua imagem de marca – ali mesmo escolhida, no momento, a laivos de pura inspiração –, a imagem que deixaria nas suas vítimas. Agradava-lhe a ideia: tinha em tempos visto uns filmes de terror com o seu príncipe de Gales (naturalmente que nunca com a cabeça encostada à dele, porque assim nada veria...) e notara que era habitual os assassinos deixarem a sua marca no local do crime ou, no caso, nas suas vítimas.
Nem mais. Se o leitor ainda não reparou, aqui o estatuo sem subterfúgios estilísticos ou mais redundâncias: Diana já não era a mansa e piedosa Diana de antigamente, aquela princesinha de algodão amiga de cantores maricosos a cantar ao piano e concorrente número 1 a santa, rivalizando à altura com a piedosa Madre Teresa das Índias. Ela era agora a perigosa Dirty Diana, nome de guerra que adoptara para vingar as agruras do passado e sentenciar todos aqueles que a tinham feito passar as passas do inferno e, vistas as coisas, perder o seu Dodi. Ah!... Pois, pois claro, tem razão o leitor atento: o T. Sim, o T de DDT. DD, está de ver, é para Dirty Diana, o T... bem, o T, confesso, é só para disfarce. Uma artimanha inventada pela princesa para despistar os polícias incautos. Tanto mais que, se se visse bem, coisa que aqui ao computador não consigo fazer, o T que a princesa assinava não era um T como este, mas antes um T com a perna central elevada ligeiramente acima do travessão em cima: exactamente, em forma de cruz. Uma bandida, esta nova Diana! Nem mais, é claro que, a princípio, todos pensaram estar diante de um qualquer homicida que usasse o famoso DDT (o diclorodifeniltrocoloretano) para exterminar as suas vítimas... Grande matreira! Porquê Dirty Diana? Primeiro, em tributo a um dos seus cantores favoritos, Michael Jackson, naturalmente glosando a canção homónima onde gritava, histérico, justamente esse «Dirty Diana». Depois, porque a nova Diana estava disposta a ser mesmo Dirty.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Dirty Diana - Um terrível conto de terror IV Capítulo
4. uma safadeza
«Vamos por partes», disse o inspector Jack, agente especial enviado em caça ultra-sónico até à capital francesa para se pôr ao corrente das informações, estabelecendo ponte directa com as autoridades reais em Londres. Mas era em vão que tentava acalmar a Imprensa, que disparava perguntas a torto e a direito. Jack estava bem informado. Tinha uma espécie de telefone vermelho ligado ao hospital, de onde a todo o momento recebia informações sobre a evolução do estado da princesa, e era com esses dados que jogava na diplomacia noticiosa. Sobretudo com muito jogo de ancas, como se mostrava necessário. O dito jogo dava-lhe um certo ar amaricado, por causa da estória das ancas, é bem verdade, mas não menos o é o à-vontade com que lidava com a pressão. E se a princípio, à falta de instruções superiores sobre como proceder, foi entretendo o caso e a classe jornalista com derivações, escusando-se a pronunciar-se sobre o estado de saúde da princesa, não demorou muito tempo até que anunciasse o óbito.
Claro. Claro que a princesa não morreu. Não, não estou aqui armado em escritor para enganar ninguém, se bem que é bem sabido que a literatura me conceda liberdades para tal. O que se passou foi que a conselho vinculativo, e não sujeito a apelação superior, a Rainha, ao saber dos sucessos havidos nas ruas parisienses, entrou numa espécie de euforia, na perspectiva de se livrar de vez da querida nora... Não o querendo fazer transparecer, não obstou a que, sabendo das notícias, um sorriso mefistofélico se lhe rasgasse a meia haste nas ventas hipócritas. Sucede que com o passar das horas veio a saber que, afinal, a nora não tinha falecido e que parecia agarrar-se à vida com quantas forças lhe restavam – «O povinho é tão teimoso», suspirou entre dentes. E face aos novos dados decidiu: se a morte não a matara pois que ela à morte se substituía e mandava «matá-la», quer dizer, apagá-la, ou rasurá-la, ou... sei lá, decida aqui o leitor o termo mais apropriado.
Resumindo, para todos os efeitos, e já que já todos pensavam que Diana estava morta, pois que isso mesmo seria oficializado. Era como já ter o código postal no sobrescrito, a primeira parte do trabalho estava feita, certamente a desígnios do Altíssimo, e se assim era estranho é que a Diana se tivesse safado como se safou. Uma safadeza, pois claro! E foram essas as instruções a que a Rainha deu seguimento e alforria para Paris: «Obviamente, confirme-se a morte.» E mais: que no Hospital ninguém falasse, que as secretas britânica e gaulesas, em conjunto e em conluio, garantissem que assim seria. Se Diana sobrevivera, tanto melhor para ela, o povo é que não precisava de o saber; até porque, disse a maléfica rainha de si para consigo, quem é que vai querer para sua princesa uma princesa desfigurada e com cara de cu (rumores que já lhe tinham chegado ao nariz, como se subentende)?!... Assim o pensou, assim se fez e as secretas trataram de tudo com os governos respectivos.
No mais, a morte da princesa possibilitava a emergência de negócios incalculáveis, logo mais-valias para a economia; o povo iria fartar-se de choramingar mas não deixaria de se babar todo com os negócios do caso advenientes: velas, ursinhos de pelúcia, T-shirts com a cara de Diana, pins e crachás para todos os gostos, livros, postais, missas a estipêndios inflaccionados, flores, santos e santinhas, etc. E isto já para não esquecer o brado e indignação em torno dos paparazzi. Haveria muito sobre o que opinar e verter lágrimas. E a verdade é que mal se soube do sucedido, por todo o lado se deram ordens de fabrico e compra para toda esta parafernália de objectos. Dias depois, já as unidades industriais tinham as máquinas a rodar, o mercado entrara em ebulição de um dia para o outro. E convenhamos: haverá algo mais rentável do que a morte de uma princesa? Em acidente automóvel? Em Paris? Com o seu amante? Num Mercedes? Pas de tout! Ia-se a ver e bem visto a Rainha haveria de ter razão – se uma Mãe tem sempre razão, quanto mais uma Rainha mãe...
Era preciso era ter Diana morta como dado adquirido. Portanto, havia que não dar nas vistas em torno do Hospital onde ela recuperava, havia que mantê-la debaixo de olho, vigiar os seus passos e depois tratar de lhe traçar destino, longe dos olhares do povo e do mundo. Coisa de somenos para a Secreta britânica. Bastava pôr um ou dois agentes do MI5 na sua sombra, vinte e quatro horas por dia até ao fim dos seus dias. Nada de novo no historial da prestimosa secreta, bastando lembrar que andaram no rasto de George Orwell durante vinte anos a fio.
«Vamos por partes», disse o inspector Jack, agente especial enviado em caça ultra-sónico até à capital francesa para se pôr ao corrente das informações, estabelecendo ponte directa com as autoridades reais em Londres. Mas era em vão que tentava acalmar a Imprensa, que disparava perguntas a torto e a direito. Jack estava bem informado. Tinha uma espécie de telefone vermelho ligado ao hospital, de onde a todo o momento recebia informações sobre a evolução do estado da princesa, e era com esses dados que jogava na diplomacia noticiosa. Sobretudo com muito jogo de ancas, como se mostrava necessário. O dito jogo dava-lhe um certo ar amaricado, por causa da estória das ancas, é bem verdade, mas não menos o é o à-vontade com que lidava com a pressão. E se a princípio, à falta de instruções superiores sobre como proceder, foi entretendo o caso e a classe jornalista com derivações, escusando-se a pronunciar-se sobre o estado de saúde da princesa, não demorou muito tempo até que anunciasse o óbito.
Claro. Claro que a princesa não morreu. Não, não estou aqui armado em escritor para enganar ninguém, se bem que é bem sabido que a literatura me conceda liberdades para tal. O que se passou foi que a conselho vinculativo, e não sujeito a apelação superior, a Rainha, ao saber dos sucessos havidos nas ruas parisienses, entrou numa espécie de euforia, na perspectiva de se livrar de vez da querida nora... Não o querendo fazer transparecer, não obstou a que, sabendo das notícias, um sorriso mefistofélico se lhe rasgasse a meia haste nas ventas hipócritas. Sucede que com o passar das horas veio a saber que, afinal, a nora não tinha falecido e que parecia agarrar-se à vida com quantas forças lhe restavam – «O povinho é tão teimoso», suspirou entre dentes. E face aos novos dados decidiu: se a morte não a matara pois que ela à morte se substituía e mandava «matá-la», quer dizer, apagá-la, ou rasurá-la, ou... sei lá, decida aqui o leitor o termo mais apropriado.
Resumindo, para todos os efeitos, e já que já todos pensavam que Diana estava morta, pois que isso mesmo seria oficializado. Era como já ter o código postal no sobrescrito, a primeira parte do trabalho estava feita, certamente a desígnios do Altíssimo, e se assim era estranho é que a Diana se tivesse safado como se safou. Uma safadeza, pois claro! E foram essas as instruções a que a Rainha deu seguimento e alforria para Paris: «Obviamente, confirme-se a morte.» E mais: que no Hospital ninguém falasse, que as secretas britânica e gaulesas, em conjunto e em conluio, garantissem que assim seria. Se Diana sobrevivera, tanto melhor para ela, o povo é que não precisava de o saber; até porque, disse a maléfica rainha de si para consigo, quem é que vai querer para sua princesa uma princesa desfigurada e com cara de cu (rumores que já lhe tinham chegado ao nariz, como se subentende)?!... Assim o pensou, assim se fez e as secretas trataram de tudo com os governos respectivos.
No mais, a morte da princesa possibilitava a emergência de negócios incalculáveis, logo mais-valias para a economia; o povo iria fartar-se de choramingar mas não deixaria de se babar todo com os negócios do caso advenientes: velas, ursinhos de pelúcia, T-shirts com a cara de Diana, pins e crachás para todos os gostos, livros, postais, missas a estipêndios inflaccionados, flores, santos e santinhas, etc. E isto já para não esquecer o brado e indignação em torno dos paparazzi. Haveria muito sobre o que opinar e verter lágrimas. E a verdade é que mal se soube do sucedido, por todo o lado se deram ordens de fabrico e compra para toda esta parafernália de objectos. Dias depois, já as unidades industriais tinham as máquinas a rodar, o mercado entrara em ebulição de um dia para o outro. E convenhamos: haverá algo mais rentável do que a morte de uma princesa? Em acidente automóvel? Em Paris? Com o seu amante? Num Mercedes? Pas de tout! Ia-se a ver e bem visto a Rainha haveria de ter razão – se uma Mãe tem sempre razão, quanto mais uma Rainha mãe...
Era preciso era ter Diana morta como dado adquirido. Portanto, havia que não dar nas vistas em torno do Hospital onde ela recuperava, havia que mantê-la debaixo de olho, vigiar os seus passos e depois tratar de lhe traçar destino, longe dos olhares do povo e do mundo. Coisa de somenos para a Secreta britânica. Bastava pôr um ou dois agentes do MI5 na sua sombra, vinte e quatro horas por dia até ao fim dos seus dias. Nada de novo no historial da prestimosa secreta, bastando lembrar que andaram no rasto de George Orwell durante vinte anos a fio.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Histórias Fulminantes 43
Louise era tão leviana que muitas vezes, depois de noites de perdição, havia quem garantisse vê-la sobrevoar a cidade com um sorriso nos lábios.
Dirty Diana - Um terrível conto de terror III Capítulo
3. um puzzle complicado
De modo que depois da primeira ambulância outras foram chegando, cada qual trazendo um pedaço encontrado aqui, outro acoli e acolá, num raio de cerca de cinquenta metros em torno do local do acidente. Não era caso para menos; com a força do embate os corpos tinham-se, por assim dizer, desmantelado em pedaços. E de modo que para os médicos cirurgiões o caso resultou num enorme e complicado puzzle. Com a garantia dos sinais vitais a funcionarem, embora sem certezas de conseguirem o milagre da salvação, o que restava do corpo ligado à maquinaria, lentamente começou a organização dos membros e pedaços de carne. Um trabalho, não há dúvidas, arqueológico – arqueologia real, está de ver. E não para qualquer um. Havia que reconhecer proveniências, determinar funções, congeminar junções, refazer formas e desenhos. Coisa para destreza de sushi man, só que ao contrário.
Diana, por conseguinte, não tinha falecido. O que, face ao estado do seu lindo corpinho – mais parecendo ter dado de caras com Jack o Estripador –, só se compreende por via de malfadada teimosia britânica que, como se vê, assiste até aos súbditos mais bonzinhos e beneméritos. O facto é que a princesa resistia –fosse talvez às custas da maquinaria, fosse por via da força que lhe instilava a lembrança do seu amante (à data desconhecia que o seu novo príncipe das arábias tinha ido desta para melhor, ficando com a cara estropiada e mais feia do que um sapo), fosse por via de intervenção de um qualquer santinho ou santinha, fosse por via do que fosse, ela resistia.
A coisa durou horas. Uma cirurgia reconstrutiva do mais delicado que se possa imaginar. Pedaço a pedaço, os médicos lá foram ensaiando uma nova Diana, porque era disso que se tratava na realidade! Porém, nem de muito se podiam queixar já que, para o efeito, contaram com a inestimável ajuda das inúmeras fotografias da princesa que se conheciam. Não, não foi sequer por malícia, ou mesmo por maldade anti-monárquica dos médicos que a trataram. Se, por um lado, a Diana que ao fim de muitas horas e suor conseguiram refazer aparentava ser quase igualzinha àquela conhecida por todos, por outro lado, só um pormenor algo desagradável os curas não conseguiram evitar; é que toda a reconstrução facial tinha sido realizada com pele do rabo da princesa. Dir-se-ia, pois, que ficara com a face um pouco para o arredondada, como dizer... com cara de cu. Nem mais. Vale que os seus lindos olhos conservavam o azulado cristalino de antigamente. No mais, notou, e bem, um dos médicos presentes - fã de sempre da princesa -, que o brilho dos seus olhos não era o mesmo de antes, e que havia naquele olhar qualquer coisa que... Que lhe fazia comichão no estômago? Que o fazia suspeitar de não sabia o quê? Isso é o que se saberá mais adiante. Por agora, fim de capítulo.
De modo que depois da primeira ambulância outras foram chegando, cada qual trazendo um pedaço encontrado aqui, outro acoli e acolá, num raio de cerca de cinquenta metros em torno do local do acidente. Não era caso para menos; com a força do embate os corpos tinham-se, por assim dizer, desmantelado em pedaços. E de modo que para os médicos cirurgiões o caso resultou num enorme e complicado puzzle. Com a garantia dos sinais vitais a funcionarem, embora sem certezas de conseguirem o milagre da salvação, o que restava do corpo ligado à maquinaria, lentamente começou a organização dos membros e pedaços de carne. Um trabalho, não há dúvidas, arqueológico – arqueologia real, está de ver. E não para qualquer um. Havia que reconhecer proveniências, determinar funções, congeminar junções, refazer formas e desenhos. Coisa para destreza de sushi man, só que ao contrário.
Diana, por conseguinte, não tinha falecido. O que, face ao estado do seu lindo corpinho – mais parecendo ter dado de caras com Jack o Estripador –, só se compreende por via de malfadada teimosia britânica que, como se vê, assiste até aos súbditos mais bonzinhos e beneméritos. O facto é que a princesa resistia –fosse talvez às custas da maquinaria, fosse por via da força que lhe instilava a lembrança do seu amante (à data desconhecia que o seu novo príncipe das arábias tinha ido desta para melhor, ficando com a cara estropiada e mais feia do que um sapo), fosse por via de intervenção de um qualquer santinho ou santinha, fosse por via do que fosse, ela resistia.
A coisa durou horas. Uma cirurgia reconstrutiva do mais delicado que se possa imaginar. Pedaço a pedaço, os médicos lá foram ensaiando uma nova Diana, porque era disso que se tratava na realidade! Porém, nem de muito se podiam queixar já que, para o efeito, contaram com a inestimável ajuda das inúmeras fotografias da princesa que se conheciam. Não, não foi sequer por malícia, ou mesmo por maldade anti-monárquica dos médicos que a trataram. Se, por um lado, a Diana que ao fim de muitas horas e suor conseguiram refazer aparentava ser quase igualzinha àquela conhecida por todos, por outro lado, só um pormenor algo desagradável os curas não conseguiram evitar; é que toda a reconstrução facial tinha sido realizada com pele do rabo da princesa. Dir-se-ia, pois, que ficara com a face um pouco para o arredondada, como dizer... com cara de cu. Nem mais. Vale que os seus lindos olhos conservavam o azulado cristalino de antigamente. No mais, notou, e bem, um dos médicos presentes - fã de sempre da princesa -, que o brilho dos seus olhos não era o mesmo de antes, e que havia naquele olhar qualquer coisa que... Que lhe fazia comichão no estômago? Que o fazia suspeitar de não sabia o quê? Isso é o que se saberá mais adiante. Por agora, fim de capítulo.
Outros Silêncios
«O silêncio é como um vinho raro que precisa de ser saboreado antes de ser quebrado...»
Rhys Hughes, «A Sereia de Curitiba», Livros de Areia
Rhys Hughes, «A Sereia de Curitiba», Livros de Areia
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
O sacana do Barthes
«Se minto? Quantas vezes!
Mas em palavras. Não
Nos meus olhos castanhos portugueses,
Nestas linhas atávicas da mão...
Se minto?... Minto, pois!
Mas nas orais palavras que vos digo.
Não nas que entoo a sós comigo.
E em que enfim deixo de ser dois
...»
Mas em palavras. Não
Nos meus olhos castanhos portugueses,
Nestas linhas atávicas da mão...
Se minto?... Minto, pois!
Mas nas orais palavras que vos digo.
Não nas que entoo a sós comigo.
E em que enfim deixo de ser dois
...»
José Régio, «Improviso Corrigido», in «Colheita da Tarde»
Da fotografia e da palavra
Roland Barthes diz
que a fotografia diz
e a palavra mente.
Quem sou eu para o
desmentir?
que a fotografia diz
e a palavra mente.
Quem sou eu para o
desmentir?
Dirty Diana - Um terrível conto de terror Capítulo II
2. a orelha de Dodi
O pilar central da ponte ficou destruído. É certo, não ao ponto de fazer perigar a estrutura que sustinha a ponte mas, ainda assim, bastante danificado. Pior, muito pior ficou o Mercedes, feito lata de sardinhas abalroada por uma baleia esfomeada. Um desastre para a imagem da marca em matéria de segurança a bordo. Difícil mesmo, entre tanto sangue e miudezas intestinais e quejandas, foi descortinar o que eram braços, o que eram pernas, orelhas, lábios, mãos, pés, cabeças. Como o exagero que se permite aos escritores, diria que aço, ferro e carne conjugavam a perfeita simbiose, num quadro de horror que faria inveja a Damien Hirst ou aos irmãos Jake e Dinos Chapman e fariam de um Jheronimus Bosch um mero «aprendiz de feiticeiro dos infernos». O fotógrafo Jöel Pieter-Witkin também dificilmente faria melhor e, nos dias seguintes, ao ver as imagens televisivas terá, por certo, invejado aqueles que o acaso levou a testemunharem ao vivo aquelas horas letais.
Apesar da amálgama de corpos e chapa retorcida ainda fremente, vários anónimos, reconhecendo os acidentados, tratavam já de recolher pequenos restos de ferro ou borracha pensando já nos futuros negócios que fariam em leilões da net. Um cão lambia restos de sangue, antes de levar um pontapé de um dos primeiros polícias a chegar ao local. Enquanto outros agentes tratavam de afastar os curiosos e selar uma área de segurança e interdição, num perímetro que estimaria em cinco metros (isto é, para trás e para a frente, já que, lateralmente, pouco mais do que dois metros havia disponíveis), luzes de flashes continuavam um trabalho predador das intimidades alheias. Como antes em vida, agora também ali, na hora da morte, os paparazzi trabalhando, vermes do viver alheio.
Logo, logo chegaram mais jornalistas, estes, ao menos, encartados. As televisões assentaram arraiais, disputaram os melhores ângulos de captação de imagens, e todos obtiveram das suas direcções carta branca para entrarem em directo sempre que o desejassem. Nas redacções todos estavam a postos já pensando nas melhores parangonas com que abririam os informativos especiais e com que fariam as capas das edições da manhã seguinte. O vermelho vivo, claro, a cor eleita para os jornais e revistas. Comentadores foram acordados a meio da noite, cronistas idem aspas, o povo, sonolento, em pijama, também foi chamado a pronunciar-se à boca das rádios e das televisões. A cidade inteira acordou do torpor sonolento em que já ia mergulhando. Madame Jacqueline, moradora perto do local do sinistro, acordou em sobressalto do pesadelo que sonhava, só não percebeu é que acordara de um para testemunhar outro, embora com a mais-valia de não ser protagonista no segundo.A princípio veiculadas pelos Media, depois por fonte oficial dos gendarmes gauleses encarregues do caso, não tardou que chegassem a público as confirmações. Um terrível acidente custara a vida à Princesa do Povo que, seguindo num potente Mercedes, se despistara num dos túneis de Paris. Diana, a princesa de Gales, mais se pormenorizava (o que talvez não fosse necessário dizer, mas se diz à cautela de algum leitor desprevenido face a matérias monárquicas), seguia com o seu novo companheiro e namorado, um rico herdeiro de um ainda mais rico empresário, dono de um império de negócios. O seu nome, do amante da princesa, lembrava mais a graça de um cachorro, mas enfim... chamava-se Dodi. Crê-se que terá sido dele a orelha que um dos cães vadios que tinham ali chegado antes da Polícia levara pela boca, deliciando-se e babando-se fartamente num beco ali próximo – o animal jamais tivera nos caninos, incisivos e molares tão rico petisco. A suposição não é leviana, pois, uma vez recolhido o animal suspeito, veio a verificar-se que no seu estômago se encontrava um brinco a posteriori reclamado pelo pai do defunto como pertencendo ao seu rebento namoradeiro de princesas. Ajunte-se, a propósito, que o cão também veio a falecer, segundo informação constante dos autos policiais revelados no dia seguinte, não resistindo à intervenção cirúrgica (matéria que reuniu consenso de editorias para abrir 666 telejornais em todo o mundo).
O pilar central da ponte ficou destruído. É certo, não ao ponto de fazer perigar a estrutura que sustinha a ponte mas, ainda assim, bastante danificado. Pior, muito pior ficou o Mercedes, feito lata de sardinhas abalroada por uma baleia esfomeada. Um desastre para a imagem da marca em matéria de segurança a bordo. Difícil mesmo, entre tanto sangue e miudezas intestinais e quejandas, foi descortinar o que eram braços, o que eram pernas, orelhas, lábios, mãos, pés, cabeças. Como o exagero que se permite aos escritores, diria que aço, ferro e carne conjugavam a perfeita simbiose, num quadro de horror que faria inveja a Damien Hirst ou aos irmãos Jake e Dinos Chapman e fariam de um Jheronimus Bosch um mero «aprendiz de feiticeiro dos infernos». O fotógrafo Jöel Pieter-Witkin também dificilmente faria melhor e, nos dias seguintes, ao ver as imagens televisivas terá, por certo, invejado aqueles que o acaso levou a testemunharem ao vivo aquelas horas letais.
Apesar da amálgama de corpos e chapa retorcida ainda fremente, vários anónimos, reconhecendo os acidentados, tratavam já de recolher pequenos restos de ferro ou borracha pensando já nos futuros negócios que fariam em leilões da net. Um cão lambia restos de sangue, antes de levar um pontapé de um dos primeiros polícias a chegar ao local. Enquanto outros agentes tratavam de afastar os curiosos e selar uma área de segurança e interdição, num perímetro que estimaria em cinco metros (isto é, para trás e para a frente, já que, lateralmente, pouco mais do que dois metros havia disponíveis), luzes de flashes continuavam um trabalho predador das intimidades alheias. Como antes em vida, agora também ali, na hora da morte, os paparazzi trabalhando, vermes do viver alheio.
Logo, logo chegaram mais jornalistas, estes, ao menos, encartados. As televisões assentaram arraiais, disputaram os melhores ângulos de captação de imagens, e todos obtiveram das suas direcções carta branca para entrarem em directo sempre que o desejassem. Nas redacções todos estavam a postos já pensando nas melhores parangonas com que abririam os informativos especiais e com que fariam as capas das edições da manhã seguinte. O vermelho vivo, claro, a cor eleita para os jornais e revistas. Comentadores foram acordados a meio da noite, cronistas idem aspas, o povo, sonolento, em pijama, também foi chamado a pronunciar-se à boca das rádios e das televisões. A cidade inteira acordou do torpor sonolento em que já ia mergulhando. Madame Jacqueline, moradora perto do local do sinistro, acordou em sobressalto do pesadelo que sonhava, só não percebeu é que acordara de um para testemunhar outro, embora com a mais-valia de não ser protagonista no segundo.A princípio veiculadas pelos Media, depois por fonte oficial dos gendarmes gauleses encarregues do caso, não tardou que chegassem a público as confirmações. Um terrível acidente custara a vida à Princesa do Povo que, seguindo num potente Mercedes, se despistara num dos túneis de Paris. Diana, a princesa de Gales, mais se pormenorizava (o que talvez não fosse necessário dizer, mas se diz à cautela de algum leitor desprevenido face a matérias monárquicas), seguia com o seu novo companheiro e namorado, um rico herdeiro de um ainda mais rico empresário, dono de um império de negócios. O seu nome, do amante da princesa, lembrava mais a graça de um cachorro, mas enfim... chamava-se Dodi. Crê-se que terá sido dele a orelha que um dos cães vadios que tinham ali chegado antes da Polícia levara pela boca, deliciando-se e babando-se fartamente num beco ali próximo – o animal jamais tivera nos caninos, incisivos e molares tão rico petisco. A suposição não é leviana, pois, uma vez recolhido o animal suspeito, veio a verificar-se que no seu estômago se encontrava um brinco a posteriori reclamado pelo pai do defunto como pertencendo ao seu rebento namoradeiro de princesas. Ajunte-se, a propósito, que o cão também veio a falecer, segundo informação constante dos autos policiais revelados no dia seguinte, não resistindo à intervenção cirúrgica (matéria que reuniu consenso de editorias para abrir 666 telejornais em todo o mundo).
domingo, 4 de novembro de 2007
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Dirty Diana - Um terrível conto de terror em 9 capítulos
1. momentos de azar
1997. 31 de Agosto. Sábado. Veloz como um disparo de besta, sibilando sobre o alcatrão da noite, guinando à esquerda e à direita, a primeira ambulância chegou às Urgências do hospital num frémito de sirenes lancinantes e luzes alucinadas. Vinha com motas de polícias à frente, ao jeito de batedores, cada qual com seu agente esbracejando a abrir alas, a tirar todo e qualquer escolho do caminho. Alguns familiares de pacientes internados olhavam a cena com curiosidade mórbida, embora desconhecendo quem para ali era transportado. Recortados a negro, ciganos fumavam a curta distância, encostados a um muro em pose de desafio.
Num freio súbito a carrinha branca estacou e logo às portas traseiras acudiram, céleres, quatro enfermeiros e dois médicos que aguardavam a sua chegada. Depois, um corrupio de tubos de inalação, soro para cá soro para acolá, uma injecção, e logo o corpo (ou aquilo que dele restava), envolvido por batas brancas, sorvido pelos corredores assépticos do hospital onde, como é sabido, só pessoal autorizado pode entrar.
Enquanto narrador desta história permitiram-me a entrada, mas não sem antes assinar uns papéis burocráticos. Ser escritor já foi mais fácil. Fui, alcançando a custo a maca que corria como Fórmula 1 pelos corredores, depois elevadores, novamente corredores, direita, esquerda, e, por fim, uma sala de operações. Aí, novos médicos davam ordens, cruzavam rápidas opiniões sobre o que fazer, mas sempre num frenesi de quem sabia que naquele caso um segundo de atraso numa decisão poderia significar a diferença entre a vida e a morte. Só um enfermeiro resmungou, notoriamente chateado por ter de interromper o visionamento de um episódio de «Serviço de Urgências» que passava na televisão àquela hora. Há momentos de azar...
Depois, o mais que pude ver foi através da estreita e pequena janelinha de vidro que havia na porta da sala de operações. Apesar dos meus protestos literários, um médico, que até tinha lido o meu primeiro romance e dele, assim mo garantiu, gostara, pediu-me para ficar lá fora. Que fizesse o obséquio, que, acreditasse, compreendia as minhas razões, pois sabia que para a descrição exacta dos factos era mais do que desejável que acompanhasse tudo a par e passo, de perto, preferencialmente, que sabia muito bem como eram os críticos com os pormenores, mas que naquele caso não podiam ser contemplativos nem podiam abrir excepções; só os médicos podiam ali estar. Ia ser uma operação deveras delicada.
1997. 31 de Agosto. Sábado. Veloz como um disparo de besta, sibilando sobre o alcatrão da noite, guinando à esquerda e à direita, a primeira ambulância chegou às Urgências do hospital num frémito de sirenes lancinantes e luzes alucinadas. Vinha com motas de polícias à frente, ao jeito de batedores, cada qual com seu agente esbracejando a abrir alas, a tirar todo e qualquer escolho do caminho. Alguns familiares de pacientes internados olhavam a cena com curiosidade mórbida, embora desconhecendo quem para ali era transportado. Recortados a negro, ciganos fumavam a curta distância, encostados a um muro em pose de desafio.
Num freio súbito a carrinha branca estacou e logo às portas traseiras acudiram, céleres, quatro enfermeiros e dois médicos que aguardavam a sua chegada. Depois, um corrupio de tubos de inalação, soro para cá soro para acolá, uma injecção, e logo o corpo (ou aquilo que dele restava), envolvido por batas brancas, sorvido pelos corredores assépticos do hospital onde, como é sabido, só pessoal autorizado pode entrar.
Enquanto narrador desta história permitiram-me a entrada, mas não sem antes assinar uns papéis burocráticos. Ser escritor já foi mais fácil. Fui, alcançando a custo a maca que corria como Fórmula 1 pelos corredores, depois elevadores, novamente corredores, direita, esquerda, e, por fim, uma sala de operações. Aí, novos médicos davam ordens, cruzavam rápidas opiniões sobre o que fazer, mas sempre num frenesi de quem sabia que naquele caso um segundo de atraso numa decisão poderia significar a diferença entre a vida e a morte. Só um enfermeiro resmungou, notoriamente chateado por ter de interromper o visionamento de um episódio de «Serviço de Urgências» que passava na televisão àquela hora. Há momentos de azar...
Depois, o mais que pude ver foi através da estreita e pequena janelinha de vidro que havia na porta da sala de operações. Apesar dos meus protestos literários, um médico, que até tinha lido o meu primeiro romance e dele, assim mo garantiu, gostara, pediu-me para ficar lá fora. Que fizesse o obséquio, que, acreditasse, compreendia as minhas razões, pois sabia que para a descrição exacta dos factos era mais do que desejável que acompanhasse tudo a par e passo, de perto, preferencialmente, que sabia muito bem como eram os críticos com os pormenores, mas que naquele caso não podiam ser contemplativos nem podiam abrir excepções; só os médicos podiam ali estar. Ia ser uma operação deveras delicada.
Outros Silêncios
«No entanto, em psicanálise, o silêncio foi também interpretado pelos primeiros analistas como uma defesa. Uma defesa contra o erotismo oral ou a sua tendência para a incontinência verbal.»
Tito Cardoso e Cunha, «A Loquacidade do Silêncio»
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Pedro Zamith
Ora aí está, o artista no seu work in progress. É o Pedro Zamith, artista plástico, que tem exposição de novos quadros, até 10 de Novembro, na Galeria de Arte Arqué, em Lisboa, sita na Avenida Miguel Bombarda, nº 120 A. De segunda a sábado, das 11h às 20h00.
Na calada da noite
Grass em Almancil

No próximo dia 10 de Novembro, sábado, Gunter Grass vai estar no Centro Cultural São Lourenço, em Almancil, no Algarve, para ler e assinar o seu famoso e polémico «Descascando a Cebola», que a Casa das Letras editou recentemente. Quanto a mim, parece-me que de toda esta amálgama de recordações, descascadas em muitas páginas, se poderia resumir a três capítulos: «As camadas por debaixo da casca», «Chamava-se nósnãofazemosisso» e «Como aprendi a ter medo». O primeiro, porque é nele que Gunter expõe o que pretende fazer com este livro: «Quero ter a última palavra a dizer». É justo e assiste-lhe. O segundo, porque logo expõe o tom confessional em que irá descascar o passado: «O meu acto não pode ser encolhido ao estatuto de estupidez juvenil. Nenhuma coacção me pendia sobre o pescoço (...) Acreditar nele [Hitler] não custava esforço, era uma brincadeira de crianças.» Isto é, Gunter esconjura o perdão por via de uma culpa colectiva, transpõe de alguma forma o seu pasmo pelo Führer para as influências havidas, enquanto criança, de figuras míticas e guerreiras da história germânica. Era, eram, em suma, putos com demasiada «confusão nas cabeças por baixo do cabelo aparado curto.»
O terceiro capítulo aludido será o mais interessante porque concretiza, em termos de descrição precisa, o modo como milhares de imberbes crianças foram envolvidas neste grotesco filme da história. Crianças que estancaram a sua infância e adolescência sob o clamor das armas, jovens cegos pelas atoardas em torno da supremacia da raça ariana. No mais, é neste capítulo que temos um verdadeiro fresco do teatro de guerra, cenas que se vão intercalando por detalhes, por pinceladas, escorregadelas de lâmina adentrando-se na polpa da cebola: como o episódio em que Gunter, por vingança face a castigos sofridos, num assomo de coragem, ter um dia feito chichi para duas chávenas de café de uns sargentos de terceira. Enternecedor, meu caro Gunter. E pronto, quanto a choros é isto, o restante é memória de vida, pré e pós-guerra, como que atenuando os dissabores das lágrimas. A quem esteja por perto.
O terceiro capítulo aludido será o mais interessante porque concretiza, em termos de descrição precisa, o modo como milhares de imberbes crianças foram envolvidas neste grotesco filme da história. Crianças que estancaram a sua infância e adolescência sob o clamor das armas, jovens cegos pelas atoardas em torno da supremacia da raça ariana. No mais, é neste capítulo que temos um verdadeiro fresco do teatro de guerra, cenas que se vão intercalando por detalhes, por pinceladas, escorregadelas de lâmina adentrando-se na polpa da cebola: como o episódio em que Gunter, por vingança face a castigos sofridos, num assomo de coragem, ter um dia feito chichi para duas chávenas de café de uns sargentos de terceira. Enternecedor, meu caro Gunter. E pronto, quanto a choros é isto, o restante é memória de vida, pré e pós-guerra, como que atenuando os dissabores das lágrimas. A quem esteja por perto.
Sem dúvida, dissuasor
L - O Agente Secreto
L é também o nome de um famoso personagem de Manga japonesa, o Agente Secreto L!!!
L
A terceira temporada da série televisiva «A Letra L» está já a passar na RTP2. Diariamente, já depois da meia-noite, não vá a estação pública ferir as sensibilidades do telespectador. Aqui publico uma fotografia que um destes dias tirei, em fim-de-semana soalheiro, lá para os lados da Expo. Tipo homenagem.
P.S. Curiosidade, via Wikipédia: A letra L surgiu no ano de 343 a.C. . Criada pelos romanos, a letra é mantida até hoje nos alfabetos de países ortitográficos. (...) L é uma consoante lateral alveolar líquida. (...) Em tamanhos de roupa, L significa "large" - grande. A sua origem é o "lamed" dos fenícios, que significava "cajado" e era desenhado pela adaptação do hieroglifo egípcio de um cajado. Na Grécia, recebeu o nome de "lambda" e evolui para o nosso L.
P.S. 1. A atentar, na foto, ao pormenor da localização da letra G. E, claro, ao momento de gozo e prazer.
P.S. 2. O resultado final de tudo isto fez com que a imagem ficasse com o curioso e muito tecnológico nome LG.
Histórias Fulminantes 42
Acreditava piamente que a Terra não era senão uma bola azul à espera que o taco de Deus a enfiasse às três tabelas num dos vários buracos negros da mesa da galáxia.
Sigur Rós

Está quase. Daqui a uma mão de dias, a 5 de Novembro, os Sigur Rós apresentam dois novos trabalhos: o primeiro, «Heima» (“em casa”), um DVD que inclui um documentário sobre a tournée que a banda realizou na Islândia, ao longo de 2006/ 2007. O filme é realizado por Dean Deblois, nada mais nada menos que o homem que foi nomeado para um Óscar pela realização de «Lilo & Stitch» (2002). No mesmo dia sai também «Hvarf-Heim» (mais uma bela palavra...), duplo CD em que, no primeiro disco, se incluem quatro temas, três inéditos e uma revisão da música «Von», e no segundo, se encontrarão seis temas gravados ao vivo em váruios palcos de digressões.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
O Dedo de Saramago
Taco a taco
Sim, pode considerar-se que a música de Anna David é dedicada aos golfistas. Pois, e também podia ser para os futebolistas, mas estes ao menos correm!
Subscrever:
Mensagens (Atom)


