terça-feira, 30 de outubro de 2007

Nunca gostei de golf


Lê-se, mas quase não se acredita. E para não acharem que invento ou exagero, cito apenas dois excertos noticiosos tirados da Net, isto depois de mosquinha me ter chegado à orelha ao zappar pelo fim-de-semana televisivo e esbarrando com um programa da SIC Notícias, de sua graça Golf Report. Mas, como dizia, lê-se e quase não se acredita:

«Na primeira edição do Portugal Masters, Steve Webster sagrou-se campeão. Filipe Lima terminou na 21ª posição, embolsando 30,750 euros..» Portanto, se bem percebi, o rapaz Lima ficou em 21º lugar e, ainda assim, amealhou 30, 750 euros!
Curioso, vou pesquisar mais sobre o rapaz Lima, e leio, em notícias sobre o corrente ano desportivo do rapaz Lima: «Lima participou em 30 provas do Circuito Europeu, falhou o "cut" por 19 vezes, e não conseguiu qualquer dos grandes objectivos para a época: vencer um torneio e qualificar-se para o Volvo Masters, de Valderrama, prova de fecho da temporada. É a sua pior classificação desde que se tornou membro efectivo do "tour", em Novembro de 2004».
Ok. Ainda assim, fico a saber que o rapaz Lima embolsou, em 2005, 310.464 euros, e em 2006, a módica quantia de 381.222 euros. Portanto, o rapaz Lima, que, ao que concluo do que leio, não dá grande para a caixa, ou para o buraco, ainda embolsa o que embolsa, este ano 314.186 euros.

Não sei porquê, recordo o montante que Gonçalo M. Tavares ganhou recentemente (18 700 euros), ao ser distinguido, entre 200 obras candidatas, de autores brasileiros e portugueses, ao Prémio Portugal Telecom, aquela que é, no Brasil, a maior distinção atribuída a escritores de língua portuguesa.

Rapaz Gonçalo, penso nisto e penso na expressão escrever para o buraco!

Ou desconhecerei o grande legado que o golf deixará à Humanidade?...

Tias e Tios 4 e Final

Razões pelas quais acabei por não gostar do novo romance de Miguel Sousa Tavares:

- Porque senti ter perdido tempo a ler uma não-intriga num livro que mais parece um manual de História da primeira metade do século XX.
- Porque as personagens são incongruentes e pouco consistentes. A começar por Amparo, uma cigana com vontade de criar raízes em terra firme... («Como os ciganos, entre sul e viagem, do outro lado do rio, como ciganos somos de outra margem (...) somos de passagem»... como dizia o poeta Manuel Alegre).
- Porque trata-se muito mais de um tratado das paixões e prazeres de MST.
- Porque esperava muito mais do código genético literário do autor.
- Porque logo, logo se descobre o desenlace da história.
- Porque há uns anos (não há uns anos atrás, como redundantemente se diz no livro) li um conto de MST na revista «O Escritor» que me deixou com boa impressão.
- Porque para fazer de si um escritor não apenas de um só livro, se era para nos dar isto mais valia ter estado quieto.
- Porque de algum modo me sinto enganado pela editora (não por dinheiro gasto, que o livro me foi oferecido enquanto jornalista, mais pelo tempo que nele perdi, podendo estar a ler, por exemplo, o Dino Buzatti que tenho em lista, ou o novo livro de Max Gallo sobre «Nero», os novos contos de Luísa Costa Gomes, entre tantos outros).
- Porque me tinham dito (da editora) que era um grande livro...
- Porque tem (felizmente poucas) descrições patéticas de cenas pretensamente amorosas.
- Porque me parece um livro escrito tijolo a tijolo, leia-se capítulo a capítulo, enviados a conta-gotas para a editora, sem massa substancial capaz de uni-los de forma convincente.
- Porque MST não descola do comentador vituperino que é e chama às personagens e figuras históricas que vão passando pelas páginas o que muito bem lhe apetece, coisa de que o ficcionista se deve abster, de julgar, pelo adjectivo, a História e aqueles que a fizeram, agradem-nos ou não. Que D. Sebastião possa, na sua opinião, ter sido um «imbecil», nada de mal com isso, não tem é o ficcionista de armar-se em sumo julgador da História.
- Porque nunca julguei que MST fosse tão pobre, ao nível da trama romanesca, como uma Margarida Rebelo Pinto (sim, não li «O Equador»)
- Porque o filho de uma poetisa como Sophia não devia usar imagens gastas como as ondas, ou o mar que vem morrer à praia ou às areias...
- Porque um livro com estas debilidades tem 100 mil exemplares de tiragem.
- Porque escrever com técnica não basta. E por vezes nem sequer uma boa ideia basta.
etc.
E, sim, claro, nesta altura já pode bem o autor (e editora) estar a dizer que o problema do blogger é inveja. Será?

sábado, 27 de outubro de 2007

Beirut -

Tratado Europeu

Que sim, que o Governo tem legitimidade parlamentar para ratificar o novo tratado europeu, sucesso maior da Cimeira de Lisboa. Ou seja, Sócrates, que em campanha eleitoral prometeu fazer um referendo, dá ares de agora vir a dar o dito por não dito. Nada de espantar, típico de qualquer político que se preze. Só chateia um aspecto: por um lado, os Sócrates desta vida dizem que os portugueses estão demasiado dissociados do projecto europeu, por outro, quando se trata de os levar a participar em tudo quanto diga respeito à construção desse mesmo projecto acha-se que eles ainda não estão preparados para isso e, logo, referendos para as urtigas; por falta de conhecimento! Ora, não será um referendo a melhor ocasião para debater aquilo que se acusa os portugueses de não conhecerem? E as promessas, Sócrates, as promessas?

Shirin Neshat


Até 23 de Novembro, a Galeria Filomena Soares, em Lisboa, apresenta a exposição individual «Zarin» de Shirin Neshat. Nascida em Qazvin, no Irão, mudando-se para os Estados Unidos em 1974 (actualmente a viver e trabalhar em Nova Iorque), esta é uma das artistas plásticas que mais aprecio. Já anteriormente conhecidos em Lisboa alguns trabalhos seus (nomeadamente na Culturgest e na mesma galeria onde agora expõe), desta feita, mostra-se o seu mais recente filme, “Zarin”, bem como um grupo de fotografias do mesmo projecto. O trabalho de Shirin Neshat refere-se aos códigos sociais, culturais e religiosos do Islão e da complexidade de certas oposições, tais como o homem e a mulher. Neshat procura muitas vezes resolver tecnicamente este confronto social com a projecção dos filmes dispostos de forma concorrente, criando desta forma contrastes visuais baseando-se em valores tais como Claro/Escuro, Preto/Branco, Macho/Fêmea. «Zarin», de 2005, é a história de uma jovem mulher que trabalha como prostituta desde a sua infância. O filme traça a sua lenta desintegração até ao delírio psíquico. Destruída pela culpa das suas acções e pelo forte desejo de salvação, a sua loucura é manifestada pela sua percepção do mundo em seu redor. Com os homens que se cruzam na sua vida a aparecer sem rosto, os sentimentos de horror, vergonha e culpa apoderam-se desta personagem. Julgando ser uma punição de Deus, ela foge do bordel para um balneário público. Numa atitude de desespero, esfrega a sua carne viva e ensanguentada, tentando desta forma compensar o seu passado, contudo, ela é profundamente afundada na loucura, e por fim luta pela sua redenção.

valter hugo mãe


O meu amigo valter hugo mãe (que gosta de assinar mesmo assim, com letra pequena) ganhou o Prémio Saramago, pelo seu romance «O Remorso de Baltazar Serapião» (Quid Novi). Com justiça: a sua escrita, visceral e crua, poética e sensível, tem um mérito principal: é singular. vhm é também autor do romance «o nosso reino» (Temas e Debates) - onde escreve a história do homem mais triste do mundo -, de nove livros de poesia, é pintor e alimenta um dos blogues (casadeosso.blogspot.com) que mais vou visitando.

Tios e Tias 2

Fora tias e tios, vou gostando deste «Rio das Flores», correnteza de bem contar uma história. Sobretudo isso, um técnico bem contar, sem preocupações com o inovar na escrita. Talvez com uma exagerada preocupação na factualidade e contextualização histórica, talvez com um exagerado pendor pedagógico sobre datas, factos históricos e personalidades, que podiam bem presumir-se como matéria adquirida pelo leitor. No mais, está lá (sobretudo em Diogo) o que se conhece como prazeres de vida de MST: as mulheres, a história, a comida, a caça, a aventura, o apelo do silêncio (o que não deixa de ser contraditório em alguém que é dos opinion makers mais intervenientes na vida nacional). Inevitável, meu caro Miguel?

Tias e Tios 1

Tias e tios que, se alguma vez lerem o livro, não vão gostar muito de muito que ali MST escreve. Sobretudo nas referências à Nossa Senhora da Azinheira... Embora talvez gostem de ler que os portuguess são um povo (como já diziam os romanos, por outros latins) que gosta de ser mandado, de «obedecer e calar»... Depois há o «imbecil, incompetente e irresponsável» do D. Sebastião, o Salazar de voz efeminada, e a padrada sempre a reboque das vantagens de contexto político... Não, não creio que as tias e os tios gostem («Ó Miguel, o Miguel é mauzinho...»). Enfim, presumo que as tias, pelo menos - os tios não sei (alguns, se calhar...) -, irão gostar de outras passagens, nomedamente aquelas em que Miguel fala do «monstro adormecido»... Caro Miguel, neste particular já vi o José Rodrigues dos Santos fazer pior!

Tias e Tios

Antes de ontem fui, sem saber, a um encontro de tias e tios. O lançamento do livro de Miguel Sousa Tavares. «Ai, vou levar já um par.»; «Deve passar-se em Copacabana, mas antes das obras...»; «O Miguel é óptimo.» E aqueles fotógrafos canibais, tristemente canibais?... Miguel, por favor, Marcelo, por favor, Manuel, por favor, bem podiam ter avisado!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Histórias Fulminantes 41

Depois de anos e anos em guerra, os dois lados da fronteira sentaram-se à mesa das negociações. Ultrapassavam-se divergências, diluíam-se antagonismos, quebravam-se silêncios, esqueciam-se ódios. Já depois do almoço, bem regado a Champanhe e selado com muitas promessas e desejos de um futuro fraterno e radioso, quando os dois líderes se preparavam para assinar o armistício, deu-se um revés assaz grave: por descuido, ao esfregar os olhos, Deus deixara cair uma lente de contacto. Foi então que novas e antigas querelas se reavivaram na mente dos dois contendores. Num compasso de espera, já de esferográficas em punho, os dois homens sustiveram as assinaturas, à sua volta já todos se entreolhando e tossicando baixo. Foi o tempo necessário para que Deus tentasse reaver a sua lente, mas por azar aquela caíra nos oceanos e perdeu-se para sempre. Nesse momento o cessar fogo findou.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Cimeira

Não, qualquer semelhança entre o vídeo dos Okkervil River e a Cimeira de Lisboa e o divórcio de Sarkozy é mera coincidência.

Okkervil River - The President's Dead

Histórias Fulminantes 40

Farto de ser invariavelmente passado para segundo plano, um copo de água deu um pontapé na Taça de Portugal. naturalmente que foi a gota de água a entornar as emoções entre os adeptos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Outros Silêncios

«Para o meu silêncio que queria perfeito escolhi uma casa a reconstruir e dotei-a das protecções máximas contra os ruídos exteriores. Porém como não tinha sorte nenhuma com os vizinhos - talvez pelo facto de eu pronunciar mal a palavra "maison", eu dizia "mais son" - desta vez, hélas, calhou-me o número mais negro da lotaria e tive uma aldeia toda contra mim.»
Manuel da Silva Ramos, «O Silêncio de Monsieur Ramos»

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Cinematic Orchestra - To Build A Home

Parece-me muito bem


VII Semana da Língua Italiana no Mundo

De 22 a 28 de Outubro o Instituto Italiano de Cultura, em Lisboa, abre as portas e propõe um amplo leque de eventos artísticos e culturais que visam apresentar ao público as formas atráves das quais as paisagens e culturas marítimas se reflectem no imaginário da península.
Um ciclo de cinema resume vinte anos de produções fílmicas, desde «O Navio» de Fellini até «Lettere dal Sahara» de Vittorio De Seta. Na aula aberta ao público por Stefano Savio analisar-se-ão as temáticas, as fobias e as paixões de uma Itália que cada vez mais se reflecte nas suas águas. O realizador teatral Luca Aprea encena uma peça com o título de O barco de Pádua para Veneza, com acompanhamento de madrigais venezianos de 1600 e um pintor desenhando painéis ao vivo ao longo da representação. O coreógrafo Jean Paul Bucchieri põe em cena uma leitura dramatizada de poemas italianos e portugueses inspirados ao tema do mar. Ainda haverá um concerto do Bandolim Piano Trio, evocando tradições musicais tipicamente mediterrânicas. Um workshop de gastronomia italiana pelo Bar Tapas Luca proporciona úma excursão gastronómica nos sabores da Sicília. O Restaurante Tavares proporá um menú especial dedicado ao mar. No âmbito da Semana, será também apresentado e projectado o filme-documentário A Ilha de Arlequim de José Medeiros, relato do naufrágio nos Açores de um barco contendo os adereços de cena do Piccolo Teatro de Milão. Leituras animadas de contos de Emilio Salgari serão realizadas para os mais pequenos.

Poema

o medo nervoso
como animal de sangue
acossado pela agonia da noite

o pulso plúmbeo
as mãos minerais
os olhos vítreos intransitáveis

os lábios terra
secos como searas
silabando terror

o corpo despido de nome
e só os dedos
vivos no gatilho bebendo o vento
e o som da madrugada

o soldado assim
soldado a um silêncio
faminto de infância

e de guerras de atirar pedras
chamar nomes
puxar as camisolas
pegar nas bicicletas

e ir para casa
adormecer no colo da mãe

Guerra

«Sessenta e um sangrando, memória de fevereiro acordada denovo com rajadas, colonial chicote ainda zurzir na respiração, grande morte sibilando trêsdias e trêsnoites sem parança.
Sessenta e um memorando na noite antiga!
Adiantaram matar esses comandos?
Sangue de negro lhes caiu nas mãos com maldição!
No primeiro dia se bastaram com prisões. Depois palavra d'ordem era lei a soprar: «é preciso matar esses negros».
Então, jeeps marcaram ferozes caminho de muceque. Perfurando na noite, comandos katerpillaram vala. Sombras rusgaram mais nas portas das cubatas, largando fogo, fogo posto pelas casas, quando não granada de matar, castigando devez sono fingido de família inteira.»

Virgílio Alberto Vieira, «Guerrilheiro é Terra Móvel», Centelha

Benjy Ferree - In The Countryside

Benjy

E a condizer com a poesia de inspiração o'neilliana, a música de Benjy Ferree. A seguir.

O'Neill

E porque de poetas falamos, relembro o meu preferido de entre todos, o O'Neill - sobre quem, ainda ontem à noite, a RTP2 passou um belo documentário -, e publico aqui três poemas de um livro que lhe tenho escrito e dedicado, de sua graça «O'Neillianas com a Devida Vânia»:

Quid Quisto

é isto
ser português é isto
ficar a olhar para o quisto
e pensar pra que é que eu preciso disto?


Máxima

o Míni(mo) que podes fazer por ti
é um Porsche


As amas e o patrão assinalado

murmuram
maduras
mornas
as mamas da ama
na boca do menino
em chama
antes de ir à cama
porque o patrão
já chama
e se também não mama
reclama

Cesariny

A Susana Paiva traz-me oferta de Manuel Rosa, da Assírio: «Autografia», filme de Miguel Gonçalves Mendes, também livro, com as fotografias da Susana. Depois do belo divertimento televisivo, lembro umas releituras que fiz de alguns dos versos do poeta:

cesariny; dez releituras

I.
Marília Palhinha
já avó
muda a fralda
a Paulinha
já netinha

Marília
Ó Ó
Marília
‘tadinha

II.
ó minha gasta em hasta
esposa... como sofres
e eu... seja... sofro de ver-te
sofrer!

e eu como sofro
de chofre sofro
nas bancadas nos estádios
em estado de sítio
em estado de índio sofro

safa!!!
e eu como o meu sogro
como sofro minha gata
perdão minha gasta em hasta esposa

e eu como sofro
(desculpa enfim a minha
por vezes pesada pata
mas já agora desempata)
e eu como sofro...

III.
queria de ti país isso isso
que passasses além do esquisso
queria de ti país por isso por isso
(e por outras)
queria de ti país
chiça! Viço! Viço!

IV.
de ser arguto
depois de enxuto
papou o fruto
proibido e apetecido
dito feito e conduto

V.
burgueses somos todos nós
desde os netos
burgueses somos todos nós
até aos avós

burgueses somos todos nós
de perna de cão alçada
burgueses somos todos nós
alegres sobre a calçada

burgueses somos todos nós
fumando caros charutos
burgueses somos todos nós
discretos olhando corruptos os putos

burgueses somos todos nós
de vodka carpindo o luto
burgueses somos todos nós
do destino absoluto

VI.
o silêncio é um tigre
há aí quem dele me abrigue?

VII.
um banho tomado a menos
que tomado o mesmo

VIII.
«qsefoda!»,
disse.
e continuou:
bebamos
que para tristezas bastam Ovídeo
e a vid(e)a.

IX.
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssoneto

ccccccccccccccccccccccccccccccc
ccccccccccccccccccccccccccccccc
ccccccccccccccccccccccccccccccc
ccccccccccccccccccccccccccccheio

dddddddddddddddddddddddddddddddd
dddddddddddddddddddddddddddddddd
ddddddddddddddddddddddddddddddde

ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssss
sssssssssssssssssssssssssssssono

X.
um tiro na testa
um tiro de besta
uma flecha na cabeça
uma cabeçada na flecha
coisas assim à portugueça
é bom que se convença
somos todos mas é de Olivença

Histórias Fulminantes 39

Estavam os dois chefes índios sentados e a trocar impressões sobre as suas tribos, quando um deles, mais irritado, decide dar com o cachimbo da paz na cabeça do outro iniciando-se assim uma guerra que causou inúmeras mortes.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Outros Silêncios

«Não abras a boca se não tiveres a certeza de que o que vais dizer é mais belo do que o silêncio».

Provérbio Árabe

Sinto-me com sorte...

Porque pude assistir ao magnífico «Impor Export», pela companhia belga Les Ballets C. de la B.

Anja

Sim, a menina que canta em baixo chama-se Anja Garbarek, filha, nem mais, do famoso Garbarek do jazz.

Can I Keep Him?

Sobre o Vazio


Grass

Descascamos, com Günter Grass, a sua cebola, mas a verdade é que não nos caem lágrimas pelas suas.

sábado, 13 de outubro de 2007

Enrico Caruso - La Donna e Mobile

Histórias Fulminantes 38

A duquesa de Mantua deslizava pela auto-estrada ao volante do seu BMW série 7. Veloz, muito veloz, despistou-se quando, ao fechar os olhos por momentos, entoava emotivamente La Donna è Bólide.

Doris Lessing Nobel Prize - Oh Christ

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Assim vai o mundo

1. Doris Lessing podia não ter escrito página nenhuma na sua vida; depois do seu histórico «Christ...» ao saber que vencera o Prémio o Nobel é-lhe mais do que justo.
2. Al Gore é o Nobel da Paz. Espera-se o recrudescer da guerra aos grandes poluidores.
3. Sócrates é autoritário e começa a apreciar o sabor do poder.
4. Os sub-21 perderam em Baku. Espera-se que os pupilos de Scolari não experimentem igual bateku.
5. Os Au Revoir Simone estarão em Lisboa a 5 de Dezembro. Olá pai natal!
6. Parece que um escritor mexicano foi apanhado pela Polícia em casa quando cozinhava um braço da namorada. Erro: conzinhava uma bela história, embora, para ele, de final imprevisto.
7. Os She Wants revenge têm novo disco: «This is Forever». Outro erro...

Outros Silêncios

«J'écrivais des silences, des nuits, je notais l'inexprimable.»

Victoire, blog Les Silences de Victoire

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Muzicool

Ok. Já viram que a partir de agora vos vou dar música.

Pacific! Sunset Blvd Live Studio Virtanen 2007

Outros Silêncios

«Esta é a fala do homem, uma dor súbita
definitivamente entregue a um deus de água.
Saída do fogo, deitada numa terra onde um
corvo poisa pela manhã, a mulher espera que
alguém a transporte para uma zona de silêncio.»
Jaime Rocha, «Lacrimatória», Relógio d'Água

CALLA Strength in Numbers

Bat For Lashes - 'Prescilla'

Dá-me o prazer desta Doris?

Doris Lessing. Acho que o problema será do nome, cheira a romancista de literatura de aeroporto, ou então imagina-se logo o nome a letras douradas sobre uma daquelas capas cor-de-rosa horríveis que costumam ver-se nas mãos dos turistas torrando ao sol nas praias do Verão algarvio, impresso em páginas entre o creme de protecção solar e a caneca de cerveja... Porque, de resto, estou como o Mexia, não mexo no que não sei; pior, não li nem um só livro da senhora. Provavalemente, porque, como muitos, andava a ler outras coisas. Roth, sim. Será que a Academia leu? De qualquer modo, muito bons escritores andarão por estas horas a uivar de inveja por esse mundo fora...

Posta restante


Hoje estou cá com um a(b)cesso de posts que, ou muito me engano, ou vou comer postas de bacalhau ao jantar. Antes isso do que me cruzar com o Jack à ida para casa...

Catalina e a pestana

E porque é que me cheira a vontade de protagonismo este súbito regresso às lides mediáticas de Catalina Pestana, esvoejando nostálgica e descalça na praia enquanto perora sobre a continuidade dos abusos sexuais dentro de uma casa que já não rege nem visita? Não, não gosto do seu ar de padreca, daquele ar de quem é dona da verdade. Cá para mim, a Catalina entrou-lhe foi mas é uma pestana para o olho... Lá está, é a pestana que faz com que Catarina tenha passado a Catalina. Afinal, o l é uma pestana! Mas há lá alguém que se chame Catalina?!!!

Obsessões

Peço desculpa, mas só pode ser gozo para com os incréus. No telejornal da SIC, agora mesmo, ao almoço (provavelmente a ver se o incréu se engasga e vai desta para melhor): «Canonização em risco/ Vaticano tem dúvidas sobre milagres» Mas de que precisa o Vaticano para dissipá-las?: «Nova catedral custa 80 milhões de euros/ Só em 2006 esmolas atingem os 9 milhões e 300 mil euros». Mas há maiores milagres do que estes? Milhares de anónimos que nos venham depositar aos bolsos tais quantias?! Mais, voltando à SIC: «O milagre tem de ser instantâneo, duradouro e absoluto»! Por amor de Deus, «instantâneo, duradouro e absoluto, só mesmo o Nesquick (que por sinal, e por ser da Nestlé - honras à Nestlé -, é o único que eu, celíaco me confesso, posso tomar). E o que pretende o Vaticano fazer para provar essa tal espontaneidade? Enviar uns aleijadinhos para Fátima a ver se as águas bentas lhes fazem algum efeito?... Mas esta gente anda a brincar? E que tal fazer subir o assunto a comissão científica? E que tal aproveitar antes para revelar para onde vai todo o dinheiro das esmolas? Sim, porque deve haver acção social onde gastar o dinheiro! E, já agora, só porque isto me tira um bocado do sério: quando é que alguém faz o milagre de fazer desaparecer (ao contrário, portanto, das pretensas aparições) o tal Monsenhor Luciano Guerra, Reitor do Santuário? Para que conste das suas enormidades, pedindo aqui ajuda ao blog de Fernanda Câncio (5dias.net):
«Não sou dada a coleccionismo, mas há coisas que me fazem abrir excepções. É o caso dos dizeres de Monsenhor Luciano Guerra, Reitor do Santuário de Fátima.
Além dos socos na boca que não interessam nada, aqui ficam mais algumas pérolas da colecção…
«corpos esquartejados de bebés vão aparecer em lixeiras de toda a espécie, ao olhar horrorizado ou faminto de pessoas e de animais» (…) Luciano Guerra considera que a ascensão da esquerda na Europa pode levar a «abortos aos milhões e casamentos de homossexuais aos milhares» (Via Carlos Esperança)
«a castidade é uma urgência» numa sociedade com «multiplicação das ligações, simultâneas e sucessivas». Segundo este responsável, esta «multiplicação de ligações» vai gerando «situações de semi-prostituição, em todos os meios sociais». (…) «Faz-se a apologia do divórcio, desprezando os inocentes, atirados para a valeta, revoltados, deprimidos, acabando na droga, no álcool, na cadeia, no desemprego permanente, no fracasso escolar» (Via Júlio Machado Vaz)
«se o marido engana a mulher, é diferente ser no estrangeiro ou à sua frente». Porque se o faz longe, sabe-se. «Mas se faz o mal onde não há contágio, tem uma atenuante.» (Via Eduardo Prado Coelho)
E mais uma excerto da entrevista publicada na revista Notícias Sábado, do DN de sábado passado - «Tenho para mim que a falta de aproveitamento dos nossos jovens está na sexualidade, que lhes absorve a atenção, mesmo sem estímulos externos, o principal dos quais é a mulher. Você sabe como é a imaginação de um jovem. Ponha agora uma rapariga ao lado e vai ver que ele se distrai mais rapidamente do que com um homem. Os ingleses concluíram isso. Quanto mais você se concentrar num prazer menos tem concentração para aquilo que não lhe dá prazer. É por isso que os drogados coitados, acabam por se drogar noite e dia, porque estão a pensar sempre naquilo. É uma obsessão.»

Histórias Fulminantes 37

Na loja, Bin Laden vestiu a pele do lobo e gostou de se ver ao espelho. A menina da loja até disse que lhe caía muito bem. Questionado sobre se queria experimentar a pele da avozinha, Bin Laden respondeu que não, que preferia antes experimentar a pele da Capuchinho Vermelho. Felizmente para a Capuchinho a menina da loja foi ver e não tinha o número que servisse ao cliente.

Ao autor

Vai nu o poeta nu? E para onde vai o poeta nu, se é que vai para algum lado? Outra pergunta possível: a ir, chegará a algum lado o poeta nu? E a ir nu, vai realmente nu aquele que todos os dias se veste de palavras? E logo: as palavras servem como roupa? E também: tal como alimentam a alma? Por último: tem frio, o poeta? As palavras aquecem? Ou servem apenas de combustão? O que arde melhor: uma folha em branco ou um livro de poemas? E nas cinzas de cada um, o que encontraremos: o nada? o silêncio? O que pomos de nós quando nos pomos inteiros num poema? Um poema, a arder, é a alma a arder? As palavras têm alma?

Jorge Sousa Braga

Decorrerá amanhã, no Porto, às 18h30m, no Café Piolho (Café Âncora d'Ouro), o lançamento dos livros "O Poeta Nu", de Jorge Sousa Braga e "O Século das Nuvens", de Guillaume Apollinaire (versões de Jorge Sousa Braga). Sousa Braga é um dos meus poetas portugueses favoritos, pelo que sentir-me-ia com sorte se lá pudesse estar. Sorte que não vou ter. De modo que deixo aqui o convite a quem ali possa deslocar-se, tanto mais que poderão ainda desfrutar, na ocasião, da leitura de poemas por parte de Adolfo Luxúria Canibal, João Gesta e Rui Reininho.

Shhhhh...

Porque é que não gosto de blogues com posts que nunca mais acabam e sempre com tanto para dizer?

Ora Bolas!

Cristianos de um lado, Mourinhos de outro... Olhando para a História isto um dia acaba mal. Não sei é se Scolari tem um papel nisto tudo...