terça-feira, 16 de outubro de 2007
Parece-me muito bem
VII Semana da Língua Italiana no Mundo
De 22 a 28 de Outubro o Instituto Italiano de Cultura, em Lisboa, abre as portas e propõe um amplo leque de eventos artísticos e culturais que visam apresentar ao público as formas atráves das quais as paisagens e culturas marítimas se reflectem no imaginário da península.
Um ciclo de cinema resume vinte anos de produções fílmicas, desde «O Navio» de Fellini até «Lettere dal Sahara» de Vittorio De Seta. Na aula aberta ao público por Stefano Savio analisar-se-ão as temáticas, as fobias e as paixões de uma Itália que cada vez mais se reflecte nas suas águas. O realizador teatral Luca Aprea encena uma peça com o título de O barco de Pádua para Veneza, com acompanhamento de madrigais venezianos de 1600 e um pintor desenhando painéis ao vivo ao longo da representação. O coreógrafo Jean Paul Bucchieri põe em cena uma leitura dramatizada de poemas italianos e portugueses inspirados ao tema do mar. Ainda haverá um concerto do Bandolim Piano Trio, evocando tradições musicais tipicamente mediterrânicas. Um workshop de gastronomia italiana pelo Bar Tapas Luca proporciona úma excursão gastronómica nos sabores da Sicília. O Restaurante Tavares proporá um menú especial dedicado ao mar. No âmbito da Semana, será também apresentado e projectado o filme-documentário A Ilha de Arlequim de José Medeiros, relato do naufrágio nos Açores de um barco contendo os adereços de cena do Piccolo Teatro de Milão. Leituras animadas de contos de Emilio Salgari serão realizadas para os mais pequenos.
Um ciclo de cinema resume vinte anos de produções fílmicas, desde «O Navio» de Fellini até «Lettere dal Sahara» de Vittorio De Seta. Na aula aberta ao público por Stefano Savio analisar-se-ão as temáticas, as fobias e as paixões de uma Itália que cada vez mais se reflecte nas suas águas. O realizador teatral Luca Aprea encena uma peça com o título de O barco de Pádua para Veneza, com acompanhamento de madrigais venezianos de 1600 e um pintor desenhando painéis ao vivo ao longo da representação. O coreógrafo Jean Paul Bucchieri põe em cena uma leitura dramatizada de poemas italianos e portugueses inspirados ao tema do mar. Ainda haverá um concerto do Bandolim Piano Trio, evocando tradições musicais tipicamente mediterrânicas. Um workshop de gastronomia italiana pelo Bar Tapas Luca proporciona úma excursão gastronómica nos sabores da Sicília. O Restaurante Tavares proporá um menú especial dedicado ao mar. No âmbito da Semana, será também apresentado e projectado o filme-documentário A Ilha de Arlequim de José Medeiros, relato do naufrágio nos Açores de um barco contendo os adereços de cena do Piccolo Teatro de Milão. Leituras animadas de contos de Emilio Salgari serão realizadas para os mais pequenos.
Poema
o medo nervoso
como animal de sangue
acossado pela agonia da noite
o pulso plúmbeo
as mãos minerais
os olhos vítreos intransitáveis
os lábios terra
secos como searas
silabando terror
o corpo despido de nome
e só os dedos
vivos no gatilho bebendo o vento
e o som da madrugada
o soldado assim
soldado a um silêncio
faminto de infância
e de guerras de atirar pedras
chamar nomes
puxar as camisolas
pegar nas bicicletas
e ir para casa
adormecer no colo da mãe
como animal de sangue
acossado pela agonia da noite
o pulso plúmbeo
as mãos minerais
os olhos vítreos intransitáveis
os lábios terra
secos como searas
silabando terror
o corpo despido de nome
e só os dedos
vivos no gatilho bebendo o vento
e o som da madrugada
o soldado assim
soldado a um silêncio
faminto de infância
e de guerras de atirar pedras
chamar nomes
puxar as camisolas
pegar nas bicicletas
e ir para casa
adormecer no colo da mãe
Guerra
«Sessenta e um sangrando, memória de fevereiro acordada denovo com rajadas, colonial chicote ainda zurzir na respiração, grande morte sibilando trêsdias e trêsnoites sem parança.
Sessenta e um memorando na noite antiga!
Adiantaram matar esses comandos?
Sangue de negro lhes caiu nas mãos com maldição!
No primeiro dia se bastaram com prisões. Depois palavra d'ordem era lei a soprar: «é preciso matar esses negros».
Então, jeeps marcaram ferozes caminho de muceque. Perfurando na noite, comandos katerpillaram vala. Sombras rusgaram mais nas portas das cubatas, largando fogo, fogo posto pelas casas, quando não granada de matar, castigando devez sono fingido de família inteira.»
Sessenta e um memorando na noite antiga!
Adiantaram matar esses comandos?
Sangue de negro lhes caiu nas mãos com maldição!
No primeiro dia se bastaram com prisões. Depois palavra d'ordem era lei a soprar: «é preciso matar esses negros».
Então, jeeps marcaram ferozes caminho de muceque. Perfurando na noite, comandos katerpillaram vala. Sombras rusgaram mais nas portas das cubatas, largando fogo, fogo posto pelas casas, quando não granada de matar, castigando devez sono fingido de família inteira.»
Virgílio Alberto Vieira, «Guerrilheiro é Terra Móvel», Centelha
O'Neill
E porque de poetas falamos, relembro o meu preferido de entre todos, o O'Neill - sobre quem, ainda ontem à noite, a RTP2 passou um belo documentário -, e publico aqui três poemas de um livro que lhe tenho escrito e dedicado, de sua graça «O'Neillianas com a Devida Vânia»:
Quid Quisto
é isto
ser português é isto
ficar a olhar para o quisto
e pensar pra que é que eu preciso disto?
Máxima
o Míni(mo) que podes fazer por ti
é um Porsche
As amas e o patrão assinalado
murmuram
maduras
mornas
as mamas da ama
na boca do menino
em chama
antes de ir à cama
porque o patrão
já chama
e se também não mama
reclama
Quid Quisto
é isto
ser português é isto
ficar a olhar para o quisto
e pensar pra que é que eu preciso disto?
Máxima
o Míni(mo) que podes fazer por ti
é um Porsche
As amas e o patrão assinalado
murmuram
maduras
mornas
as mamas da ama
na boca do menino
em chama
antes de ir à cama
porque o patrão
já chama
e se também não mama
reclama
Cesariny
A Susana Paiva traz-me oferta de Manuel Rosa, da Assírio: «Autografia», filme de Miguel Gonçalves Mendes, também livro, com as fotografias da Susana. Depois do belo divertimento televisivo, lembro umas releituras que fiz de alguns dos versos do poeta:
cesariny; dez releituras
I.
Marília Palhinha
já avó
muda a fralda
a Paulinha
já netinha
Marília
Ó Ó
Marília
‘tadinha
II.
ó minha gasta em hasta
esposa... como sofres
e eu... seja... sofro de ver-te
sofrer!
e eu como sofro
de chofre sofro
nas bancadas nos estádios
em estado de sítio
em estado de índio sofro
safa!!!
e eu como o meu sogro
como sofro minha gata
perdão minha gasta em hasta esposa
e eu como sofro
(desculpa enfim a minha
por vezes pesada pata
mas já agora desempata)
e eu como sofro...
III.
queria de ti país isso isso
que passasses além do esquisso
queria de ti país por isso por isso
(e por outras)
queria de ti país
chiça! Viço! Viço!
IV.
de ser arguto
depois de enxuto
papou o fruto
proibido e apetecido
dito feito e conduto
V.
burgueses somos todos nós
desde os netos
burgueses somos todos nós
até aos avós
burgueses somos todos nós
de perna de cão alçada
burgueses somos todos nós
alegres sobre a calçada
burgueses somos todos nós
fumando caros charutos
burgueses somos todos nós
discretos olhando corruptos os putos
burgueses somos todos nós
de vodka carpindo o luto
burgueses somos todos nós
do destino absoluto
VI.
o silêncio é um tigre
há aí quem dele me abrigue?
VII.
um banho tomado a menos
que tomado o mesmo
VIII.
«qsefoda!»,
disse.
e continuou:
bebamos
que para tristezas bastam Ovídeo
e a vid(e)a.
IX.
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssoneto
ccccccccccccccccccccccccccccccc
ccccccccccccccccccccccccccccccc
ccccccccccccccccccccccccccccccc
ccccccccccccccccccccccccccccheio
dddddddddddddddddddddddddddddddd
dddddddddddddddddddddddddddddddd
ddddddddddddddddddddddddddddddde
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssss
sssssssssssssssssssssssssssssono
X.
um tiro na testa
um tiro de besta
uma flecha na cabeça
uma cabeçada na flecha
coisas assim à portugueça
é bom que se convença
somos todos mas é de Olivença
cesariny; dez releituras
I.
Marília Palhinha
já avó
muda a fralda
a Paulinha
já netinha
Marília
Ó Ó
Marília
‘tadinha
II.
ó minha gasta em hasta
esposa... como sofres
e eu... seja... sofro de ver-te
sofrer!
e eu como sofro
de chofre sofro
nas bancadas nos estádios
em estado de sítio
em estado de índio sofro
safa!!!
e eu como o meu sogro
como sofro minha gata
perdão minha gasta em hasta esposa
e eu como sofro
(desculpa enfim a minha
por vezes pesada pata
mas já agora desempata)
e eu como sofro...
III.
queria de ti país isso isso
que passasses além do esquisso
queria de ti país por isso por isso
(e por outras)
queria de ti país
chiça! Viço! Viço!
IV.
de ser arguto
depois de enxuto
papou o fruto
proibido e apetecido
dito feito e conduto
V.
burgueses somos todos nós
desde os netos
burgueses somos todos nós
até aos avós
burgueses somos todos nós
de perna de cão alçada
burgueses somos todos nós
alegres sobre a calçada
burgueses somos todos nós
fumando caros charutos
burgueses somos todos nós
discretos olhando corruptos os putos
burgueses somos todos nós
de vodka carpindo o luto
burgueses somos todos nós
do destino absoluto
VI.
o silêncio é um tigre
há aí quem dele me abrigue?
VII.
um banho tomado a menos
que tomado o mesmo
VIII.
«qsefoda!»,
disse.
e continuou:
bebamos
que para tristezas bastam Ovídeo
e a vid(e)a.
IX.
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssoneto
ccccccccccccccccccccccccccccccc
ccccccccccccccccccccccccccccccc
ccccccccccccccccccccccccccccccc
ccccccccccccccccccccccccccccheio
dddddddddddddddddddddddddddddddd
dddddddddddddddddddddddddddddddd
ddddddddddddddddddddddddddddddde
ssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssss
sssssssssssssssssssssssssssssono
X.
um tiro na testa
um tiro de besta
uma flecha na cabeça
uma cabeçada na flecha
coisas assim à portugueça
é bom que se convença
somos todos mas é de Olivença
Histórias Fulminantes 39
Estavam os dois chefes índios sentados e a trocar impressões sobre as suas tribos, quando um deles, mais irritado, decide dar com o cachimbo da paz na cabeça do outro iniciando-se assim uma guerra que causou inúmeras mortes.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Outros Silêncios
«Não abras a boca se não tiveres a certeza de que o que vais dizer é mais belo do que o silêncio».
Provérbio Árabe
Anja
Sim, a menina que canta em baixo chama-se Anja Garbarek, filha, nem mais, do famoso Garbarek do jazz.
Grass
Descascamos, com Günter Grass, a sua cebola, mas a verdade é que não nos caem lágrimas pelas suas.
sábado, 13 de outubro de 2007
Histórias Fulminantes 38
A duquesa de Mantua deslizava pela auto-estrada ao volante do seu BMW série 7. Veloz, muito veloz, despistou-se quando, ao fechar os olhos por momentos, entoava emotivamente La Donna è Bólide.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Assim vai o mundo
1. Doris Lessing podia não ter escrito página nenhuma na sua vida; depois do seu histórico «Christ...» ao saber que vencera o Prémio o Nobel é-lhe mais do que justo.
2. Al Gore é o Nobel da Paz. Espera-se o recrudescer da guerra aos grandes poluidores.
3. Sócrates é autoritário e começa a apreciar o sabor do poder.
4. Os sub-21 perderam em Baku. Espera-se que os pupilos de Scolari não experimentem igual bateku.
5. Os Au Revoir Simone estarão em Lisboa a 5 de Dezembro. Olá pai natal!
6. Parece que um escritor mexicano foi apanhado pela Polícia em casa quando cozinhava um braço da namorada. Erro: conzinhava uma bela história, embora, para ele, de final imprevisto.
7. Os She Wants revenge têm novo disco: «This is Forever». Outro erro...
2. Al Gore é o Nobel da Paz. Espera-se o recrudescer da guerra aos grandes poluidores.
3. Sócrates é autoritário e começa a apreciar o sabor do poder.
4. Os sub-21 perderam em Baku. Espera-se que os pupilos de Scolari não experimentem igual bateku.
5. Os Au Revoir Simone estarão em Lisboa a 5 de Dezembro. Olá pai natal!
6. Parece que um escritor mexicano foi apanhado pela Polícia em casa quando cozinhava um braço da namorada. Erro: conzinhava uma bela história, embora, para ele, de final imprevisto.
7. Os She Wants revenge têm novo disco: «This is Forever». Outro erro...
Outros Silêncios
«J'écrivais des silences, des nuits, je notais l'inexprimable.»
Victoire, blog Les Silences de Victoire
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Outros Silêncios
«Esta é a fala do homem, uma dor súbita
definitivamente entregue a um deus de água.
Saída do fogo, deitada numa terra onde um
corvo poisa pela manhã, a mulher espera que
alguém a transporte para uma zona de silêncio.»
definitivamente entregue a um deus de água.
Saída do fogo, deitada numa terra onde um
corvo poisa pela manhã, a mulher espera que
alguém a transporte para uma zona de silêncio.»
Jaime Rocha, «Lacrimatória», Relógio d'Água
Dá-me o prazer desta Doris?
Doris Lessing. Acho que o problema será do nome, cheira a romancista de literatura de aeroporto, ou então imagina-se logo o nome a letras douradas sobre uma daquelas capas cor-de-rosa horríveis que costumam ver-se nas mãos dos turistas torrando ao sol nas praias do Verão algarvio, impresso em páginas entre o creme de protecção solar e a caneca de cerveja... Porque, de resto, estou como o Mexia, não mexo no que não sei; pior, não li nem um só livro da senhora. Provavalemente, porque, como muitos, andava a ler outras coisas. Roth, sim. Será que a Academia leu? De qualquer modo, muito bons escritores andarão por estas horas a uivar de inveja por esse mundo fora...
Posta restante
Catalina e a pestana
E porque é que me cheira a vontade de protagonismo este súbito regresso às lides mediáticas de Catalina Pestana, esvoejando nostálgica e descalça na praia enquanto perora sobre a continuidade dos abusos sexuais dentro de uma casa que já não rege nem visita? Não, não gosto do seu ar de padreca, daquele ar de quem é dona da verdade. Cá para mim, a Catalina entrou-lhe foi mas é uma pestana para o olho... Lá está, é a pestana que faz com que Catarina tenha passado a Catalina. Afinal, o l é uma pestana! Mas há lá alguém que se chame Catalina?!!!
Obsessões
Peço desculpa, mas só pode ser gozo para com os incréus. No telejornal da SIC, agora mesmo, ao almoço (provavelmente a ver se o incréu se engasga e vai desta para melhor): «Canonização em risco/ Vaticano tem dúvidas sobre milagres» Mas de que precisa o Vaticano para dissipá-las?: «Nova catedral custa 80 milhões de euros/ Só em 2006 esmolas atingem os 9 milhões e 300 mil euros». Mas há maiores milagres do que estes? Milhares de anónimos que nos venham depositar aos bolsos tais quantias?! Mais, voltando à SIC: «O milagre tem de ser instantâneo, duradouro e absoluto»! Por amor de Deus, «instantâneo, duradouro e absoluto, só mesmo o Nesquick (que por sinal, e por ser da Nestlé - honras à Nestlé -, é o único que eu, celíaco me confesso, posso tomar). E o que pretende o Vaticano fazer para provar essa tal espontaneidade? Enviar uns aleijadinhos para Fátima a ver se as águas bentas lhes fazem algum efeito?... Mas esta gente anda a brincar? E que tal fazer subir o assunto a comissão científica? E que tal aproveitar antes para revelar para onde vai todo o dinheiro das esmolas? Sim, porque deve haver acção social onde gastar o dinheiro! E, já agora, só porque isto me tira um bocado do sério: quando é que alguém faz o milagre de fazer desaparecer (ao contrário, portanto, das pretensas aparições) o tal Monsenhor Luciano Guerra, Reitor do Santuário? Para que conste das suas enormidades, pedindo aqui ajuda ao blog de Fernanda Câncio (5dias.net):
«Não sou dada a coleccionismo, mas há coisas que me fazem abrir excepções. É o caso dos dizeres de Monsenhor Luciano Guerra, Reitor do Santuário de Fátima.
Além dos socos na boca que não interessam nada, aqui ficam mais algumas pérolas da colecção…
«corpos esquartejados de bebés vão aparecer em lixeiras de toda a espécie, ao olhar horrorizado ou faminto de pessoas e de animais» (…) Luciano Guerra considera que a ascensão da esquerda na Europa pode levar a «abortos aos milhões e casamentos de homossexuais aos milhares» (Via Carlos Esperança)
«a castidade é uma urgência» numa sociedade com «multiplicação das ligações, simultâneas e sucessivas». Segundo este responsável, esta «multiplicação de ligações» vai gerando «situações de semi-prostituição, em todos os meios sociais». (…) «Faz-se a apologia do divórcio, desprezando os inocentes, atirados para a valeta, revoltados, deprimidos, acabando na droga, no álcool, na cadeia, no desemprego permanente, no fracasso escolar» (Via Júlio Machado Vaz)
«se o marido engana a mulher, é diferente ser no estrangeiro ou à sua frente». Porque se o faz longe, sabe-se. «Mas se faz o mal onde não há contágio, tem uma atenuante.» (Via Eduardo Prado Coelho)
E mais uma excerto da entrevista publicada na revista Notícias Sábado, do DN de sábado passado - «Tenho para mim que a falta de aproveitamento dos nossos jovens está na sexualidade, que lhes absorve a atenção, mesmo sem estímulos externos, o principal dos quais é a mulher. Você sabe como é a imaginação de um jovem. Ponha agora uma rapariga ao lado e vai ver que ele se distrai mais rapidamente do que com um homem. Os ingleses concluíram isso. Quanto mais você se concentrar num prazer menos tem concentração para aquilo que não lhe dá prazer. É por isso que os drogados coitados, acabam por se drogar noite e dia, porque estão a pensar sempre naquilo. É uma obsessão.»
«Não sou dada a coleccionismo, mas há coisas que me fazem abrir excepções. É o caso dos dizeres de Monsenhor Luciano Guerra, Reitor do Santuário de Fátima.
Além dos socos na boca que não interessam nada, aqui ficam mais algumas pérolas da colecção…
«corpos esquartejados de bebés vão aparecer em lixeiras de toda a espécie, ao olhar horrorizado ou faminto de pessoas e de animais» (…) Luciano Guerra considera que a ascensão da esquerda na Europa pode levar a «abortos aos milhões e casamentos de homossexuais aos milhares» (Via Carlos Esperança)
«a castidade é uma urgência» numa sociedade com «multiplicação das ligações, simultâneas e sucessivas». Segundo este responsável, esta «multiplicação de ligações» vai gerando «situações de semi-prostituição, em todos os meios sociais». (…) «Faz-se a apologia do divórcio, desprezando os inocentes, atirados para a valeta, revoltados, deprimidos, acabando na droga, no álcool, na cadeia, no desemprego permanente, no fracasso escolar» (Via Júlio Machado Vaz)
«se o marido engana a mulher, é diferente ser no estrangeiro ou à sua frente». Porque se o faz longe, sabe-se. «Mas se faz o mal onde não há contágio, tem uma atenuante.» (Via Eduardo Prado Coelho)
E mais uma excerto da entrevista publicada na revista Notícias Sábado, do DN de sábado passado - «Tenho para mim que a falta de aproveitamento dos nossos jovens está na sexualidade, que lhes absorve a atenção, mesmo sem estímulos externos, o principal dos quais é a mulher. Você sabe como é a imaginação de um jovem. Ponha agora uma rapariga ao lado e vai ver que ele se distrai mais rapidamente do que com um homem. Os ingleses concluíram isso. Quanto mais você se concentrar num prazer menos tem concentração para aquilo que não lhe dá prazer. É por isso que os drogados coitados, acabam por se drogar noite e dia, porque estão a pensar sempre naquilo. É uma obsessão.»
Histórias Fulminantes 37
Na loja, Bin Laden vestiu a pele do lobo e gostou de se ver ao espelho. A menina da loja até disse que lhe caía muito bem. Questionado sobre se queria experimentar a pele da avozinha, Bin Laden respondeu que não, que preferia antes experimentar a pele da Capuchinho Vermelho. Felizmente para a Capuchinho a menina da loja foi ver e não tinha o número que servisse ao cliente.
Ao autor
Vai nu o poeta nu? E para onde vai o poeta nu, se é que vai para algum lado? Outra pergunta possível: a ir, chegará a algum lado o poeta nu? E a ir nu, vai realmente nu aquele que todos os dias se veste de palavras? E logo: as palavras servem como roupa? E também: tal como alimentam a alma? Por último: tem frio, o poeta? As palavras aquecem? Ou servem apenas de combustão? O que arde melhor: uma folha em branco ou um livro de poemas? E nas cinzas de cada um, o que encontraremos: o nada? o silêncio? O que pomos de nós quando nos pomos inteiros num poema? Um poema, a arder, é a alma a arder? As palavras têm alma?
Jorge Sousa Braga
Decorrerá amanhã, no Porto, às 18h30m, no Café Piolho (Café Âncora d'Ouro), o lançamento dos livros "O Poeta Nu", de Jorge Sousa Braga e "O Século das Nuvens", de Guillaume Apollinaire (versões de Jorge Sousa Braga). Sousa Braga é um dos meus poetas portugueses favoritos, pelo que sentir-me-ia com sorte se lá pudesse estar. Sorte que não vou ter. De modo que deixo aqui o convite a quem ali possa deslocar-se, tanto mais que poderão ainda desfrutar, na ocasião, da leitura de poemas por parte de Adolfo Luxúria Canibal, João Gesta e Rui Reininho.
Shhhhh...
Porque é que não gosto de blogues com posts que nunca mais acabam e sempre com tanto para dizer?
Ora Bolas!
Cristianos de um lado, Mourinhos de outro... Olhando para a História isto um dia acaba mal. Não sei é se Scolari tem um papel nisto tudo...
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Sic(k)
Já me esquecia. Doentio. Assim vai o país. Há dias, no fim-de-semana, se não me engano, o espanto e a incredulidade perante uma capital que fecha a sua principal avenida ao trânsito para receber o arraial de aniversário de um canal televisivo privado!!! A diarreia pimba chegou à cidade num arrepio de piroseiras, discursos patéticos e gente da casa (dita jornalista) investida ao estatuto de estrelas de trazer por casa. Conclusão: alarga-se a extensão do domínio da luta!
A Outra Margem
Quem também tem novo filme a estrear, e que recomendo vivamente, é Luís Filipe Rocha. «A Outra Margem» é um tratado sobre o modo como ainda hoje se discrimina a diferença e aqueles que são diferentes da correnteza tida por normal. Na imagem, um dos protagonistas, Ricardo, vestido brilhantemente pelo actor Filipe Duarte.
Paul Auster

Quase dez anos volvidos sobre a adaptação cinematográfica de «Lulu on the Bridge», Paul Auster, escritor aqui convertido a realizador, assina mais um belo momento de cinema. Amor, mistério, fantasia, humor q.b, eis a fórmula de sucesso para um filme que traduz na perfeição muito da essência da escrita do autor. A acompanhar a estreia na Sétima, também o lançamento do igualmente mirabolante «Viagens no Scriptorium» (Edições ASA), a que deve igualmente juntar a reedição de «Poemas Escolhidos» (nas Quasi). Junto fotografia que tirei ao senhor (para entrevista a ler na próxima edição da Magazine Artes), ali rente ao Tejo, e imagem do filme em causa.
Outros Silêncios
«Silêncio. Silêncio. Silêncio.
- Hoje estás mesmo a desarrumar o silêncio, Inês...»
- Hoje estás mesmo a desarrumar o silêncio, Inês...»
«Cântico do Crime», Joëlle Ghazarian», Edições Quasi
O Problema dos Domingos
«- Inês! Como queres tu que um homem como eu, de idade madura, consiga seguir o que tu contas, sobretudo quando esse homem, que sou eu, tem andado a dormir muito mal ultimamente e quando tu misturas tudo?
- Olha, em primeiro lugar porque hoje é domingo, estás a perceber?
(...)
- Faz-te bem sair de casa ao domingo.
- Ah, pois faz.»
- Olha, em primeiro lugar porque hoje é domingo, estás a perceber?
(...)
- Faz-te bem sair de casa ao domingo.
- Ah, pois faz.»
«Cântico do Crime», Joëlle Ghazarian, Edições Quasi
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Trazidos na noite
I.
Com a tesoura
recortou a Lua. Depois
deitou-se no quarto crescente.
II.
Desde a ventania
de ontem que tento
desprender-me dos teus cabelos.
III.
Um poeta morreu
uma a uma
caíram as pétalas ao silêncio.
IV.
Grande é o verso
que condensa na sua brevidade
o fulgor do existir.
V.
Ao debruçar-se no poço
olhando o seu reflexo
o velho enrugou as águas.
VI.
Com o que lhe restava
da noite arrendou
um quarto escuro para dormir.
VII.
Quando o primeiro homem
acendeu uma fogueira na Lua
o sol não pôde senão rir.
VIII.
A cigarra fez uma pausa
para um cigarro. Depois
pôs-se a escutar o canto da noite.
IX.
Um sem-abrigo
encolhido de frio
perdeu-se dentro do umbigo.
X.
O vento do Outono
acende o Inverno
das fogueiras.
XI.
Depois de roubar
todas as flores do jardim
o rapaz abriu a escola do paraíso.
XII.
O velho
tinha a pele enrugada
como uma triste madrugada.
XIII.
O ladrão esquecera um pormenor;
ao roubar a lua
ficou sem luz para o caminho.
XIV.
Agora vem o Outono
as árvores preparam
a festa das folhas.
XV.
Vi outro dia um amigo
alheado atravessando um livro
na diagonal não pude falar-lhe.
Com a tesoura
recortou a Lua. Depois
deitou-se no quarto crescente.
II.
Desde a ventania
de ontem que tento
desprender-me dos teus cabelos.
III.
Um poeta morreu
uma a uma
caíram as pétalas ao silêncio.
IV.
Grande é o verso
que condensa na sua brevidade
o fulgor do existir.
V.
Ao debruçar-se no poço
olhando o seu reflexo
o velho enrugou as águas.
VI.
Com o que lhe restava
da noite arrendou
um quarto escuro para dormir.
VII.
Quando o primeiro homem
acendeu uma fogueira na Lua
o sol não pôde senão rir.
VIII.
A cigarra fez uma pausa
para um cigarro. Depois
pôs-se a escutar o canto da noite.
IX.
Um sem-abrigo
encolhido de frio
perdeu-se dentro do umbigo.
X.
O vento do Outono
acende o Inverno
das fogueiras.
XI.
Depois de roubar
todas as flores do jardim
o rapaz abriu a escola do paraíso.
XII.
O velho
tinha a pele enrugada
como uma triste madrugada.
XIII.
O ladrão esquecera um pormenor;
ao roubar a lua
ficou sem luz para o caminho.
XIV.
Agora vem o Outono
as árvores preparam
a festa das folhas.
XV.
Vi outro dia um amigo
alheado atravessando um livro
na diagonal não pude falar-lhe.
Outros Silêncios
«Protecção da poesia
Graças ao sistema de subsidiar os poetas, alcançaram-se no nosso país muitos dos melhores êxitos que o silêncio jamais obteve».
Graças ao sistema de subsidiar os poetas, alcançaram-se no nosso país muitos dos melhores êxitos que o silêncio jamais obteve».
Carta a Carlos Monsiváis
«O Resto é Silêncio», Augusto Monterroso, Oficina do Livro
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Ide à Póvoa!
No próximo Domingo, perto de uma centena de figurantes, vestidos com trajes feitos à mão, segundo reproduções da época, vão participar num cortejo renascentista, na Póvoa de Varzim. A animação que teria tido um acontecimento destes e a possibilidade de assistir à passagem do cortejo real de D. Manuel I vão encher de vida e colorido as ruas da cidade, no dia 14, a partir das 15h30. Pelos anos de 1500, o rei D. Manuel I terá ido em peregrinação a Santiago de Compostela e, apesar de não se saber qual o caminho que terá seguido para ir até à cidade galega, admite-se que terá pernoitado em Vila do Conde, passando, em seguida, pela Póvoa de Varzim. Para este cortejo foram desenhados e confeccionados 70 fatos completos, todos feitos à mão e com tecidos que se procurou fossem o mais aproximados possível aos da época, o século XVI. O cortejo irá percorrer a cidade desde a zona sul até ao norte, cumprindo o seguinte itinerário: Largo da Lapa, Rua 31 de Janeiro, Praça da República, Rua da Junqueira, Rua dos Cafés, Passeio Alegre e Avenida dos Descobrimentos.
Histórias Fulminantes 36
Sinal dos tempos: Penélope, farta de esperar por Ulisses, decidiu modernizar-se e trocar as agulhas e linhas por jogos de computador. Ainda assim, fiel à lenda, esperou pelo seu amado. Ainda assim, quando ele chegasse não se livraria de uma boa conversa, em banda larga...
sábado, 6 de outubro de 2007
doclisboa
«Enemies of Hapiness»
«These Girls»De 18 a 28 de Outubro, a Culturgest, Cinemas Londres e São Jorge, em Lisboa, recebem a 5ª edição do doclisboa. Aqui, resumida antecipação de alguns documentários já vistos e a ver.
These Girls [Competição Internacional]
De Tahani Tached
66´ Egipto 2006
Estreado no festival de Cannes 2006, "These Girls" leva-nos até ao universo das raparigas adolescentes que vivem nas ruas do Cairo. Estas mulheres, crianças ou mães, também mães e crianças ao mesmo tempo, desafiam diariamente os mais variados perigos e preconceitos sociais. As ruas e os jardins onde dormem são um universo de violência, medo e liberdade. Da vida como um constante desafio e provação, da condição da mulher enquanto motor de vida e luta.
De Tahani Tached
66´ Egipto 2006
Estreado no festival de Cannes 2006, "These Girls" leva-nos até ao universo das raparigas adolescentes que vivem nas ruas do Cairo. Estas mulheres, crianças ou mães, também mães e crianças ao mesmo tempo, desafiam diariamente os mais variados perigos e preconceitos sociais. As ruas e os jardins onde dormem são um universo de violência, medo e liberdade. Da vida como um constante desafio e provação, da condição da mulher enquanto motor de vida e luta.
La liste de Carla [Investigações]
De Marcel Schupbach
95´Suíça 2006
No Tribunal Penal Internacional, Carla Del Ponte esforça-se por conseguir a prisão dos últimos responsáveis pelas maiores atrocidades cometidas durante a guerra na ex-Jugoslávia: Ratko Mladic, Radovan Karadzic e Ante Gotovina. "La Liste de Carla" foi o primeiro documentário a ter acesso ao interior do TPI e a poder seguir o trabalho quotidiano ali levado a cabo para capturar aqueles homens. Processo feito de inúmeros avanços e recuos, a história da maior caça ao homem de todos os tempos é também uma investigação sobre os limites da justiça internacional e do TPI. Documentário sobre uma história in progress, para relembrar uma ferida ainda demasiado viva para ser esquecida.
De Marcel Schupbach
95´Suíça 2006
No Tribunal Penal Internacional, Carla Del Ponte esforça-se por conseguir a prisão dos últimos responsáveis pelas maiores atrocidades cometidas durante a guerra na ex-Jugoslávia: Ratko Mladic, Radovan Karadzic e Ante Gotovina. "La Liste de Carla" foi o primeiro documentário a ter acesso ao interior do TPI e a poder seguir o trabalho quotidiano ali levado a cabo para capturar aqueles homens. Processo feito de inúmeros avanços e recuos, a história da maior caça ao homem de todos os tempos é também uma investigação sobre os limites da justiça internacional e do TPI. Documentário sobre uma história in progress, para relembrar uma ferida ainda demasiado viva para ser esquecida.
A Casa do Barqueiro [P]
De Jorge Murteira
63´Portugal 2007
Paulino é o último barqueiro da Amieira do Tejo. Entre as duas margens do rio é ele quem assegura a ligação. Mas raros são os passageiros e a seu posto de trabalho será brevemente extinto pelo poder. Enquanto isso não acontece, Paulino faz da barraca sobre o rio a sua casa improvisada. Vive ao ar livre e só recolhe quando a chuva, o frio ou o vento apertam. Pede e resmunga uma nova casa em condições. Mas quem o ouve? No Inverno e no Outono, aguarda sozinho os clientes perto da fogueira sobre o vale do rio, atento à passagem dos comboios que raramente trazem fregueses. Passam as estações, mantém-se inalterada a bonomia deste derradeiro barqueiro condenado ao inferno da extinção. Um bonito filme que logo, logo será memória.
De Jorge Murteira
63´Portugal 2007
Paulino é o último barqueiro da Amieira do Tejo. Entre as duas margens do rio é ele quem assegura a ligação. Mas raros são os passageiros e a seu posto de trabalho será brevemente extinto pelo poder. Enquanto isso não acontece, Paulino faz da barraca sobre o rio a sua casa improvisada. Vive ao ar livre e só recolhe quando a chuva, o frio ou o vento apertam. Pede e resmunga uma nova casa em condições. Mas quem o ouve? No Inverno e no Outono, aguarda sozinho os clientes perto da fogueira sobre o vale do rio, atento à passagem dos comboios que raramente trazem fregueses. Passam as estações, mantém-se inalterada a bonomia deste derradeiro barqueiro condenado ao inferno da extinção. Um bonito filme que logo, logo será memória.
Metamorfoses [Portugueses]
De Bruno Cabral
48´Portugal 2007
Um documentárioque acompanha a encenação de uma adaptação de "A Metamorfose", de Franz Kafka, pela companhia de teatro Crinabel. A companhia, que atingiu inúmeros sucessos ao longo dos seus vinte anos de existência, reúne um elenco de 14 actores. Tudo isto seria relativamente banal se a companhia não fosse formada maioritariamente por actores com deficiências mentais e trissomia 21. De que forma se processa o delicado trabalho de criação deste espectáculo? Que expectativas individuais e de grupo se geram à volta desta criação? Como é que cada um enfrenta e tenta superar os seus medos e dificuldades? Um filme sobre a diferença, o ser diferente e o tentar esbater ou mitigar essa diferença, filme que poderia muito bem ser visto em complemento do filme de Luís Filipe Rocha, «A Outra Margem», também este mês a estrear.
De Bruno Cabral
48´Portugal 2007
Um documentárioque acompanha a encenação de uma adaptação de "A Metamorfose", de Franz Kafka, pela companhia de teatro Crinabel. A companhia, que atingiu inúmeros sucessos ao longo dos seus vinte anos de existência, reúne um elenco de 14 actores. Tudo isto seria relativamente banal se a companhia não fosse formada maioritariamente por actores com deficiências mentais e trissomia 21. De que forma se processa o delicado trabalho de criação deste espectáculo? Que expectativas individuais e de grupo se geram à volta desta criação? Como é que cada um enfrenta e tenta superar os seus medos e dificuldades? Um filme sobre a diferença, o ser diferente e o tentar esbater ou mitigar essa diferença, filme que poderia muito bem ser visto em complemento do filme de Luís Filipe Rocha, «A Outra Margem», também este mês a estrear.
Enemies of Happiness [Vento Norte]
De Eva Mulvad
58´Dinamarca 2006
Malalai Joya, uma mulher afegã de 28 anos, é candidata às eleições da assembleia nacional afegã. Trata-se da primeira eleição parlamentar democrática no Afeganistão em 30 anos. Rodeada de seguranças, a candidata tenta defender as suas ideias políticas apesar de ter sobrevivido a quatro tentativas de assassinato e receber constantemente ameaças de morte. Ao longo da campanha, encontra-se todos os dias com mulheres que lhe fazem parte da sua vida e das suas dificuldades diante da câmara. Um retrato único das condições de vida no Afeganistão, destruído pela guerra, e onde as tradições têm ainda um peso determinante. Como pode a democracia vingar num país onde os votos são comprados e onde as mulheres não têm condições para votar livremente? Um filme que nos recorda que a democracia não pode ser imposta pela simples presença de diplomatas e de soldados ocidentais. Vencedor do Grande Prémio do Júri no Festival de Sundance em 2007. Um filme sobre a força das mulheres, obrigadas a lutar quase sozinhas contra milenares mentalidades retrógradas, um filme para vergonha dos homens e orgulho feminino.
De Eva Mulvad
58´Dinamarca 2006
Malalai Joya, uma mulher afegã de 28 anos, é candidata às eleições da assembleia nacional afegã. Trata-se da primeira eleição parlamentar democrática no Afeganistão em 30 anos. Rodeada de seguranças, a candidata tenta defender as suas ideias políticas apesar de ter sobrevivido a quatro tentativas de assassinato e receber constantemente ameaças de morte. Ao longo da campanha, encontra-se todos os dias com mulheres que lhe fazem parte da sua vida e das suas dificuldades diante da câmara. Um retrato único das condições de vida no Afeganistão, destruído pela guerra, e onde as tradições têm ainda um peso determinante. Como pode a democracia vingar num país onde os votos são comprados e onde as mulheres não têm condições para votar livremente? Um filme que nos recorda que a democracia não pode ser imposta pela simples presença de diplomatas e de soldados ocidentais. Vencedor do Grande Prémio do Júri no Festival de Sundance em 2007. Um filme sobre a força das mulheres, obrigadas a lutar quase sozinhas contra milenares mentalidades retrógradas, um filme para vergonha dos homens e orgulho feminino.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
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