segunda-feira, 10 de setembro de 2007

sábado, 8 de setembro de 2007

Ora Bolas!

Portugal vence por 2 a 1 depois de ter conseguido dar a volta a um resultado negativo. Minuto 86, já depois da reviravolta: a imagem televisiva mostra Scolari aos berros e gestualizando, mandando os jogadores para trás, tudo a defender. Minuto 87, um remate de um polaco empata o jogo. São detalhes. Outro: tem um génio (Quaresma) pronto a jogar e deixa-o a aquecer o banco até cerca de quinze minutos do final! É mais ou menos como se se tivesse um Einstein e apenas o puséssemos a ir à escola aos 50 anos. A Scolari é óbvio que falta «scolarização futebolística» e o pior é que outro iluminado como o Madail não consegue sequer isso perceber! Génios!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Dr. House... of music


Estamos quase lá. A 15 de Outubro estará disponível a banda sonora da série televisiva mais badalada nos últimos tempos (não a melhor... «Erva», pois claro), «Dr. House». Mas trata-se, ainda assim, de coisa apetecível, tanto mais que conta com alinhamento de luxo, a saber:

1. Dr.House Theme Song

2. See The World, Gomez

3. Walter Reed, Michael Penn

4. Beautiful, Elvis Costello

5. Dear God, Sarah McLachlan

6. Feelin' Alright, Joe Cocker

7. Waiting On An Angel, Ben Harper

8. Got To Be More Careful, John Cleary And The Absolute MonsterGentlemen

9. God, Please Let Me Go Back, Josh Rouse

10. Are You Alright?, Lucinda Williams

11. God Man, Josh Ritter

12. You Can't Always Get What You Want, Band From TV

Sinto-me com sorte...

... se amanhã conseguir boas fotos na festa dos camaradas! No Seixall, pois claro.

Ora Bolas!

Génios ouvidos em início de temporada: o treinador que garante nas rádios e nas televisões «jogar o jogo pelo jogo»... Mas alguém me explica o que diabo é isso?

Outros Silêncios

«Ali, exíguo,
esperando
no Palácio das Feras.
Cristão na sua catacumba.

Um nobre silêncio.

A própria sombra
o não perturba.

Nem o desejo
contemplativo de renascer.

É um buda, decrépito.»

«O Leão», de António Osório,
«Adão, Eva e o Mais e Planetário e Zoo dos Homens», Gótica

Pavarotti

deus despertando da sua serenidade
os anjos nas nuvens
suspendendo as brincadeiras
as harpas acordando
os seus segredos milenares
cadentes
ecos de outros precipícios

virá a voz
para o concerto das constelações

em setembro
uma criança na noite
puxará a mão da mãe

apontando no céu
a música das estrelas.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

O Problema dos Domingos

Quando chega domingo,
faço tenção de todas as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida.

Há quem vá para o pé das águas
deitar-se na areia e não pensar...
e há os que vão para o campo
cheios de grandes sentimentos bucólicos
porque leram, de véspera, no boletim do jornal:
«Bom tempo para amanhã»...
Mas uma maioria sai para as ruas pedindo,
pois nesse dia
aqueles que passeiam com a mulher e os filhos
são mais generosos.

Um rapaz que era pintor
não disse nada a ninguém
e escolheu o domingo para se matar.
Ainda hoje a família e os amigos
andam pensando porque seria.
só não relacionam que se matou num domingo!...
Mariazinha Santos
(aquela que um dia se quis entregar,
que era o que a família desejava,
para que o seu futuro ficasse resolvido),
Mariazinha Santos
quando chega domingo,
vai com uma amiga para o cinema.
deixa que lhe apalpem as coxas
e abafa os suspiros mordendo um lencinho que a sua mãe lhe bordou,
quando ela era ainda muito menina...
Para eu contar isto
é que conheço todas as horas que fazem um dia de domingo!
À hora negra das noites frias e longas
sei duma hora numa escada
onde uma velha põe a sua neta
e vem sorrir aos homens que passam!
E a costureirinha mais honesta que eu namorei
vendeu a virgindade num domingo
porque é o dia em que estão fechadas as casas de penhores!

Há mais amargura nisto
que em toda a História de Guerras.

Partindo deste princípio,
que os economistas desconhecem ou fingem desconhecer,
eu podia destruir esta civilização capitalista, que inventou o domingo.
e esta era uma das coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida!

Então,
todas as raparigas amariam no tempo próprio
e tudo seria natural
sem mendigos nas ruas nem casas de penhores...
Penso nisto, e vou a grandes passadas...
E um domingo parei numa praça
e pus-me a gritar o que sentia,
mas todos acharam estranhos os meus modos
e estranha a minha voz...
Mariazinha Santos foi para o cinema
e outras menearam as ancas
– ao sol
como num ritual consagrado a um deus! –
até chegar o homem bem-amado entre todos
com uma nota de cem na mão estendida...

Venha a miséria maior que todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu fique rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras:
venha a ânsia do peito para os braços!

E vou a grandes passadas
como um louco maior que a sua loucura...
O rapaz que era pintor
aconchegou-se sobre a linha férrea
para que a morte o desfigurasse
e o seu corpo anónimo fosse uma bandeira trágica
de revolta contra o mundo.
Mas como o rosto lhe estava intacto
vai a família ao necrotério e ficou aterrada!
Conheci-o numa noite de bebedeira
e acho tudo aquilo natural.
A costureirinha que eu namorei
deixava-se ir para as ruas escuras
sem nenhum receio.

Uma vez que chovia
até entrámos numa escada.
somente sequer um beijo trocámos...
E isto porque no momento próprio
olhava para mim com um propósito tão sereno
que eu, que dela só desejava o corpo bem feito,
me punha a observar o outro aspecto do seu rosto,
que era aquela serenidade
de pessoa que tem a vida cheia e inteira.
No entanto, ela nunca pôs obstáculo
que nesse instante as minhas mãos segurassem as suas.
Hoje encontramo-nos aí pelos cafés...
(ela está sempre com sujeitos decentes)
e quando nos fitamos nos olhos,
bem lá no fundo dos olhos,
eu que sou homem nascido
para fazer as coisas mais heróicas da vida
viro a cabeça para o lado e digo:
– rapaz, traz-me um café...
O meu amigo, que era pintor,
contou-me numa noite de bebedeira:
– Olha
quando chega domingo,
não há nada melhor que ir para o futebol...
E como os olhos se me enevoassem de água,
continuou com uma voz
que deve ser igual à que se ouve nos sonhos:
– ... no entanto, conheço um homem
que ia para a beira do rio
e passava um dia inteirinho de domingo,
segurando uma cana donde caía um fio para a água...
... um dia pescou um peixe,
e nunca mais lá voltou...
... O pior é pensar:
que hei-de fazer hoje, que toda a gente anda alegre
como se fosse uma festa?... –
O rapaz que era pintor sabia uma ciência rara,
tão rara e certa e maravilhosa
que deslumbrado se matou.

Pago o café e saio a grandes passadas.
Hoje e depois e todos os dias que vierem,
amo a vida mais e mais
que aqueles que sabem que vão morrer amanhã!

Mariazinha Santos,
que vá para o cinema morder o lencinho que sua mãe lhe bordou...
E os senhores serenos, acompanhados da mulher e dos filhos,
que parem ao sol
e joguem um tostão na mão dos pedintes...
E a menina das horas longas e frias
continue pela mão da sua avó...
E tu, que só andas com cavalheiros decentes,
ó costureirinha honesta que eu namorei um dia,
fita-me bem no fundo dos olhos,
fita-me bem no fundo dos olhos!

Então,
virá a miséria maior que todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu ficarei rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras:
e virá a ânsia do peito para os braços!...

Domingo que vem,
eu vou fazer as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Histórias Fulminantes 27

Não tinha grandes dotes naturais para a leitura pelo que decidiu antes escrever o futuro e não lê-lo, ao contrário dos outros bruxos e bruxas seus colegas. O problema é que a sua escrita tinha erros de sintaxe e de conjugação de verbos, tendo igualmente dificuldades com a gramática e a pontuação. A uma senhora prognosticou um dia que viveria «sem ânus», ao que ela, aquilo lendo, deixou o seu escritório aflita e a chorar.

O Meu Stander


Fatacil 2007






terça-feira, 4 de setembro de 2007

O Perdão

Um erro: a troca do apelido Vilar pelo nome Hilário. Ao senhor Padre Manuel Vilar peço perdão. O facto é que a sonoridade próxima entre Vilar e Hilário (nome que me foi transmitido no meio de festa e burburinho) me levou ao engano. Pena que o senhor Padre não se chamasse, na realidade, Vegar, em vez de Vilar; talvez aí, mesmo se incorrendo no erro de percepção, o alcance do lapso não tivesse sido tanto, isto porque, provavelmente, eu teria entendido Vigário e, nesse caso, a coisa ainda se disfarçaria... Está na «Magazine Artes» deste mês.

EPC

Pois. O grande professor, o grande crítico, o grande polemista, o escritor também. Eu, que apenas fui almoçar com ele uma vez, a um restaurante ali perto do Largo da Luz, lembro apenas, para além das crónicas que todos íamos lendo, e dos seus livros que tenho em casa, a sua amabilidade e vontade para ajudar. Ajudar? Eu conto, ou recordo. Tinha a «Magazine Artes» apenas duas, três edições, e logo, para grande surpresa geral, minha em particular, uma coluna de opinião no «Público» - cheia de apreciações positivas -, a levantar a moral das hostes de quem tinha levantado (levantava, levanta ainda) do quase nada uma revista de artes e cultura mensal. Do nada, leia-se, sem quaisquer apoios , sem ter sequer por trás um qualquer grupo editorial cujos diversos títulos e negócios paralelos vão amortecendo os maus desempenhos mensais da publicidade. Ao almoço, bem conversado, EPC quis saber tudo sobre quem estava por trás do projecto, adivinhando que era gente nova, pouca, mas cheia de vontade, adivinhando as dificuldades com que deparávamos (e por isso mesmo sentiu que nos devia ajudar), e o mais que disse não ficará bem a mim relembrá-lo, apenas reiterando o que tinha escrito. E que voltaria a escrever meses mais tarde, voltando a dar confiança ao projecto. Lembro-me dele a ir visitar-nos à Estrada da Luz, no pequeno e mal amanhado apartamento onde iniciámos a «Magazine», a entrar sorridente e afável, a querer «apadrinhar» o projecto com a sua visita. Lembro-me dele ainda na última Feira do Livro, respondendo com um sorriso velado a uma qualquer chamada de atenção crítico-discordante de Isabel Pires de Lima. E lembro-me de o cumprimentar e de lhe dizer até à próxima.

Outros Silêncios

«crescer: resta a consolação de com os dedos
podermos fazer quase tudo e ter nos olhos silêncios...»

João Luís Barreto Guimarães, «Há Violinos na Tribo», em «Desfocados Pelo Vento», Quasi

Portanto

«Portanto, ainda que os rochedos, ainda que o dente do arado que a tudo resiste venham a perecer com o tempo, a poesia está livre de morte.»

Ovídeo, «Amores», Cotovia

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Histórias Fulminantes 27

Na Palestina a tensão social era tamanha que às tantas, depois de muito puxa para cá e puxa para lá, a corda da paz cedeu e rompeu-se. Com o súbito impulso, alguns membros da Al Qaeda foram rechaçados indo parar aos Estados Unidos. Foi então que começaram a congeminar o ataque às Torres Gémeas.

O Problema dos Domingos

«Não quero escrever mais, odeio os domingos, mas não é por isso, nunca gostei deles e hoje gosto ainda menos.»
Wendy Guerra, «Diários de Havana», Ambar

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

E agora para um momento poético


com manhas de gps

fui hoje aos olivais

arribando pela tarde

à rua de manhiça:


prédios difíceis com pouco

sabor a casa janelas

voltadas para o silêncio

com rio em fundo...


de áfrica pouco vi ou senti

senão o calor que cala

em Lisboa como em Canacassala


gente? pelas ruas pouca

abandonada ao vazio

de uma sexta-feira céu de boca





E já que Pacheco, o outro pelo primeiro



Depois de lembrar, outro dia, o documentário sobre o Luiz Pacheco, na RTP 2: «Eu mostrar-te-ia o Quengue, o Camecungo, aprendi depressa uma guerra e digo: algum dia hás-de ouvir-me, digo que não dormias, quem dorme é o Luiz Pacheco mas a esse desculpo e empresto vintes.» E lembro ainda que quando, há uma boa mão-cheia de anos, o amigo jornalista trota-mundos Tiago Salazar foi entrevistar o Pacheco (não sei se ao Telhal) é claro que o dito, ouvindo o apelido do jovem repórter, que ainda por cima vinha pel'«O Diabo», tratou de o receber com forte aleivosia de palavreado!

Outros Silêncios

«As palavras tornam-se esquivas. Com o silêncio
falaríamos melhor de tudo isto. (...)
Com o silêncio, o silêncio sem nome:
morrermos a meio do filme»

Fernando Assis Pacheco, «Cuidar dos Vivos» - «A Musa Irregular», Edições ASA

Momento insecto-poético

é o diabo diria - que o gajo de certeza ria -
travestido a louva-a-deus atarantada
que aterra a nojenta desgraçada
no mármore da cozinha; juro-te eu vi-a!

onde? onde? apunhala-se-me o nervo
num infantil arrepio de pele
nó na garganta mais apertado que anel
ferve a reta e também eu fervo

dá-lhe com o insecticida
carrega-lhe sem dó nem medida
torna-te por favor insectomicida

que te perdoo e abençoo
benzendo a bicha ainda a tentar voo
com mortal jornalada adeus que enjoo!

Nelson Évora


Nelson Évora, pois claro, ainda que do Benfica (o que, sendo mau, enfim, acontece...), um atleta que, ao contrário dos jogadores de futebol dos águias rosa, atira-se para o chão mas para ganhar medalhas de ouro. Este, sim, devia ganhar o que aquelas aves raras do tal Camacho-novo-Salvador ganham.

Sinto-me com sorte...


... se vir mais jogos de ténis como os que opuseram Stepanek a Djokovic, ou como aquele em que o nervoso russo Gabashvili ganhou «aos pontos» ao argentino Gonzalez; pena que Teimuraz vacilou depois frente ao norte-americano Ginepri. Tudo para dizer que o US Open me tem mantido acordado até bem tarde, tudo para dizer que quando vejo ténis assim tenho pena. Tenho pena, ponto. Ou prontos!