terça-feira, 14 de agosto de 2007
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Outros Silêncios
que as vozes se encaminham...»
Biblioteca

quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Borg vs Alexandre Andrade

Outros Silêncios
são palavras
ou veios de papel?»
Cesariny relançado
Ironias Salazarentas
Erva
Histórias Fulminantes 23
Outros Silêncios
o sol dançava entre os dedos
as rosas perturbavam o tempo.»
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Ora Bolas!
Outros Silêncios
Andava devagar e escuro - meio formado em
silêncio.»
«Porém, vendo o Homem
que as moscas não davam conta de iluminar o
silêncio das coisas anónimas -
passaram essa tarefa para os poetas.»
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Gira-Discos - The Bongos

O sucesso!
Eu escritor, obviamente demito-me!
Ora Bolas!
domingo, 5 de agosto de 2007
Histórias Fulminantes 22
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Gira-Discos
Histórias Fulminantes 21
Outros Silêncios
E a palavra levanta-se ondula e cai
E é uma longa ferida e um silêncio cristalino»
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Histórias Fulminantes 20
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Doping
francamente
da volta à frança
não gosto
francamente
de com o final
da volta à frança
voltar
invariavelmente
a pedalar
o ar
de lisboa
Ditos treslidos
é de coiro - aprendeu
a golpe de chibatadas
o preso que se recusou
a delatar os seus companheiros
Anomalias - Conto a conta-gotas - Fim
Prédios de má fama
Quando o homem que chorava por não ter aberto a porta ao amor, quando este lhe bateu à porta, reuniu dinheiro suficiente, mercê da sua mediatização televisiva e colunas de opinião pagas a peso de ouro, deixou o apartamento do prédio onde morava. Mudou-se então para um condomínio privado e passou a abastecer com as suas lágrimas ininterruptas, diluvianas, a piscina respectiva. Não era, contudo, feliz, porque se é bem certo que ter dinheiro dá muito jeito, a verdade é que não abrir a porta ao amor é muito mais grave do que não abri-la à sorte grande. Por sorte, no seu caso, o não ter aberto a porta ao amor foi como se tivesse aberto a porta à sorte grande. Não é assim tão complicado. Complicada, tornou-se, alguns meses depois, a vida do senhor do 7º, que, tendo já decorrido algum tempo, continuava a não pagar rendas e, encostado à parede pelos vizinhos condóminos, viu-se na circunstância de ter de aceitar a administração do condomínio. É claro que não aguentou e desta é que foi, ou melhor, se foi: mandou-se em voo livre. Era demais para um prédio que já tinha tanta má fama e publicidade; tremeu nos alicerces e ruiu acabando com a história.
domingo, 29 de julho de 2007
Anomalias - Conto a conta-gotas
XIX.
Presidente honorário (mas sem honorários)
No prédio do senhor do 7º, o que tinha ameaçado suicidar-se por causa da chinfrineira do homem que continuava a chorar por não ter aberto a porta ao amor, e que só não se suicidou por lhe tinham desculpado as rendas de condomínio em atraso, todos tinham ficado boquiabertos com a notícia do triplo assassinato, porque todos de imediato reconheceram a cara da Dona Sandra, a menina do prédio ali ao lado, aquela que, afinal, como vieram a saber, era a dona do tal cão que tinha sido abandonado, depois apedrejado até à morte por miudagem de má rês e, por fim, lançado no fundo do poço a que, em tempos, chamavam dos desejos. A verdade é que o choque não foi maior do que quando todos souberam que Sandra, afinal, era a dona do Bones, o pobre do cão que, abandonado por troca com umas férias-de-trabalho no Algarve, arriscou ladrar à solidão e foi morto, facto em consequência do qual resultou o tal cheiro estranho e pestilento que durante alguns dias alarmou e intrigou a vizinhança a ponto de ter surgido nos elevadores uma missiva em papel A4 pedindo a todos os condóminos que verificassem se nas suas arrecadações não estaria algum animal morto ou outra qualquer «anomalia» – foi o termo utilizado. Como o choque não foi maior, porque abandonar um cão é coisa que não se faz, o único comentário que se ouviu, da boca do senhor Azevedo, que por acaso até era presidente honorário (mas sem honorários) da mesa da assembleia financeira do Clube Português de Canicultura foi: «Puta que a pariu, cá se fazem cá se pagam.» O senhor Azevedo, já nos esquecíamos de dizer, era também o dono do Misha – um homem amargurado, portanto, desde que o seu gato desaparecera sem se dignar telefonar-lhe.
Quando o homem que chorava por não ter aberto a porta ao amor... ... Mudou-se então para um condomínio privado... ... Por sorte, no seu caso, o não ter aberto a porta ao amor foi como se tivesse aberto a porta à sorte grande...
sábado, 28 de julho de 2007
E agora, para um momento poético
em ponto de rebuçado
e os homens crianças
disputando apenas o chupa
chupa à boa vontade
de um deus descontraindo
em férias na noite
de todas as esplanadas
rente ao mar do Verão
sexta-feira, 27 de julho de 2007
E se...
Anomalias - Conto a conta-gotas
XVIII.
A morte da esposa antes do Jorge Gabriel
O Alves soube da morte da esposa pelos noticiários televisivos. Foi mesmo quando estava prestes a mudar o canal para ouvir os comentários do Jorge Gabriel que a voz da locutora lhe prendeu a atenção ao falar num triplo assassinato em Lisboa. A verdade é que as mortes de Juliana e de Sandra (bem analisada a história, apenas porque falavam e falaram demais) apenas tiveram eco porque a elas se sucedeu, cronologicamente, a morte do homem de fato cinzento. Sim, porque a morte de um homem que veste fato cinzento, que se faz deslocar num BMW série 7, tem lugar reservado na garagem, pisca o olho às secretárias, passa horas na Internet a jogar póquer e ver miúdas, conversa sobre bola entre amena cavaqueira futebolística ao fim da tarde, e, sobretudo, é um empresário bem sucedido numa nova área de negócios tão prometedora como a da venda de Silêncio, é claro que essa morte é sempre mais relevante do que morte, ainda que tão brutal, de meros funcionários anónimos do sistema. No caso concreto, e como as três mortes estavam relacionadas, pelo menos assim logo a Polícia o deduziu, verificando o calibre das munições utilizadas, quer o homem de fato cinzento, quer Juliana e Sandra, tiveram direito aos seus famosos quinze minutos de estrelato televisivo – pena é que não estivessem vivos para assistir... «Foda-se!», disse o Alves. E sorriu com a sorte que tivera! «E não é que foi outro cabrão qualquer a sujar as mãos, poupando-me ao trabalho!», comentou, logo, logo carregando no botão do comendo televisivo a ver se ainda apanhava os comentários do Gabriel. Alves estava feliz, mesmo que desconhecendo que enviuvava cornudo, mesmo ignorando o balúrdio que iria ter de gastar com o enterro da Juliana.
Cenas da próxima gota:
terça-feira, 24 de julho de 2007
Outros Silêncios
Anomalias - Conto a conta-gotas
Abílio confere a cor do fato
Se há coisa de que malandro não gosta é de ser ludibriado por malandro. Abílio, homem à antiga, educado na base do ou respeita ou se mata, não esteve com meias medidas. Comprou uma pistola com silenciador e começou a limpeza. Juliana foi a primeira vítima, mas só depois de obrigada a contar a quem tinha passado a informação sobre a qual jurara silêncio. Passo seguinte, Abílio pegou no seu velhinho Fiat 124, agora em versão Tunning, e dirigiu-se à empresa onde Juliana trabalhava. Juliana, Sandra e o homem de fato cinzento. Entrou, disse ao porteiro que ia levar uma carta ao Senhor Doutor – «Aquele, o de fato cinzento? – «Esse mesmo!» –, subiu, tocou à campainha e entrou. Sandra nem teve tempo para perceber quem ele era, o que queria e ao que vinha. Levou um balázio no meio da testa e caiu no chão. Um Abílio furioso, podemos garanti-lo, é uma das piores coisas que pode acontecer a alguém. Senão vejam, com um pontapé na porta do gabinete do homem de fato cinzento, Abílio entra de rompante, confere a cor do fato, dá uma espreitadela ao site de miúdas que estava linkado na Net e, acto contínuo, desfere mais um tiro certeiro na testa do homem de fato cinzento que estava mais branco do que um rato branco. Com a calma que assiste aos assassinos, Abílio foi-se embora não sem antes agarrar na chave do BM. Algum proveito havia de tirar da cornatura. Nunca tinha entrado numa máquina daquelas. Acelerou a fundo e desapareceu. Pensa-se que fugiu para Espanha, onde, julgava, havia boas possibilidades de o seu negócio vingar e onde talvez ainda ninguém se tivesse lembrado da ideia.
Cenas da próxima gota:
O Alves soube da morte da esposa pelos noticiários televisivos... ... «Foda-se!», disse o Alves. E sorriu com a sorte que tivera!... ... Alves estava feliz, mesmo que desconhecendo que enviuvava cornudo...
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Cultura do futebol?
Anomalias - Conto a conta-gotas
Quando o Abílio se apercebeu, ao dirigir-se ao Registo Nacional de Propriedade Industrial, de que fora «passado para trás» e que, algures no caminho entre a germinação da sua fabulosa ideia e as suas démarches para a pôr em prática, houvera uma fuga de informação, que é como quem diz «fuga de Juliana», passou-se dos cornos. Sim, porque nem só o Alves tinha cornos. Cornos, aliás, há-os de várias espécies, e estes, com que a puta da Juliana e, por corolário, Sandra e o homem de fato cinzento, lhe tinham adornado a testa, também não eram dos melhores e mais fáceis de suportar. Como era homem à antiga, armou-se logo de decisões e vinganças. Estava visivelmente fora de si e caminhava pelas ruas com um ar eufórico. Ai de quem lhe tolhesse passo! O que lhe tolheu a passada foi uma montra. Uma montra muito jeitosa, decorada apenas com um pano de seda de cor leitosa. E era sobre esse manto branco, puro e angelical, que surgiam, pela primeira vez, aos olhos de Abílio os diversos CDs da colecção «O Silêncio Quando Nasce é Para Todos». Já os cornos de Abílio mais lhe cresciam e os seus olhos lhe largavam as órbitas, quando repara que nas ruas, ali ao seu lado, diversos transeuntes levavam já os CDs nas mãos. Já em casa, explodiu de raiva ao ver as aberturas dos noticiários, dando conta das edições rapidamente esgotadas dos CDs contendo silêncio, e o anúncio publicitário onde o homem que chorava por não ter atendido quando o amor lhe bateu à porta promovia a supracitada colecção «O Silêncio Quando Nasce é Para Todos».
Cenas da próxima gota:
Se há coisa de que malandro não gosta é de ser ludibriado por malandro... ... Abílio pegou no seu velhinho Fiat 124, agora em versão Tunning, e dirigiu-se à empresa onde Juliana trabalhava... ... Abílio foi-se embora não sem antes agarrar na chave do BM... ... Acelerou a fundo e desapareceu.
sábado, 21 de julho de 2007
Árvores











o homem, a fera e o insecto à sombra delas
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
Outros Silêncios
Histórias Fulminantes 19
Anomalias - Conto a Conta-Gotas
O-i-o-ai, só a mim ninguém me cala
A história do homem que chorava ininterruptamente por causa de não ter aberto à porta ao amor ainda fazia correr tinta nos jornais e justificava tempos de antena nos programas televisivos da manhã, bem como nas aberturas de noticiários em horário nobre. Acreditem ou não, o nosso homem que chorava tornou-se, também ele, comentador televisivo, assumindo primeiro plano e granjeando vastas audiências. Começou também a assinar crónicas em jornais, uma delas num novo semanário, chamando à sua coluna «Chorar ao Sol». Numa revista cor-de-rosa, o título da coluna era outro: «Chorar sobre o Molhado». O homem que chorava estava na moda e foi nele que o homem de fato cinzento, ainda ao volante do seu BMW, pensou para assumir o rosto da campanha publicitária que na sua cabeça já fermentava. Seria uma coisa simples, mas eficaz. No ecrã televisivo aparecia o nosso homem que chorava precisamente a chorar durante alguns largos segundos e depois o som do seu pranto baixava, ouvindo-se a pergunta: «Está a ouvir este homem? É um homem que chora por todos os lados. Quantas vezes já pediu a Deus que o calasse? Fale connosco, o seu vizinho do 7º já o fez e reencontrou a felicidade.» Noutro anúncio, dezenas de bebés surgiam à volta de um homem sentado numa poltrona a tentar ouvir o Jorge Gabriel no «Jogo Falado». Lentamente, a câmara aproximava-se dos olhos do homem e aquilo que mostrava era um olhar apavorado, ouvindo-se de seguida «Se não pode calá-los, junte-se a nós.» O homem de fato cinzento, mais rato que os outros, estava quase a chegar ao escritório mas ainda teve tempo de pensar num outro spot. Uma câmara avança por entre dezenas e dezenas de corpos e conversas de mulheres, depois de algum tempo encontra um homem numa cadeira. Um grande plano da sua cara mostra que está feliz, o plano retrocede um pouco e mostra que o homem tem headphones nos ouvidos pelo que pode, relaxadamente, preparar-se para ouvir a emissão com Jorge Gabriel. E é este que diz, no final, «O-i-o-ai, só a mim ninguém me cala, mas para elas há uma solução!»
Cenas da próxima gota:
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Anomalias - Conto a conta-gotas
XIV.
Prestes a conseguir um Royal Flush
O homem de fato cinzento é, na verdade, um rato de negócios. A vida, para ele, é-lhe ensinado desde os primeiros passos e desde as primeiras palavras, é uma grande armadilha; uma espécie de gigantesco restaurante onde os homens, em economia livre, se comem todos uns aos outros. Metaforicamente, claro está. Ora, este nosso homem de fato cinzento (e o cinzento dos seus fatos talvez tenha, no fundo, que ver com a cor dos roedores citados) é um rato maior e mais inteligente que os seus pares. Para alguma coisa também terá, de resto, servido tanto empenho e investimento dos seus progenitores nos seus estudos. E já se começa a perceber o porquê do BMW e outras coisas. Não admira, pois, que este nosso homem de fato cinzento, ao ouvir a história que Sandra lhe contava, sobre a ideia de negócio do tal de Abílio, ao que parece o amante da Juliana, tenha no imediato arrebitado as orelhas, sinal de que lhe cheirara a dinheirola. O mundo é cruel, fraca gente tem muitas vezes fortes ideias, mas é a forte gente que delas vem a tirar lucro e proveito. Antes que o Abílio desse passo na concretização dos seus intentos, já o nosso homem de fato cinzento tinha saído mais cedo do escritório, tinha deixado um póquer a meio, quando estava prestes a conseguir um Royal Flush, e se dirigia ao Registo Nacional de Propriedade Industrial, registando o seu negócio de venda de silêncio. Satisfeito com a sua sagacidade e rapidez de actuação, saiu do edifício triunfante, entrou no BMW que deixara mal estacionado em cima do passeio, e dirigiu-se a uma loja de placas e placards e coisas afins pedindo uma placa em amarelo doirado dizendo: «O Silêncio é de Oiro».
Cenas da próxima gota:
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Anomalias - Conto a conta-gotas
XIII.
Uma posição a defender
Creio que já o aventámos. O homem de fato cinzento não é por acaso que veste fato cinzento. Digamos que ele tem uma posição e uma imagem a defender. Quais?... Claro, a posição de Doutor. Nas ruas, nos bares, nos cafés, nos cinemas, nos casinos, ninguém sabe o que ele faz. É Doutor. Ponto final. E ser Doutor nos dias que passam é importante, é ter uma imagem a defender, justamente, a imagem de homem de fato cinzento, de preferência fazendo-se deslocar num BMW topo de gama. Na sua vida, tudo, de resto, é de topo: comida, bebida, viagens, roupa, equipamento electrónico, tudo. A questão é, como se chega a homem de fato cinzento? A resposta não é fácil, mas há algumas pistas que permitem ao bom observador reconhecer um potencial futuro homem de fato cinzento logo nos primeiros anos de vida. Como, por exemplo, a T-Shirt de marca às riscas, a risca no cabelo sempre direitinha, jamais pisar o risco em termos de comportamento... Enfim, já se vê, uma vida riscada logo de início. É como se tudo já estivesse nele programado à nascença. Estão a ver a sua mãe, ainda de esperanças: «O meu filho vai ser um homem de fato cinzento»! Ou então o pai, olhando a sua colecção de gravatas: «Um dia, o meu filho há-de ser um belo homem de fato cinzento e há-de querer usar todas estas gravatas às riscas.» Depois, a vida faz o homem de fato cinzento, boa escola, boa vida, boa cunha, boa empresa. Tudo a direito, rumo ao lugar reservado na garagem do prédio de escritórios. Nestas vidas, dos homens de fato cinzento, não há como se enganar. Um dos fundamentos básicos da aprendizagem dos homens de fato cinzento é nunca desaproveitar uma boa ocasião. A ocasião faz o negócio, mesmo se também signifique dar a conhecer o ladrão. Como foi no caso deste nosso homem de fato cinzento, o do BM, do lugar na garagem, da piscadela de olho a Sandra, da Internet, tal, tal, tal.
Cenas da próxima gota:
O homem de fato cinzento é, na verdade, um rato de negócios... ... E já se começa a perceber o porquê do BMW e outras coisas... ... uma placa em amarelo doirado dizendo: «O Silêncio é de Oiro»...













