quarta-feira, 4 de julho de 2007

Super Bock Super Rock




















Histórias Fulminantes 18

Era uma vez um escritor falhado que a única coisa que conseguia escrever eram inícios de histórias. Tentou então a sua sorte neste domínio, vendendo inícios de histórias a preços módicos, uma vez que, como se sabe, não basta ter uma boa ideia, sendo que, muitas vezes, o mais difícil é levá-las à prática. No caso, escrever as histórias até ao fim. Como se os tempos estivessem maus para o negócio, o escritor falhado apenas conseguiu vender um início de história que começava assim...

Anomalias - Conto a conta-gotas

III.

Misha, volta para casa!

Um dos condóminos tinha um gato. Misha. Misha tinha fugido num dos dias anteriores à morte de Bones. Arriscara a sua sétima vida e, tendo-se cruzado com o azar em forma de automóvel largado na CRIL a mais de 150, não voltou. Desapareceu. Pelo menos foi esse o verbo que se leu, durante os dias seguintes, num tosco papel A4 colado com fita-cola nalguns postes de electricidade do bairro e arredores. Quando o condómino dono do Misha leu a missiva sobre o mau cheiro no elevador, assustou-se à leitura da passagem que falava na hipótese de haver um animal morto numa das arrecadações – uma qualquer anomalia, portanto. Foi verificar na sua arrecadação e não encontrou nada, nem sinal do seu amado Misha. Por isso, não deixou de acreditar, por isso, durante algumas semanas, se pôde ler nos postes de electricidade, e também junto a alguns Multibanco, é bem verdade, um emotivo texto pedindo ao próprio Misha que voltasse para casa, que pedisse aos senhores com quem se cruzasse que lhe telefonassem, que voltasse para casa. «Misha, volta para casa!» A notícia de que afinal o mau cheiro provinha de um cão morto atirado para o fundo de um poço não o fez estremecer, nem obscureceu as lágrimas vertidas por Misha.

Cenas da próxima gota:

Porque o homem de fato cinzento lhe prometeu divorciar-se em breve... ... chegava ao escritório às nove, entrava no seu gabinete, jogava póquer na Internet... ... Limitou-se a ligar a televisão, sintonizando a novela da 4...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Joy Berardo

Ora aí está, os portugueses descobriram as artes plásticas, a arte contemporânea. Filas e mais filas a entupirem o ego de Joy Berardo (que entretanto alterou o Joe, como podem ver, radiante que se encontra). Pois, mas até domingo, a entrada era gratuita, vamos a ver como doravante as visitas se processam. É que é sabido: é grátes o povo vai, até sendo cultura, carago!

Ontem, na Gulbenkian


Ontem, na Gulbenkian, muita gente de Cabo Verde, creio que no âmbito dos eventos do Fórum O Estado do Mundo.

Desenho da Alice

Ora aí estou eu, em plena forma, bem conservado!

Da série Freiras





Cor de Rosa!!!

É o fim. O Benfica tem nova camisola alternativa. Cor de Rosa!!! Adeus, bons pais de família...

II Corrida aqualidadedosilencio




Anomalias - Conto a conta-gotas

II.

Bones, a cão-anomalia

Sempre fora algo para o magrote. Agora exagerava. Despido na noite de carnes e já quase apenas ossos, fintando faróis e esquivando pedradas, o cão levantou de si forças suficientes para ladrar à solidão. Esta, não gostou – olhou-o com desdém e matou-o com o seu hálito de sarjeta imunda. Foi isso no final de Agosto, três semanas depois de Sandra ter partido com o homem de fato cinzento, que lhe deitava olho no escritório da empresa de Gestão, para «uma longa, complicada, mas muito importante reunião de negócios no Algarve, querida...» Do Bones, encontrado alguns dias depois, o melhor amigo de Sandra até à data, não restaram senão pele e ossos que contaminaram a água tépida do «poço dos desejos», como antigamente lhe chamavam e para onde una miúdos da zona o tinham lançado. Num dos prédios próximos, passados alguns dias, lia-se numa folha A4 aposta nos espelhos dos elevadores: «Informamos os senhores condóminos que não conseguimos apurar a origem do mau cheiro que se tem feito sentir nas áreas comuns. Pede-se, por conseguinte, a todos os condóminos que verifiquem se nas suas arrecadações não se encontra algum animal morto ou alguma outra anomalia.»

Cenas da próxima gota:

Um dos condóminos tinha um gato. Misha... Quando o condómino dono do Misha leu a missiva sobre o mau cheiro no elevador... Foi verificar na sua arrecadação e não encontrou nada...

domingo, 1 de julho de 2007

Anomalias - Conto a conta-gotas

I.

O homem do fato cinzento

Chega pontualmente, às nove da manhã, e arruma o seu BMW série 7 no lugar que lhe está reservado na garagem. Sobe, cumprimenta, sorri à secretária que já lhe anda debaixo de olho vai para uns dois meses, e entra no seu gabinete climatizado. Despe o casaco, senta-se no cadeirão confortável, director style, pele genuína, e liga o computador. De seguida, liga-se à Internet. Passa os olhos pelas parangonas dos «desportivos», depois joga um póquer num site para amadores. As horas esvaem-se no ar. Chamadas telefónicas, poucas («Diga que estou em reunião, por favor.»), decisões, raras («Sim, o.k., vamos a isso.»). À hora do almoço volta a vestir o seu belo e impecável casaco, compõe-se no fato ajeitando o nó da gravata, e desce ao restaurante. Come, fartamente, e, no final da refeição, fuma cigarros atrás de cigarros enquanto bebe um café e, ao mesmo tempo, saboreia um medronho. Depois paga, pede a factura para pôr nas despesas, sobe de novo ao gabinete, pisca o olho a Sandra, que se anima por trás da secretária. Uns sites com miúdas, um póquer, um cigarro no hall comum dos escritórios. O futebol de ontem posto em dia. Fim de tarde. Sandra sai. Diz: «Até amanhã, Doutor...»; e ele: «Havemos de tomar um café...» Acaba o último cigarro e volta ao gabinete para de novo vestir o casaco. Um apuro! Por fim, sai, com o ar de quem produziu imenso e de quem justificou amplamente o seu chorudo salário, o seu BMW série 7 («Sabe, Doutor, já tem quase 150 mil quilómetros, talvez fosse a melhor ocasião para trocar...»), o seu lugar reservado na garagem, as suas despesas com refeições, o seu fato impecável. No dia seguinte, a mesma rotina, na semana seguinte, a mesma rotina, no mês seguinte, a mesma rotina, no ano seguinte, a mesma rotina. Assim, dia após dia, vestindo o fato cinzento que invariavelmente veste como quem, nesse acto, veste uma profissão.

Cenas da próxima gota:

... Despido na noite de carnes e já quase apenas ossos... ... Foi isso no final de Agosto... ... Informamos os senhores condóminos que não conseguimos apurar a origem do mau cheiro...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Maus exemplos

Está já on line, na net, o GodTub. Trata-se de um site que, através de vídeos enviados pelos seus utilizadores (à semelhança do YouTube) pretende pregar os ensinamentos cristãos numa tentativa de ajudar a espalhar a religião na Internet. Outro site similar é o DittyTalk, que, no entanto, tem curiosas peculiaridades. Assim, quando o internauta entra no endereço do DittyTalk é-lhe solicitado que entre em contacto, antes de tudo, com Jesus Cristo, que, atenção, atenção, tem um perfil criado na comunidade e que é adicionado como amigo de cada novo membro assim que este se regista! Curiosamente, Jesus Cristo sempre está online. Pergunto eu: qual será o seu operador de rede? e para onde lhe mandam a factura? e de que material informático dispõe? utiliza anti-virus? e faz downloads ilegais? e a mãe, não o proíbe de tanto tempo em frente ao computador? e os estudos? a escola? Ai, ai, ai, esses maus exemplos vindos de cima!!!

Histórias Fulminantes 17

Era um padre algo duvidoso. Quando foi pregar a «Bíblia» deu uma martelada no dedo que foi um trinta e um! À noite, junto à barraca dos cachorros, quando pediu um prego e um copo de vinho a martelo todos lhe disseram que faria melhor em ir pregar para outra freguesia.

Pintos nos iis

Leio agora que Pinto da Costa interpôs um processo em tribunal contra os Gatos Fedorentos. Pinto contra gatos? E logo quatro? Coitado do pinto!

Neurónios ao Ginásio

Ontem também, na apresentação dos livros de Gonçalo M. Tavares e do Paulo Kellerman, disse-se que o escritor de hoje já não se apresenta pálido e esquálido, é portanto um ser que já frequenta os ginásios. Ou seja, já não canta a formusura do mundo, antes a procura. Imagine-se, António Lobo Antunes a fazer step... ou Agustina Bessa-Luís a fazer body pump... Manuel Alegre, claro, no Body Combat... Eduardo Pitta a fazer Pilates... ou Margarida Rebelo Pinto na Capoeira... e Saramago em Total Condicionamento e Reshape...

Sapatilhas, não ténis

Ontem, ao lavar à mão as sapatilhas (é assim que chamo ao que muitos chamam ténis; ténis para mim é tão-só um jogo com raquetas) gastas e usadas da Alice, a pedirem reforma antecipada urgente, cheguei à conclusão de que foi já há muito tempo que deixei a infância e a adolescência para trás. Tentei lembrar-me da última vez que mudei de calçado por via da sua degradação ou uso ao extremo (como nos tempos de escola e contínuas futeboladas) e não consegui! Bom sinal, por outro lado, sinal de que a Alice aproveita em absoluto os seus dias. Venham mais e mais sapatilhas gastas, sujas e rotas!

Dúvida

A questão é: a cultura é hoje carreira profissional que se deseje e aconselhe a um filho? Pois, talvez os tempos não tenham mudado tanto como isso.

Beatificação Fórmula 1

Fantástico. Depois de protagonizar e sair ileso de um grave acidente quando corria o Grande Prémio do Canadá, o jovem piloto polaco de fórmula 1, Robert Kubika, confessou a amigos mais próximos que acredita que foi João Paulo II quem o ajudou. Como no cockpit não havia lugar para dois, presumo que João Paulo II estaria nesse exacto momento no céu a jogar playstation... Kubika, de 22 anos de idade, parece que tinha o nome do Papa gravado no capacete e sempre se confessou seu seguidor. Para mim, afinal, quem o seguia, e a mais de duzentos por hora, era João Paulo II! Mais extraordinário é que há quem pape estas estórias e agora queira aproveitar para beatificar João Paulo II... Uma beatificação, está de ver, em excesso de velocidade...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Nódoa Negrão

- Epá, atão, Negrão, tás fixe?
- Tudo bem, no quente da campanha.
- Quente? Isso lembra-me a minha conta da água...
- O quê, a EPUL continua a comer?
- Queres dizer a EPAL. E de que maneira, acho que me vou queixar ao IC?
- Acho bem, o IC 19 já devia estar resolvido há muito, aquele Seara, sempre a dar em seara alheia mas resolver o que tem de resolver, está quieto!
- Não pá, estava a falar do Instituto do Consumidor.
- Ah, pois, o IRC...
-Não pá...
-Pois, eu sei, pá, se calhar o melhor era fazeres queixa no IRS.
- No IRS! E porquê?
-Então, porque é bem melhor. Um gajo dar na Cultura fica sempre bem. Olha, eu, por mim, extinguia.
- Extinguias o quê, o IPPAR? Mas a culpa é da EPAL!
- Epá, EPAL, EPUL, IPPAR, IRC, IRS, IC19, grande chato que me saíste, pareces um jornalista, pá. Ouve cá, daqui a bocado estás-me a falar da OTA...
-Já agora. O que que é que achas da OTA?
- Sobre a Marina? Bem, sobre a Marina eu acho que...
- Marina, qual Marina?
-Então, a OTA, a Marina Mota, não é dessa que estávamos a falar? Ou estavas a referir-te à Marina de Cascais? Era sobre a primeira, não era? Pois, vai muito bem no teatro que está a fazer...
- Vai, vai, vai mesmo muito bem...
- Então e tu, pá, o que é que andas a tramar?
- Olha, eu preparo um estudo sobre siglas...
- Epá, boa, fico a torcer por ti. Siga pra bingo! Ciau, agora tenho de ir, ainda tenho que passar no IPJ a dizer olá aos velhinhos. Sabes como é, aquele pessoal, volta não volta, ainda vota...

Lá estarei

É hoje a tarde, às 18h30, na Bulhosa de Entrecampos. Gonçalo M. Tavares apresenta “Os Mundos Separados que Partilhamos” (Deriva), de Paulo Kellerman, que, por sua vez, apresenta “Breves Notas sobre Medo” (Relógio d’ Água), de Gonçalo M. Tavares.

Pelo flexidespedimento, já!

Derlei no Sporting? Aqui d'el rei!!!

Rainha do Sótão!

Esta agora! Se isto é uma rainha mais valia deixá-la no sótão, onde estava, pelos vistos bem escondidinha e está-se a ver porquê! Rainha! E depois ainda querem que os meninos e as meninas acreditem em histórias de encantar. Isto não é uma rainha, é mais uma ranhosca! Hatshepsut...

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Suite com Freira





Não sei porquê, mas dá-me para fotografar freiras! Acho que gosto de lhes apanhar o ar de fuga que sempre pressinto nos seus passos. Esta vinha um pouco suja, como se tivesse fugido do convento pela calada da noite!

Autárquicas Lx 07 - Lisboa, a sério?

Histórias Fulminantes 16

Como o país era pouco ventoso deram ao homem a função de soprar bandeiras. A cada vez que uma personalidade estrangeira visitava o país lá descia o homem até ao mastro principal, enchia os pulmões e começava a soprar com quantas forças tinha. Um dia o país entrou em guerra e alguém roubou a bandeira que o homem soprava. Sem emprego o homem pôs-se a soprar as ondas do mar a ver se conseguia afastar as esquadras de navios inimigas. Só que isso era muito mais difícil e desse homem nunca mais se soube nada. Foi um ar que lhe deu.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Esta agora!

Onde é que eu pus aquela ideia para escrever o meu grande romance?

Dr. House


Nunca vi tanta gente doente por causa de um médico.

Mega vs Berardo


Homenagem fotográfica a la Wahrol marcando a abertura do Museu Berardo no Centro Cultural de Belém, seguida de carta-que-não-sei-se-deixa-augurar-coisa-boa-para-o-futuro-no-que-respeita-às-relações-do-CCB-com-o-outro-lado-do-CCB (vírgula) por-outras-palavras-não-sei-se-não-estaremos-a-assistir-ao-primeiro-tiro-de-uma-guerra-pressentida-e-já-por-muitos-aventada-que-poderá-partir-em-dois-o-ccb!

I Corrida aqualidadedosilencio 07 - seguida de um poema




touro
todo cristo e cornos
arena
coroa em sangue
redonda cruz

e há aplausos como esporas
sorrisos como espadas
caindo o dorso em dor
à carícia bruta
do toureiro elegante

não sei se seriam cinco em ponto
da tarde sei apenas o silêncio vermelho
na paleta da terra
e um rasto mudo trespassando
a praça dos meus olhos

O Barão

Partindo do original de Branquinho da Fonseca, Luís de Sttau Monteiro adaptou ao teatro um dos melhores contos do escritor presencista. «O Barão» está em cena até 22 de Julho, no Teatro da Malaposta, de terça a sábado, às 21h30, e domingos, às 16h00. Há mais de cinquenta anos, longe, no Portugal profundo, um inspector do ensino primário vai fazer uma sindicância a uma escola do concelho. Deparam-se-lhe personagens bizarras, muito diferentes das pessoas da cidade. Têm medo do Barão, que o leva para sua casa. O vinho liberta e aquele que se tem a si mesmo como um javardo revela-se também um poeta... Comungam experiências de vida, com recordações dolorosas, e irmanam-se. Nada vai ficar igual no quotidiano daquele inspector... A encenação é de Castro Guedes, a sugestão é minha.

As Viagens de Salazar

O amigo Tiago Salazar, jornalista que de há muito rabejar de escrita conheço e admiro, vai finalmente dar um livro ao mundo. No título, apesar de tudo bem sacado - embora a minha sugestão (algo arrojada, parece) tenha sido «Quo Vadis, Salazar? -, a expressa indicação do que o traz a formato de lombada e papel: por um lado, as notícias do seu andarilhar pelo mundo (não sei se isso - o já ter estado em quase todo o lado, tal como o Altíssimo - o tem vindo a tonar mais católico, mas isso, enfim, são outros quinhentos por contar...), por outro, a tradução liminar do seu ser: um rapaz de artérias manteigosas. E por isso, por vezes, de mal com o mundo, chateado com o próximo e com os dias. Nestas «Viagens Sentimentais», o amigo Salazar (curiosamente ao contrário do outro, que nunca levantou o rabinho da lusa lousa) perde-se pelo mundo. Mas atenção, tem-se perdido para se reencontrar. É sempre assim, por estranho que pareça, é preciso partir para encontrar. Assim, a cada vez que encontro o trotamundos de apelido duvidoso (ainda para mais ligado, agora, a um editor de nome Marcelo...), ele vem mais cheio: de histórias, de vidas, de cores, sons, aromas, horizontes, também de outras curvas - e talvez por estas tenha vindo a perder uns quilinhos que a barba rala tenta disfarçar como pode. Não consegue e já nem se aguenta para uma partida de ténis, a ela se excusando, pasme-se, por aulitas de ioga! Ao que um homem que já subiu aos Himalaias e que esteve quase a ir ao cume do Evereste chega! Pelo que, amigo Salazar, escute o meu conselho, que eu lhe dou de graça, volte você ao belo naco de lombo, se quiser aos bons iogurtes de antanho, mas volte, que não seja por uns tempos a fim de suas vegetarianas carnes se recomporem para futuras palmilhações do planeta, como de há muito me anda a tentar desencantar, tentando ludibriar as minhas responsabilidades familiares. Termino, e mais lhe digo, se um dia destes acordar na Lua não se espante, pode muito bem ser que, ironias da História, Salazar seja o primeiro português a seguir as pegadas de Armstrong!

Urgências

«O que é que tens de urgente para me dizer?», eis o título a servir de mote a mais uma edição do Urgências, projecto de escrita teatral levado a cabo no Teatro Maria Matos. Este ano, de 5 a 29 do corrente, sobem a palco, sob encenação de Tiago Rodrigues, textos de gente como Inês Menezes, José Luís Peixoto, Rui Cardoso Martins, entre outros. «O que é que eu tenho de urgente para me dizer?», ora aí está, por seu turno, uma boa pergunta que muio boa gente deveria colocar-se antes de dar ao blog.

Kiluanji

A Câmara Municipal de Sines inaugura, dia 1 de Julho, às 19h00, no Centro de Artes de Sines, a exposição "Ngola Bar", do jovem artista angolano Kiluanji Kia Henda, no âmbito da nona edição do Festival Músicas do Mundo. Kiluanji Kia Henda (1979) nasceu em Luanda, onde vive e trabalha. Viajou pelas várias províncias de Angola e dessas viagens resultou o trabalho "4.ª Dimensão", no âmbito da I Trienal de Luanda. Colaborou com vários grupos de acção teatral e artística em Luanda e expôs em feiras de arte e museus na Europa. Recentemente, o seu trabalho foi seleccionado para o projecto de curadoria "Check List Luanda Pop", do Pavilhão Africano da 52.ª Bienal de Veneza (2007), a par de nomes consagrados da arte contemporânea como Ghada Amer, Miquel Barcelò, Jean Michel Basquiat, Marlène Dumas, Viteix, etc. Sob o título de 'Ngola Bar', a exposição que Kia Henda traz ao FMM apresenta trabalhos recentes que partem do local - a paisagem urbana e a natureza angolanas - para a esfera global: a produção de sentidos universais, a evocação da mobilidade sobre a paisagem, a cultura contemporânea das imagens. A exposição, de entrada livre, estará patente até 30 de Setembro, todos os dias, entre as 14h00 e as 20h00.

A CIA e outros ataques


Muito escândalo ainda por aí por causa do mea culpa que a CIA fez relativamente às nódoas que mancham o seu passado. Li um colunista dizer que também só agora as pessoas parecem acreditar em tudo o que ao longo dos anos, a conta-gotas, foi sendo revelado pelos Media, nomeadamente sobre a questão dos métodos de tortura e afins usados pela prestigiada agência constitída em 1947 com o objectivo único de fazer guerra ao comunismo. Tudo em prol da segurança interna dos sagrados Estados Unidos. Sabe-se com que resultados... O 11 de Setembro está aí como termómetro de aferição. Portanto, todos se espantam, mas só agora se espantam, com o reconhecimento de culpa vindo das entranhas sujas da CIA. Por outras palavras, ninguém parece já acreditar nas histórias que a Imprensa vai contando. É pena, a Imprensa constitui hoje, e talvez mais do que nunca, o verdadeiro e único contra-poder *. O livro «Estado de Guerra - A História Secreta da CIA e da Administração Bush», de James Risen, vencedor do Prémio Pulitzer (edição Quid Novi), conta tudo (e contou tudo há bastante tempo) o que, pelos vistos, ninguém quis ouvir. Mesmo se através da voz e depoimentos de muitos dos seus protagonistas. Vale a pena ler.

* Imprensa independente como contra-poder, claro, porque uma vez congregada num só grande grupo editorial, adeus imparcialidade e isenção. Nota, a título paralelo: na semana passada, no CCB, aquando da apresentação da nova colecção de livros de bolso que três editoras tomaram conjuntamente em mãos, um dos editores presentes revelou que a ânsia compradora de Pais do Amaral pelas editoras portuguesas também a duas das editoras presentes tinha tocado/atacado. Pela independência que clamam, as duas casas responderam negativamente às propostas. É digno.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

domingo, 24 de junho de 2007

A arrumação dos dias

DR. ptn

Histórias Fulminantes 15

Não era suficientemente corajoso para o suicídio, pelo que decidiu confiar a tarefa a terceiros. Agarrou numa tela, pintou um tipo de mau ar que empunhava uma pistola e a direccionava em frente. Depois, terminada a obra hiperealista, puxou uma cadeira e sentou-se à frente do quadro à espera que o destino premisse o gatilho. Felizmente que se esquecera de carregar a arma com munições. Quando a Polícia chegou levaram a obra para a prisão acusando-a de tentativa de homicídio. Todo aquele quadro era demasiado negro para a pobre personagem pintada. Clamando inocência, mas em vão, o quadro suicidou-se derretendo ao sol que entrava pelas grades.