No âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa, podem agora, e até 26 de Julho, ser visitadas, no Museu da Electricidade, perto de 40 obras do arquitecto português Álvaro Siza Vieira. Desenhos, maquetas, esboços e fotos mostram os diferentes projectos de Siza Vieira ao longo do tempo, com o objectivo de mostrar ao público o método de trabalho do autor portuense. Quando também, na Herdade das Argamassas, acaba de ser inaugurada a Adega Mayor com a sua assinatura, revisito umas fotografias que fiz a Siza Vieira no seu atelier no Porto, aí pelo ano 2000, para uma entrevista então para a «Arte Ibérica»
terça-feira, 19 de junho de 2007
segunda-feira, 18 de junho de 2007
O Fantasma
mexia tem poesia nova
em livro dito senhor fantasma. ora
fantasma era como me chamavam
quando adolescente rapaz então
mais voltado para a paródia
do que para a prosódia
e me escapava pela varanda do meu quarto
em portimão para ir fazer
pequenas patifarias pelas ruas
dos três bicos. assim mesmo chapéu
aos clássicos tanto mais que na altura
em matéria de literatura
gostava era de banda desenhada
quando muito o mandarim o strogoff
embora fosse mais de coboiada
ou se quiserem romance de cavalaria.
companheiros de noitada
o tomás o becas o miguel o luís
o ernesto o sandro o rui
e também certa vez recordo um cão
chamado dodge que caiu numa cisterna
logo depois em grande aventura resgatado.
era no tempo das fisgas do berlinde
dos canudos e das suérfias
palavra que confesso nem sei
se existe ao contrário da certeza
da loucura das lutas combinadas
do suco transparente e ácido das amêndoas
e dos albricoques ainda verdes
ou do sabor amargo das alfarrobas
no intervalo dos jogos de futebol
onde hoje passa uma estrada
que vai dar a uma rotunda
ou não andasse o país inteiro
a transformar-se numa rotunda gigante.
e eis como de forma algo fantasmagórica
mexia que é doutros campeonatos
acabou por entrar nas memórias
da minha adolescência algures por entre
sol e figueiras por entre o mar
e as amendoeiras pelo calor das noites perfeitas
não fosse terem-se desfeito
em gratas recordações. hoje bem que me apetecia
subir a uma a uma só dessas árvores
que havia no barranco e que o tempo plantou
no terreno fértil destes versos. hoje
é curioso a varanda do meu quarto
tomou a forma das palavras
e eu que já não sou o fantasma
porque todos aqueles que por mim esperavam
na rua se esfumaram como sombras
nos meus dias eu agora
dava tudo para poder saltar de novo
para dentro daquelas noites claras
em que ríamos e fazíamos
planos de futuro até à madrugada.
em livro dito senhor fantasma. ora
fantasma era como me chamavam
quando adolescente rapaz então
mais voltado para a paródia
do que para a prosódia
e me escapava pela varanda do meu quarto
em portimão para ir fazer
pequenas patifarias pelas ruas
dos três bicos. assim mesmo chapéu
aos clássicos tanto mais que na altura
em matéria de literatura
gostava era de banda desenhada
quando muito o mandarim o strogoff
embora fosse mais de coboiada
ou se quiserem romance de cavalaria.
companheiros de noitada
o tomás o becas o miguel o luís
o ernesto o sandro o rui
e também certa vez recordo um cão
chamado dodge que caiu numa cisterna
logo depois em grande aventura resgatado.
era no tempo das fisgas do berlinde
dos canudos e das suérfias
palavra que confesso nem sei
se existe ao contrário da certeza
da loucura das lutas combinadas
do suco transparente e ácido das amêndoas
e dos albricoques ainda verdes
ou do sabor amargo das alfarrobas
no intervalo dos jogos de futebol
onde hoje passa uma estrada
que vai dar a uma rotunda
ou não andasse o país inteiro
a transformar-se numa rotunda gigante.
e eis como de forma algo fantasmagórica
mexia que é doutros campeonatos
acabou por entrar nas memórias
da minha adolescência algures por entre
sol e figueiras por entre o mar
e as amendoeiras pelo calor das noites perfeitas
não fosse terem-se desfeito
em gratas recordações. hoje bem que me apetecia
subir a uma a uma só dessas árvores
que havia no barranco e que o tempo plantou
no terreno fértil destes versos. hoje
é curioso a varanda do meu quarto
tomou a forma das palavras
e eu que já não sou o fantasma
porque todos aqueles que por mim esperavam
na rua se esfumaram como sombras
nos meus dias eu agora
dava tudo para poder saltar de novo
para dentro daquelas noites claras
em que ríamos e fazíamos
planos de futuro até à madrugada.
Gira-Discos
A propósito de jazz, deixo aqui a sugestão para se conhecer a música de Avishai Cohen. Contrabaixista, pianista e compositor, o músico israelita radicado nos EUA desde 1992, eleito nos últimos dois anos pela revista «Down Beat» como baixista revelação, tem novo álbum à venda. Trata-se do CD/ DVD «As Is... Live at The Blue Note». Nascido em Jerusalém, em 1970, Avishai toca desde os nove anos. A viver nos EUA desde os 14 anos, Stanley Clarke e Jaco Pastorius foram os seus mentores. Depois de voltar a Israel, para uma inevitável passagem pelo Exército, Avishai regressa a NY sendo convidado para tocar com Paquito D' Rivera, Roy Hargrove, Joshua Redman e Leon Parker. O panamiano Danillo Perez é quem o convida a gravar no álbum «Panamonk» (de 96). Depois disso, Avishai é convidado para tocar com Chick Corea e em 1998 lança o primeiro disco como líder, «Adama». Sensualidade, inovação, exuberância, leveza e substância, eis o que ocorre dizer sobre a sua música e a sua técnica. A confirmar com este disco que traz junto um DVD.
Ornette no Jazz em Agosto
Foi já divulgada a programação do Jazz em Agosto 2007. De 3 a 11 de Agosto, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, encontro marcado com uma programação exigente e de qualidade, na qual sobressaem dois nomes históricos: Muhal Richard Abrams e Ornette Coleman, personalidades que levarão a cabo alocuções/conferências. Para ver também, dois filmes documentais em estreia portuguesa sobre duas figuras de referência – Albert Ayler («My Name is Albert Ayler», de Kasper Collin, 2005) e Ornette Coleman («Ornette: Made In América», de Shirley Clarke, 1985), duas obras que constituirão um acervo audiovisual do Jazz em Agosto 2007 que se pretende doravante instituído. Quanto a espectáculos, registe as presenças dos Hubbub, Ronin de Nik Bärtsch, Crimetime Orchestra, Quartet Noir, Timbre, Joëlle Léandre, Carlos Zíngaro e Jorge Lima Barreto, o projecto Low Frequency Tuba Band, e o Joe Fonda Bottoms Out/Loaded Basses.
Museu Íntimo 1
El Toboso, La Mancha, José Suárez
a luz é a casa
onde o seu corpo se recolhe
e faz morada
a luz que o sol acende
e arde sobre a tenra tarde
como segredo
como degredo
que fosse guardado pelo tempo
tricotado em silêncio
nas dobras do vento
é negra a sua figura
tão negra como a solidão
e assim vem cerzindo
o branco cair
do anoitecer.
onde o seu corpo se recolhe
e faz morada
a luz que o sol acende
e arde sobre a tenra tarde
como segredo
como degredo
que fosse guardado pelo tempo
tricotado em silêncio
nas dobras do vento
é negra a sua figura
tão negra como a solidão
e assim vem cerzindo
o branco cair
do anoitecer.
sábado, 16 de junho de 2007
Dona de casa danada!
Ando a ler compra de Feira do Livro. Colectânea de crónicas, ditas Cartas do Brasil, da autoria de Chianca de Garcia (um dos fundadores do cinema português, realizador, por exemplo, de «Aldeia da Roupa Branca»), que outrora «O Independente» publicou. E gosto do que leio, sobre o Brasil da primeira metade do século XX. Com detalhes assim, dizendo bem da alma do brasileiro: «Ontem, aqui em casa, a cozinheira, uma sorridente crioula que fez o seu carnaval na Escola de Samba da Mangueira, ao receber o ordenado mensal, insistiu num novo aumento, que neguei. Hoje de manhã apareceu com uma saia op-art 35 centímetros acima dos joelhos. Olhei e não comentei. E logo ela, para não perder a oportunidade: - Pois é, patrãozinho, para mini-salário, mini-saia...»
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Histórias Fulminantes 13
Chegou à enfermaria era meia-noite em ponto. Na dúvida, a senhora da secretaria não conseguiu decidir se encaminhá-lo para a enfermeira de noite ou para a enfermeira de dia. Voltando para casa sem ser atendido, acabou por morrer no seu quarto a pensar que a vida não deve mesmo ser vivida a preto e branco.
Poema à hora do almoço
Ando há tempos
para pôr um ninho
num poema
mas acabo sempre por desistir
pensando que
os versos são lugares
demasiado frágeis
e inseguros
para pôr um ninho
num poema
mas acabo sempre por desistir
pensando que
os versos são lugares
demasiado frágeis
e inseguros
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Gira-Discos
Mais uma sugestão no gira-discos, desta feita, os Blonde Redhead. Kazu Makino e os irmãos gémeos italianos Simone e Amadeo Pace formam o trio alternativo ao qual, originalmente, também pertencia Maki Takahashi. O nome para a banda surgiu-lhes da lembrança de uma canção que os DNA cantavam nos anos 70. Agora, lançam o seu sexto álbum, «23», à venda dentro de alguns dias.
Um dia no mundo
Ao ler o «Público» de hoje fiquei a saber que já existe um dia mundial da luta contra a dor. É hoje. E nada mais a propósito para cabimentar o que escreve Tatiana Salem Levy no seu excelente livro «A Chave de Casa», em edição da Cotovia. «A dor está em tudo, espalhada por todos os cantos do planeta, por todos os cantos de nós. Não existe nem mesmo um porto da pele que não carregue dor. os sentimentos mudam, mas a dor persiste. Em tudo o que experimentei, lá estava ela, de um jeito ou de outro. No amor, na alegria, na tristeza, no sofrimento, no luto, nos sonhos: nunca conheci nada disso sem dor.» Pois bem, dor sim, por aí, que a há, há, é bem verdade e basta olhar aos telejornais. Porém, haja espaço para a alegria, que também ronda por aí, a espaços. Portanto, termino com outra citação, voltando ao hoje já referido, em post anterior, Leonardo Da Vinci, homem certamente mais vivido e sopesado nas coisas da vida do que a nossa jovem autora brasileira. Escreveu assim, o génio transalpino, num outro olhar ao sofrimento: «A dor preserva o corpo.» Se não preserva, pelo menos di-lo vivo e presente. O que já não é mau de todo! Philip Roth também escreve sobre o assunto em «Todo-o-Mundo», onde conta a história de um homem acometido pela morte ao longo de toda a vida.
Leonardo Da Vinci
A passar os olhos pelo livro «Profecias», de Leonardo da Vinci, não deixo de achar piada aos seus escritos, não só às supostas profecias (que muitas vezes deixam a desejar, mais parecendo febris tresleituras de quem deseja, a todo o custo, fazer dele um profeta), como também a outros textos de quilate diverso, alguns bem avançados para os tempos. Como os dois que transcrevo.
«Dois homens caminhavam à noite ao longo de um caminho difícil, e o que ia à frente soltava gases ruidosos. O outro disse: - Agora vejo que és meu amigo. - Como assim? - perguntou o primeiro homem. O outro respondeu: - Tu soltaste os gases para eu saber de que lado sopra o vento e não me perder de ti.»
«Uma mulher estava a lavar roupa e tinha os pés muito vermelhos do frio. Um padre que ia a passar ficou espantado com esse facto e perguntou-lhe de onde vinha a vermelhidão. A mulher respondeu-lhe imediatamente que estava em cima de fogo. Então o padre pegou no membro que fazia dele um padre e não uma freira e, aproximando-se dela, suplicou-lhe, numa voz suave e humilde, que tivesse a amabilidade de acender aquela vela.»
«Dois homens caminhavam à noite ao longo de um caminho difícil, e o que ia à frente soltava gases ruidosos. O outro disse: - Agora vejo que és meu amigo. - Como assim? - perguntou o primeiro homem. O outro respondeu: - Tu soltaste os gases para eu saber de que lado sopra o vento e não me perder de ti.»
«Uma mulher estava a lavar roupa e tinha os pés muito vermelhos do frio. Um padre que ia a passar ficou espantado com esse facto e perguntou-lhe de onde vinha a vermelhidão. A mulher respondeu-lhe imediatamente que estava em cima de fogo. Então o padre pegou no membro que fazia dele um padre e não uma freira e, aproximando-se dela, suplicou-lhe, numa voz suave e humilde, que tivesse a amabilidade de acender aquela vela.»
terça-feira, 12 de junho de 2007
A dor segundo BB
«Escrevo: cada um lida com a dor à sua maneira, mas nenhuma dor é solitária: faz parte da grande dor do mundo.» Escreve, Baptista-Bastos, no seu novo e belo livro «As Bicicletas em Setembro». Escrevo: a dor é, geralmente, solidária. Para com todos, em qualquer momento, se mostra solidária. Talvez para não se sentir solitária.
Histórias Fulminantes 12
Quando se mudou para lá tinha a vista da cidade mais bonita e mais ambicionada. Ele, porém, durante os quarenta anos que habitou o prédio nunca se deu ao gozo de subir ao terraço para o confirmar. Quando, um dia, uma mola de roupa lhe caiu para o telhado subiu finalmente ao topo do edifício. Já que ali estava, aproveitou para ver a vista mas tudo o que o seu olhar abarcava eram prédios que entretanto tinham sido construídos a toda a volta. Sem que isso o desconsolasse tentou apanhar a mola da roupa, tropeçando nesse exacto instante. Enquanto caía percebeu que aquela era a mola que o prendia à vida.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
O Brilho do Norte
Em Lisboa, últimos dias para ver a bela e singular exposição «O Brilho do Norte», no Museu Nacional de Arte Antiga. Só até 17 de Junho, terça, das 14h às 18h00, e de quarta a domingo, das 10h às 18h00. Para ver, pintura e escultura medievais oriundas do Museu Nacional de Varsóvia. A sério, a não perder. Algumas fotos que lá tirei, de um Cristo Descansando e de Cristo na Cruz.
Útil
«O útil/ só o religioso é útil», escreve Gonçalo M. Tavares em «Investigações, Novalis». Mas, útil no sentido de voto útil? Útil, no sentido de que à falta de melhores explicações?... E nesse caso perigosamente fútil?...
Nem sei a que propósito
Curiosamente, a mesma morte que leva tem o condão de atrair largo número de ausentes à sua celebração, que é o enterro. Porém, logo a seguir, a todos dispersa para sempre.
Em matéria de pormenores...
O artista imita, o criador cria. São realidades distintas; uma, já existe, a outra é inaugurada.
Os Lusíadas salvaram a nado o poeta
sábado, 9 de junho de 2007
Museu Íntimo
Roth
«A religião era uma mentira que tinha reconhecido cedo na vida, e achava ofensivas todas as religiões, considerava sem sentido e pueris as suas patetices supersticiosas, não suportava a sua completa imaturidade - a conversa infantil e a virtude e o rebanho, a avidez dos crentes. Não embarcava em balelas sobre a morte e sobre Deus, nem em obsoletos céus de fantasia. Só havia os nossos corpos, nascidos para viver e morrer nos termos decididos pelos corpos que tinham nascido e morrido antes de nós.»
«Todo-o-Mundo», de Philip Roth
The Sounds
E pronto, ao final do dia 1 do Oeiras Alive, depois de vistos e ouvidos ao vivo os suecos The Sounds, já havia quem dissesse que se podia ir para casa descansado, podendo até fechar-se as portas ao festival. Tudo muito verdade, e a verdade é que a banda de Maja Ivarsson pôs a um canto a prestação de bons rapazes como os Linkin Park (que pouco mais fizeram do que cumprir) ou os Pearl Jam (que se limitaram a oferecer ao público mais do mesmo, embora com entrega plena, é certo). Pena foi que aos The Sounds apenas tenham testemunhado cerca de uma centena de espectadores, relegados que foram para a Tenda no mesmo horário em que tocavam Eddie Vedder e os seus. Como não há bela sem senão, desfrutou-se de um concerto quase concedido em privado e com grande empatia entre músicos e público. Em palco as canções dos dois álbuns lançados até ao momento pela banda: o primeiro, «Living in America», de 2002, o segundo, o novíssimo «Dying to Say This to You». E em palco a energia imparável de Maja, Felix Rodriguez, Johan Bengtsson, Fedrik Nilsson e Jesper Anderberg, mostrando entrega total em hora e meia de concerto que, a deixar marcas, havia de cavar uma cratera no passeio marítimo de Algés, capaz mesmo de incomodar os sonos dos velhos do Restelo que, à mesma hora, se dedicavam a escutar as velhas canções dos Jam... Só isso se pode apontar à organização do Oeiras Alive!, o não terem posto os The Sounds a tocar para as estimadas quarenta e cinco mil pessoas que foram ao primeiro dia das hostilidades. Como a início disse, viemos para casa descansar e podíamos até não voltar que já nos dávamos por satisfeitos. Podíamos, não fossem hoje actuar pela primeira vez em Portugal os The White Stripes, de Jack e Meg White.
sexta-feira, 8 de junho de 2007
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Sempre a aprender
O «Diário de Notícias» diz que os elefantes têm uma audição quase sobrenatural porque também ouvem com as patas. E eu que julgava que era por causa do tamanho das orelhas!
The 99 e o Incrível Homem-Papa...


Não é género que nos tenhamos habituado a ver acompanhando os ventos e rumos políticos da actualidade. De qualquer forma, a BD que veio da América sempre se fez acompannhar de sub-reptícias mensagens políticas, dessa forma contribuindo para uma velada expansão do imperialismo norte-americano. Há cerca de dez anos, escrevi para o jornal «Semanário» um texto sobre o assunto, que hei-de ver se encontro e aqui recupero. A questão não é de somenos importância, sobretudo não o foi nos tempos da Guerra Fria em que todas as «armas» contavam no combate à ameaça soviética. E sabe-se como os norte-americanos são férteis em explorar todos e quaisquer veios de triunfo dos seus ideiais e modos de vida. Mas este é só um aspecto que agora começa a reflectir-se. Outros, entretanto, e não menos interessantes, têm vindo à baila. Um, o facto de praticamente na história da Marvel não existirem heróis negros. Um dado a pensar e a não descurar porque, segundo estatíticas recentes no país do Tio Sam, os super-heróis da Marvel têm vindo a perder hordas de fãs. Muito, certamente, pela falta de identificação com as personagens por parte de uma grande fatia populacional de raça negra (e outras) que, desse modo, se sente posta à margem e não se revê nas histórias dos Comics. Fartos deste panorama sectário, racista e imperialista, veio agora a público a notícia de que no Egipto, já a partir de Setembro, passará a ser publicada uma revista de Banda Desenhada com heróis árabes. A publicação, lançada pela Teshkeel Media, com sede no Koweit, chama-se «The 99» e propõe aos leitores uma vasta gama de heróis do mundo árabe, está de ver todos eles verdadeiros mártires ao serviço do islamismo. «99» porquê será esse, nada mais nada menos, o número exacto de heróis a conhecer, cada um representando uma virtude que os muçulmanos acreditam que Alá (Deus) possui. Mais curioso é que, nessa lista, até terá lugar, imagine-se, um português, ou não estivéssemos, como Deus, em todo o lugar!... Naif al-Mutawa é o nome do criador da série, restando aguardar para ver que aventuras nos reserva e quem encarnará as personagens de vilões a Ocidente. Em suma, a BD a ler o espírito dos tempos, como antes já o fizera quando, em 2005, foi lançada em Itália uma BD especial sobre o Papa João Paulo II, o sumo pontífice da Igreja Católica falecido em Abril desse ano. Também nesse ano, e sobre a mesma figura sacerdotal, saiu uma BD na Colômbia apresentando um Papa (dito Incrível Homem-Papa) que retornara a vida com superpoderes, passando a combater o Mal, apresentando-se com uma capa antidemónio, tendo direito a cuecas de castidade e um cinto cheio de utilidades, contendo, entre outras coisas, água benta e vinho da comunhão... Tudo em prol do combate a Satanás!
Couple Coffee
Ouvi-os ontem, pela primeira vez, e o que posso dizer é que cheguei tarde. Cheguei tarde porque "Co'as Tamanquinhas do Zeca" é o segundo disco dos Couple Coffee & Band, que neste novo trabalho oferecem ao melómano um excepcional tributo 'tropical' a Zeca Afonso. Para quem os quiser ouvir ao vivo, eles vão apresentar-se já depois de amanhã em Lisboa, no Onda Jazz, pelas 23h30 para o primeiro de uma série concertos. No dia 30 de Junho, também um sábado, o grupo sobe até ao Porto para pisar o palco do auditório do cinema Passos Manuel. O último concerto desta série tem lugar no MusicBox a 14 de Julho, antecedendo a ida dos Couple Coffee ao Brasil. Os Couple Coffee & Band apresentarão ainda sete temas do novo disco em directo para o programa "Viva a Música" da Antena 1. A transmissão será feita a partir do Teatro da Luz, no dia 14 de Junho, pelas 15h00, e a entrada ao público é livre. No mesmo dia, pelas 22h30, o duo Norton e Luanda, convida J.P. Simões para um dos últimos espectáculos do B.Leza. O casal tem participado habitualmente nas apresentações ao vivo do trabalho a solo do cantor de Coimbra.
Mais informações em www.myspace.com/couplecoffee.
Mais informações em www.myspace.com/couplecoffee.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Amas-me? - Cena 11 Fim
Cena 11
(A mesma sala de estar inicial. Jorge está na exacta posição em que Leonardo se encontrava no início da primeira cena. No fundo do palco, passam cenas da guerra. Ouve-se novamente Wim Mertens. Jorge lê um jornal, Luísa entra com uma revista na mão. Senta-se ao pé de Jorge e estão assim alguns segundos até que ela, fartando-se da revista, a deixa cair em cima da mesa de apoio e, subitamente, pergunta a Leonardo:)
LUÍSA
Amas-me?
JORGE
Se?... Desculpa?
LUÍSA
Não ouviste?
JORGE
Não, não ouvi, podes repetir?
LUÍSA
Não ouves nada, tenho sempre de repetir mais do que uma vez. Leonardo, perguntei-te se me amas. Amas-me?
(As luzes apagam-se. Ficam apenas visíveis as imagens de televisão projectando, ainda e sempre, no fundo do palco, as mesmas imagens de guerra, desta vez em silêncio. Depois, de repente, apagam-se e o pano fecha.)
FIM
(A mesma sala de estar inicial. Jorge está na exacta posição em que Leonardo se encontrava no início da primeira cena. No fundo do palco, passam cenas da guerra. Ouve-se novamente Wim Mertens. Jorge lê um jornal, Luísa entra com uma revista na mão. Senta-se ao pé de Jorge e estão assim alguns segundos até que ela, fartando-se da revista, a deixa cair em cima da mesa de apoio e, subitamente, pergunta a Leonardo:)
LUÍSA
Amas-me?
JORGE
Se?... Desculpa?
LUÍSA
Não ouviste?
JORGE
Não, não ouvi, podes repetir?
LUÍSA
Não ouves nada, tenho sempre de repetir mais do que uma vez. Leonardo, perguntei-te se me amas. Amas-me?
(As luzes apagam-se. Ficam apenas visíveis as imagens de televisão projectando, ainda e sempre, no fundo do palco, as mesmas imagens de guerra, desta vez em silêncio. Depois, de repente, apagam-se e o pano fecha.)
FIM
terça-feira, 5 de junho de 2007
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