terça-feira, 12 de junho de 2007

A dor segundo BB

«Escrevo: cada um lida com a dor à sua maneira, mas nenhuma dor é solitária: faz parte da grande dor do mundo.» Escreve, Baptista-Bastos, no seu novo e belo livro «As Bicicletas em Setembro». Escrevo: a dor é, geralmente, solidária. Para com todos, em qualquer momento, se mostra solidária. Talvez para não se sentir solitária.

Histórias Fulminantes 12

Quando se mudou para lá tinha a vista da cidade mais bonita e mais ambicionada. Ele, porém, durante os quarenta anos que habitou o prédio nunca se deu ao gozo de subir ao terraço para o confirmar. Quando, um dia, uma mola de roupa lhe caiu para o telhado subiu finalmente ao topo do edifício. Já que ali estava, aproveitou para ver a vista mas tudo o que o seu olhar abarcava eram prédios que entretanto tinham sido construídos a toda a volta. Sem que isso o desconsolasse tentou apanhar a mola da roupa, tropeçando nesse exacto instante. Enquanto caía percebeu que aquela era a mola que o prendia à vida.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O Brilho do Norte





Em Lisboa, últimos dias para ver a bela e singular exposição «O Brilho do Norte», no Museu Nacional de Arte Antiga. Só até 17 de Junho, terça, das 14h às 18h00, e de quarta a domingo, das 10h às 18h00. Para ver, pintura e escultura medievais oriundas do Museu Nacional de Varsóvia. A sério, a não perder. Algumas fotos que lá tirei, de um Cristo Descansando e de Cristo na Cruz.

Útil

«O útil/ só o religioso é útil», escreve Gonçalo M. Tavares em «Investigações, Novalis». Mas, útil no sentido de voto útil? Útil, no sentido de que à falta de melhores explicações?... E nesse caso perigosamente fútil?...

Nem sei a que propósito

Curiosamente, a mesma morte que leva tem o condão de atrair largo número de ausentes à sua celebração, que é o enterro. Porém, logo a seguir, a todos dispersa para sempre.

Em matéria de pormenores...

O artista imita, o criador cria. São realidades distintas; uma, já existe, a outra é inaugurada.

Os Lusíadas salvaram a nado o poeta

Ontem, foi dia de Portugal e de Camões, o poeta que salvou a nado «Os Lusíadas»; ou terão sido «Os Lusíadas» a salvar o poeta para a posteridade? Quanto à pala, já avisando os mais preocupados com os pormenores, não sei se está colocada no olho certo ou não...

sábado, 9 de junho de 2007

Museu Íntimo


Ilustração para «Até Amanhã, Camaradas»
Rogério Ribeiro


chora
e ora
esconde
e rompe
depois despe
cede
dedo
a
dedo
o
medo
e reergue
as mãos
uma
a
uma
como pluma
ao vento
a entregar a Deus
o seu lamento.

Roth

«A religião era uma mentira que tinha reconhecido cedo na vida, e achava ofensivas todas as religiões, considerava sem sentido e pueris as suas patetices supersticiosas, não suportava a sua completa imaturidade - a conversa infantil e a virtude e o rebanho, a avidez dos crentes. Não embarcava em balelas sobre a morte e sobre Deus, nem em obsoletos céus de fantasia. Só havia os nossos corpos, nascidos para viver e morrer nos termos decididos pelos corpos que tinham nascido e morrido antes de nós.»
«Todo-o-Mundo», de Philip Roth

The Sounds









E pronto, ao final do dia 1 do Oeiras Alive, depois de vistos e ouvidos ao vivo os suecos The Sounds, já havia quem dissesse que se podia ir para casa descansado, podendo até fechar-se as portas ao festival. Tudo muito verdade, e a verdade é que a banda de Maja Ivarsson pôs a um canto a prestação de bons rapazes como os Linkin Park (que pouco mais fizeram do que cumprir) ou os Pearl Jam (que se limitaram a oferecer ao público mais do mesmo, embora com entrega plena, é certo). Pena foi que aos The Sounds apenas tenham testemunhado cerca de uma centena de espectadores, relegados que foram para a Tenda no mesmo horário em que tocavam Eddie Vedder e os seus. Como não há bela sem senão, desfrutou-se de um concerto quase concedido em privado e com grande empatia entre músicos e público. Em palco as canções dos dois álbuns lançados até ao momento pela banda: o primeiro, «Living in America», de 2002, o segundo, o novíssimo «Dying to Say This to You». E em palco a energia imparável de Maja, Felix Rodriguez, Johan Bengtsson, Fedrik Nilsson e Jesper Anderberg, mostrando entrega total em hora e meia de concerto que, a deixar marcas, havia de cavar uma cratera no passeio marítimo de Algés, capaz mesmo de incomodar os sonos dos velhos do Restelo que, à mesma hora, se dedicavam a escutar as velhas canções dos Jam... Só isso se pode apontar à organização do Oeiras Alive!, o não terem posto os The Sounds a tocar para as estimadas quarenta e cinco mil pessoas que foram ao primeiro dia das hostilidades. Como a início disse, viemos para casa descansar e podíamos até não voltar que já nos dávamos por satisfeitos. Podíamos, não fossem hoje actuar pela primeira vez em Portugal os The White Stripes, de Jack e Meg White.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Eu? Eu


Descubra as diferenças! A doença celíaca mata.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Sempre a aprender

O «Diário de Notícias» diz que os elefantes têm uma audição quase sobrenatural porque também ouvem com as patas. E eu que julgava que era por causa do tamanho das orelhas!

G8 - Enquanto isto, no Darfur...


The 99 e o Incrível Homem-Papa...



Não é género que nos tenhamos habituado a ver acompanhando os ventos e rumos políticos da actualidade. De qualquer forma, a BD que veio da América sempre se fez acompannhar de sub-reptícias mensagens políticas, dessa forma contribuindo para uma velada expansão do imperialismo norte-americano. Há cerca de dez anos, escrevi para o jornal «Semanário» um texto sobre o assunto, que hei-de ver se encontro e aqui recupero. A questão não é de somenos importância, sobretudo não o foi nos tempos da Guerra Fria em que todas as «armas» contavam no combate à ameaça soviética. E sabe-se como os norte-americanos são férteis em explorar todos e quaisquer veios de triunfo dos seus ideiais e modos de vida. Mas este é só um aspecto que agora começa a reflectir-se. Outros, entretanto, e não menos interessantes, têm vindo à baila. Um, o facto de praticamente na história da Marvel não existirem heróis negros. Um dado a pensar e a não descurar porque, segundo estatíticas recentes no país do Tio Sam, os super-heróis da Marvel têm vindo a perder hordas de fãs. Muito, certamente, pela falta de identificação com as personagens por parte de uma grande fatia populacional de raça negra (e outras) que, desse modo, se sente posta à margem e não se revê nas histórias dos Comics. Fartos deste panorama sectário, racista e imperialista, veio agora a público a notícia de que no Egipto, já a partir de Setembro, passará a ser publicada uma revista de Banda Desenhada com heróis árabes. A publicação, lançada pela Teshkeel Media, com sede no Koweit, chama-se «The 99» e propõe aos leitores uma vasta gama de heróis do mundo árabe, está de ver todos eles verdadeiros mártires ao serviço do islamismo. «99» porquê será esse, nada mais nada menos, o número exacto de heróis a conhecer, cada um representando uma virtude que os muçulmanos acreditam que Alá (Deus) possui. Mais curioso é que, nessa lista, até terá lugar, imagine-se, um português, ou não estivéssemos, como Deus, em todo o lugar!... Naif al-Mutawa é o nome do criador da série, restando aguardar para ver que aventuras nos reserva e quem encarnará as personagens de vilões a Ocidente. Em suma, a BD a ler o espírito dos tempos, como antes já o fizera quando, em 2005, foi lançada em Itália uma BD especial sobre o Papa João Paulo II, o sumo pontífice da Igreja Católica falecido em Abril desse ano. Também nesse ano, e sobre a mesma figura sacerdotal, saiu uma BD na Colômbia apresentando um Papa (dito Incrível Homem-Papa) que retornara a vida com superpoderes, passando a combater o Mal, apresentando-se com uma capa antidemónio, tendo direito a cuecas de castidade e um cinto cheio de utilidades, contendo, entre outras coisas, água benta e vinho da comunhão... Tudo em prol do combate a Satanás!

Couple Coffee

Ouvi-os ontem, pela primeira vez, e o que posso dizer é que cheguei tarde. Cheguei tarde porque "Co'as Tamanquinhas do Zeca" é o segundo disco dos Couple Coffee & Band, que neste novo trabalho oferecem ao melómano um excepcional tributo 'tropical' a Zeca Afonso. Para quem os quiser ouvir ao vivo, eles vão apresentar-se já depois de amanhã em Lisboa, no Onda Jazz, pelas 23h30 para o primeiro de uma série concertos. No dia 30 de Junho, também um sábado, o grupo sobe até ao Porto para pisar o palco do auditório do cinema Passos Manuel. O último concerto desta série tem lugar no MusicBox a 14 de Julho, antecedendo a ida dos Couple Coffee ao Brasil. Os Couple Coffee & Band apresentarão ainda sete temas do novo disco em directo para o programa "Viva a Música" da Antena 1. A transmissão será feita a partir do Teatro da Luz, no dia 14 de Junho, pelas 15h00, e a entrada ao público é livre. No mesmo dia, pelas 22h30, o duo Norton e Luanda, convida J.P. Simões para um dos últimos espectáculos do B.Leza. O casal tem participado habitualmente nas apresentações ao vivo do trabalho a solo do cantor de Coimbra.
Mais informações em www.myspace.com/couplecoffee.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Amas-me? - Cena 11 Fim

Cena 11


(A mesma sala de estar inicial. Jorge está na exacta posição em que Leonardo se encontrava no início da primeira cena. No fundo do palco, passam cenas da guerra. Ouve-se novamente Wim Mertens. Jorge lê um jornal, Luísa entra com uma revista na mão. Senta-se ao pé de Jorge e estão assim alguns segundos até que ela, fartando-se da revista, a deixa cair em cima da mesa de apoio e, subitamente, pergunta a Leonardo:)

LUÍSA
Amas-me?

JORGE
Se?... Desculpa?

LUÍSA
Não ouviste?

JORGE
Não, não ouvi, podes repetir?

LUÍSA
Não ouves nada, tenho sempre de repetir mais do que uma vez. Leonardo, perguntei-te se me amas. Amas-me?
(As luzes apagam-se. Ficam apenas visíveis as imagens de televisão projectando, ainda e sempre, no fundo do palco, as mesmas imagens de guerra, desta vez em silêncio. Depois, de repente, apagam-se e o pano fecha.)


FIM

terça-feira, 5 de junho de 2007

À solta, com bilhete de ida e volta





















Daniel Gustav Cramer










Em Lisboa, a Vera Cortês Agência (Av. 24 de Julho, 54, 1º Esqº) recebe o trabalho fotográfico de Daniel Gustav Cramer. Para ver, três séries recentes de imagens colhidas na Natureza, colhidas igualmente num sentimento romântico de recolhimento na distância e na vastidão dos espaços do silêncio. Woodland, Underwater e Mountains, dezoito fotografias e um retrato, tudo para afiançar da permanência do Belo, algures no recôndito de nenhures. De preferência, onde não chegue a mão humana. Para ver a partir de 30 de Junho, durante Julho, e de 3 a 7 de Setembro, de terça a sexta, das 11h às 19h, e sábado, das 15h às 20h.