terça-feira, 29 de maio de 2007

Trienal de Arquitectura - O Futuro, Ontem


A partir de depois de amanhã, 31 de Maio, o Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, vai acolher a realização da Trienal de Arquitectura de Lisboa. O evento terá como tema «Vazios Urbanos» e pretende abordar os espaços caídos em desuso, ignorados ou expectantes, que são uma parte significativa da estrutura das cidades do século XXI. E penso, a propósito, que o futuro é o maior e mais importante de todos os vazios urbanos e humanos. Projectá-lo é uma condição de possibilidade da arquitectura. De resto, nunca descurada no passado, como o provam estas bonitas ilustrações postais que fui desencantar na net. Datam do início do século XX e projectavam as cidades no ano 2000.


God's playing football in the backs






Máquinas

Fartam-se as marcas automóveis de alardear os baixos níveis de consumo aos cem. Nada que se compare ao corpo humano; aos cem já pouco ou nada consome...

A arrumação dos dias


Ilha

Não sei porquê, ponho-me a pensar na palavra ilha. E em como na sua brevidade ela se circunscreve e diz da sua essência. Ilha; assim, como se se esgotasse em si própria, súbito ponto no oceano. Já ao contrário, a palavra continente respira outra dimensão, dá-nos outra ideia de grandeza e desmesura. A verdade é que qualquer palavra encerra em si muito mais do que qualquer número. As palavras têm cor, cheiro, espaço e tempo. Os números não, não se têm senão a si mesmos e as quantidades que encerram. No fundo, as palavras abrem, os números fecham. Por estas e por outras gosto das palavras e não dos números.

Histórias Fulminantes 10

No país dos salários baixos eram os salários anões que se sentiam mais discriminados. Descontentes com os salafrários dos salários baixos, os salários anões foram queixar-se aos altos salários que eram quem mandava no país. Os altos salários não se quiseram comprometer com as reivindicações dos salários anões, até porque isso iria comprometer as suas boas relações com os salários baixos, que, apesar de baixos, iam dando para os gastos. Nisto tudo, só os salários médios não se meteram. Calados ficaram também os salários gigantes, mas esses também só souberam da polémica muito tempo depois uma vez que estavam de férias nas Maldivas.

Autárquicas LX 07 - Lisboa. A sério?


segunda-feira, 28 de maio de 2007

Más Notícias

Ontem, na primeira página do «DN»: «Calamidades vão ter mais apoios». Estão avisados, portugueses, para o ano esperem mais incêndios, mais tempestades, mais inundações, mais terramotos, mais furacões, quiçá mesmo, com alguma sorte, um tsunami! Só não percebo é porque é que no desenvolvimento da notícia surge o ministro da Agricultura, Jaime Silva, com um grande sorriso...

domingo, 27 de maio de 2007

Euro Milhões

«Talvez Deus tenha o rosto de um croupier e eu seja apenas um pobre diabo que joga no vermelho quando sai o preto e vice-versa.»
Mario Benedetti, «A Trégua» (Cavalo de Ferro)

Greve

Jerónimo de Sousa pede mais uma greve geral para o país. Creio bem que se os pedidos comunistas de greve tivessem sido levados em conta desde o 25 de Abril o país já teria desaparecido do mapa. Curiosamente, isso implicaria, por consequência, o desaparecimento do próprio Partido Comunista! Afinal, segundo Marx, nem só o capitalismo se auto-destruiria...

A fome

Ontem, na Feira do Livro, recriminei um homem por roubar livros descaradamente e a grande velocidade. Confesso que só depois me perguntei se ele não precisaria dos livros para sobreviver.

Ninguém leva a mall

Sábado. Passo os olhos numa revista/ suplemento que o «Diário de Notícias» oferece. Título: «Life»! Acho bem, parece-me muito bem que o centenário jornal português titule em inglês uma publicação sua. Afinall, tudo normall, em Portugall ninguém leva a mall e o jornall fica mito mais internacionall... Não sei, meus filhos, que jornais serão os vossos...

Taça, pois claro

Por Deus, alguém diga a Jesus para não mascar chiclete daquela maneira abjecta! Sporting!!!

sábado, 26 de maio de 2007

Bairro Alto





















Autárquicas LX 07

Antes de ir, só o primeiro cartaz de campanha que acaba de me chegar.

Até logo

E agora uma pausa para café e um excelente livro que estou a ler: «A Chave de Casa», de Tatiana Salem Levy, editado pela Cotovia. Podem encontrar-me mais logo, à tarde, 17h00, na Feira do Livro de Lisboa, Pavilhão da Caminho. A ver o que trago da feira para contar! Depois, à noite, «Uma Solidão Demasiado Ruidosa», no Convento das Mónicas, às 21h30.

Histórias Fulminantes 9

Quando todos falavam, havia um homem que cavava silêncio dentro do seu peito. Cavou, cavou, cavou até que encontrou o coração. Falando-lhe, ao coração, apenas teve como resposta que o silêncio era o parente mais próximo da morte. Quando quis responder já era tarde. Respeitando o silêncio todos calaram a sua morte.

O dia de ontem

Sem hipóteses

Bebés- 1 Dave Matthews Band - 0

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Portugall

país ao lume brando dos costumes
país do pisca pisca o olho à menina
picante e very mística país quantitativo e tal
país do petisco a meio da tarde tremoço e imperial
país do têgêvê e da transvanguarda da cuspidela
para o chão pútrido dos costumes
dos delatores às vezes imagine-se doutores
e país apesar do sol nem sempre interessante
sobretudo quando o dito cuspo aplicado às licenciaturas
e quejandas urdiduras político imposturas
sem respeito pela coluna vertical e étical
país pouco distante da gravata
da bravata e da torpe negociata
país ocidental país osso e dental
pós-homogeneizado gordo e meio gordo
... os esforços são os possíveis prometemos em breve
sim passe por cá mais tarde talvez mas...
país dizia das comichões em torno de francis
coça(r)carneiro e dos pobres impobres para consumo
país certamente dos melhores do mundo de grandes e-
ventos que o vento levará; é inegável as conquistas
o vint5dabril o vint5febril e fabril
país dos anos anteriores estruturalmente ineficazes
kamicases case studies para os doutores (a vírgula,
dôtoravírgula!) país das pontes para o sul e para as praias
país dos recordes para o guiness
país do business
das prestações e das frustrações quando
ainda ontem dez de ontem dia da desg
raça os pobres preservando a greve
para o dia de amanhã que o dinamismo nem sempre
revela um avanço e lanço a lanço o lenço na testa
lenço a lenço maria subindo maria descendo Ah
salazar uma estátua um museu um happening fantástico
asmático porém vitorioso e as forças desarmadas
em força para áfrica em forca para af
rica em forca que assim se afirma a capacidade multiespeculativa
dos interesses irmãos que um país por explorar
requer sempre um país explorador
país flash-franco-atirador país elementar e alimentar
do almoço ao jantar é estar é estar depois sair
a contas para a suíça em força arejar arej ar ar e jar
ar e j ar ar ar AR!

A idade

«Chegou à idade e foi para o desemprego.» Sim, esta também.

Cinzento

Ontem, vi parte do programa de António Barreto na RTP2. E ouvi uma frase tremendamente triste e cinzenta, dita pela boca de uma criancinha que, numa aula dos tempos da Velha Senhora, lia da sebenta: «Quando chegou à idade foi para a tropa.»

Eleições

Os números dizem que há doze candidatos à Câmara de Lisboa. Será um para cada mês? Ou um para cada poleiro?

Quando nasce torta tarde ou nunca se endireita a OTA

Do tempo, dirão uns. Certo é que Mário Lino e Almeida Santos não estão bem. Defendendo a dama de ambos, dita OTA, dita a norte de Lisboa, o primeiro avançou que construí-la a sul seria equivalente a estar a investir num projecto no deserto; estaríamos, por conseguinte, a construir um aeroporto para os mouros - o que, de resto, não espantaria depois de há poucas semanas o governo ter investido na construção de um campo de futebol na Palestina. Chama-se a isto aprofundamento das relações luso-árabes, o que só nos fica bem à luz das seculares relações que temos com os sucessores de Tarik. Depois, não querendo ficar atrás, Almeida Santos chegou à conclusão de que a OTA é o melhor local para se avançar com o projecto porque em Lisboa há pontes (nem mais, pontes, assim dessas, sobre o Tejo) e com um aeroporto a Sul, na hipótese de um atentado terrorista às ditas pontes, a coisa ficaria muito complicada para se chegar à capital!!! Entretanto, fonte do Parlamento informou os jornalistas que tais declarações foram veiculadas depois de os dois políticos terem dado uma forte cabeçada quando ambos colidiram ao virar de uma esquina nos passos perdidos do hemiciclo.