terça-feira, 15 de maio de 2007

Paulo Bento


Paulo Bento é, digo-o com a maior tranquilidade, um homem peculiar. Juro que todos os dias tento encontrar na rua um homem com risca ao meio e não consigo. Centro mais centro não há e muito me admiro que no Sporting não tenha jogado nessa posição. Diz quem o conhece que gosta de ser diferente. A verdade é que mão amiga me fez chegar uma imagem de Paulo Bento quando em tempos deixou crescer o bigode. Bigode com risca ao... lado! Para ser diferente. Mão amiga também me contou que quando nos seus tempos de juventude Paulo Bento fazia atletismo, enquanto os colegas saltavam em comprimento ele saltava em largura! Para ser diferente. A ver se domingo que vem este homem marca a verdadeira diferença!

Gira Vídeos

E noutro género, mas muito bom, James Yorkston.
http://www.youtube.com/watch?v=3eYSUxoRc0U

Gira Vídeos

E para quem não os viu em Lisboa, eis aqui os Bonde do Role de que já falei.
http://www.youtube.com/watch?v=Kgb6FxuaPQA

Gira Vídeos

Ok, agora um pouco de música com o senhor Benjy Ferree, directamente do álbum recente «Leaving the Nest». Está em:
http://www.youtube.com/watch?v=BSVWrKLGH0k

Projecto Sócrates/ MIT Novas Tecnologias/ Amareleja

Ó Gracinda, não me apagues a mensagem que eu vou só ali aos correios comprar um selo.

Manuel, atão e tu achas que eu podia aproveitar e mandar uma encomendazita com o mêle?

Estou sim? Então com'é que vocemessê soube qu'eu 'tava aqui no meio do campo?

Ó Joaninha, ó Paulito, ponham-se aí à frente da câmara qu'é pra eu filmar.

Eu, de inglês nâ falo nada, só sei dizer gpyes.

Password? Não percebo! Então se isto é um código secreto porque é qu'ele me diz para eu passar a palavra a outro?

Então e a que horas é que costuma chegar o carteiro electrónico?

E se eu não estiver em casa?

Tá Dahr

Mika e Michael Carreira, dois casos de sucesso bem actuais no panorama musical. O primeiro, um sucedâneo empacotado misto de Scissor Sisters e Abba, o segundo um rapazinho bem comportado e com ar de copo de leite morno. Ao primeiro, prefiro, sem dúvida, a originalidade dos Scissor, ao segundo, nem sei que diga! Olha, preferia a Micaela...

E agora para um momento poético

Entre vasta, fogosa e lesta concorrência
Sabrina sobe ao palco, canta e desafina
com afinada grandiloquência

Não chega aos pés do saudoso Carlos Paião
a menina com nome e voz de sapato raso
a lembrar a sirene dos bombeiros do Baião

Para apagar tão triste figura
de cantora em formato pechisbeque
mais valia como dizia o Paião cantar em play back

Histórias Fulminantes 6

Gémeas, o que uma sentia a outra, como que por reflexo, também no imediato disso se ressentia. Quando a primeira torre gémea ruiu não demorou muito até que a irmã lhe seguisse o exemplo.

Portugal e o Hoje

«A Equipa da FátimaShop depositará no cremador de cera do Santuário de Fátima, no espaço de 48 horas, as velas ou figuras de cera, em seu nome, pelas Intenções que nelas depositar. O valor do Serviço é fixo independentemente da quantidade dos artigos escolhidos. A forma de encomendar é simples, prática e segura. Se é a primeira vez que está a fazer compras na Fátima Shop, clique aqui para ficar a conhecer os métodos de pagamento disponíveis no nosso site.» O extraordinário site é o http://www.fatimashop.pt/ (um dos muitos que há na net) e o que propõe é uma espécie de devoção de fé por via de intermediário, assim, bem ao jeito do que se passa nas compras nos hipermercados via internet! Confesso que, no Portugal de hoje, século XXI, não sei o que mais espanta: se a maré de peregrinos que se dirige para Fátima, muitos cumprindo promessas pagando-as caro com a carne e o corpo, se o negócio aviltante e fervilhante que em torno do fenómeno campeia.
Olhando para Fátima, assistem-me as imagens do excelente programa de António Barreto, «Portugal – Um Retrato Social». Um programa que parece a todo o momento procurar sinais de um Portugal outro, moderno e civilizado, voltado para o futuro, apostado em valores racionalistas, mas que a todo o instante esbarra e tropeça em muros e raízes que minam o país desde o tempo da Velha Senhora. Estaremos menos pobres, mais próximos da Europa e do mundo, mais cultos, mas a grande maioria do povo permanece num limbo entre o passado e o presente, num território sem espaço nem tempo definidos – assim, tal como as imagens do programa, oscilando num preto e branco e cores, num claro escuro donde não conseguimos sair por mais telemóveis e bandas largas que se vendam. A música que Rodrigo Leão compôs para o programa expressa bem esse estado lacónico/ nostálgico, oscilando entre um passado cinzento e um futuro prometido a cores mas eternamente adiado.
Portugal hoje parece-se muito com um postal. Um postal a cores cujas tonalidades se esbatem à medida que o sonho europeu se vai delindo e os tons da realidade (económica, social, cultural) insistem em não sair do negro. E por isto tudo me lembrei de um filme de Daniel Blaufuks (o fotógrafo vencedor do BES Photo) que passou no IndieLisboa 2006. Chama-se «Um pouco mais pequeno que o Indiana» e deveria ser mostrado na televisão de serviço público. Ao estilo road movie, Blaufuks, na ressaca do Euro 2004, pegou no seu Mercedes e com a câmara no «lugar do morto», tendo como rota imaginária velhos postais, foi filmando um certo país moribundo que somos, uma vez transpostas as fronteiras de Lisboa e Porto. E o Portugal que aí vemos não é outro senão o das clivagens sociais, da ausência de estética, do desnorte urbanístico, do desemprego, da desumanização dos campos, da esperança substituída pela fé. Por isso fui a Fátima, para ver Portugal e tentar perceber.

Micro Filmes

The Blind and The Bird





Gira Discos


A melhor banda americana está de regresso aos discos. Os Wilco acabam de editar o seu sexto álbum de estúdio, «Sky Blue Sky», e propõem para audição doze excelentes canções. Um som que ora mergulha em sonoridades rock mais retro, ora emerge em acordes e rasgos profundamente actuais. A banda de Jeff Tweedy, sucessora dos Uncle Tupelo (nome de culto no âmbito da country alternativa dos anos 90), gravou no The Loft, o seu estúdio de Chicago, sendo o disco gravado por TJ Doherty (Sonic Youth, The Hold Steady) e misturado por Jim Scott (The Red Hot Chilli Pepers, Rolling Stones). Imprescindível é também registar a presença neste trabalho do guitarrista Nels Cline que, aos 51 anos, e depois de integrar a banda no álbum «A Ghost is Born», volta a mostrar porque roça a genialidade, sendo que o teclista Pat Sansone também não deixa créditos por mãos alheias. O resultado está à vista, ou ao ouvido. Nas rádios, não sei, mas no meu carro tem passado insistentemente. Já no top dos discos do ano.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Amas-me? - Cena 1

AMAS-ME?


Personagens:
(Presentes)
Luísa
Leonardo
Raquel
A Mãe
O Pai
A Filha
A Empregada
Henrique Cimento
Jorge
(Ausente)
Doutor Estranho Amor


Cena 1


(O palco apresenta-se negro quase por completo, apenas possibilitando a percepção de um televisor em primeiro plano, quase à boca de cena, voltado de costas para o público. Decorrem alguns segundos até que Leonardo se aproxima e, baixando-se, liga o aparelho e depois senta-se num sofá a folhear um jornal. Ao fazê-lo, o palco ilumina-se. A decoração da sala revela bom gosto e poder de compra. Haverá pelo menos dois sofás e uma mesinha de apoio, onde estarão revistas e o comando televisivo, eventualmente outro qualquer objecto decorativo, como uma jarra de flores. Ouvem-se os acordes de «Un Respiro», de Wim Mertens, primeiro alto, depois, aos poucos, gradualmente diminuindo até ao silêncio. É nesse momento que entra em cena Luísa. Traz com ela uma revista de moda feminina e senta-se perto de Leonardo. Os dois lêem; estão assim alguns segundos até que ela, fartando-se da revista, a deixa cair em cima da mesa e, subitamente, pergunta a Leonardo:)

LUÍSA
Amas-me?

LEONARDO
Se?... Desculpa?

LUÍSA
Não ouviste?

LEONARDO
Não, não ouvi, podes repetir?

LUÍSA
Não ouves nada, tenho sempre de repetir mais do que uma vez. Leonardo, perguntei-te se me amas. Amas-me?

LEONARDO
Lá estás tu outra vez.

LUÍSA
Outra vez... é só isso que tens para me dizer?...

LEONARDO
Sim, estás sempre com isso. Se te amo, se te amo! Isto assim começa mal.

LUÍSA
Não percebo qual é o problema. Não é uma maneira tão boa como qualquer outra para se começar?

LEONARDO
Sem dúvida, perfeitamente, tão boa como outra qualquer, só que vai sempre dar ao mesmo.

LUÍSA
O mesmo... Que é o quê? O teu silêncio, deve ser isso a que te referes.

LEONARDO
Não, não é a isso que me refiro, Luísa. Refiro-me ao facto de que sempre que começas com essas perguntas a conversa vai por água abaixo, a conversa dá sempre para o torto, acaba sempre mal. É isso, acabamos sempre mal quando começamos por aí.

LEONARDO
O.k. Luísa, queres ver se me confundes, não é? Vens sempre com essas coisas para me confundires.

LUÍSA
Coisas? Presumo que estejas a falar do amor, porque é disso que eu estou a falar.

LEONARDO
Sim, do amor, naturalmente.

LUÍSA
Achas então que o amor acaba sempre mal quando o discutimos, quando falamos de amor?

LEONARDO
Sim, basicamente é isso, quer dizer... O que eu quero dizer é que o amor é uma coisa muito complicada e quanto mais o questionamos, pior. O amor deve fluir, devemos frui-lo, não questioná-lo, não devemos andar atrás dele, devemos deixar que nos procure, que nos visite, que nos inunde... Pronto, lá estás tu já com essa cara de gozo e de desdém, é sempre assim, primeiro fazes-me as perguntas e depois quando te respondo pões esse sorriso a meia haste na cara. É o que te digo, dá sempre para o torto, estás a ver, já está a dar para o torto.

LUÍSA
Claro, é porque tu não ouves aquilo que dizes, porque se ouvisses de certeza que também te rias, aposto que te rias às gargalhadas. Experimenta, põe-te em frente ao espelho, olha para ti a dizer isso e vê se te reconheces. Garanto-te, morres de riso ou pelo menos alguma coisa má te há-de dar.

LEONARDO
Pronto, já sabia, o corolário normal da conversa de sempre, agora vem a parte da história de que já não sou o mesmo de antes, que já não me reconheces e por aí adiante, não é? A seguir, e escusas de o dizer, eu adianto já, vem a conversa de que já nem sequer faço nada cá em casa, que só desarrumo, e que nem a escova de dentes ponho no lugar, e o champô destapado que depois fica com água dentro e os salpicos do creme da barba no espelho da casa de banho...

LUÍSA
Leonardo, pára, pára. Estás a enervar-me. Tu não tens esse direito. Será que não vês que aquilo que podia ser tão simples acaba sempre numa complicação porque te pões a trocar as voltas à conversa! Eu fiz-te uma pergunta muito simples, uma só palavra, uma interrogação básica: amas-me?

LEONARDO
Luísa...

LUÍSA
Leonardo, amas-me?

LEONARDO
O.k., amo.

LUÍSA
(Levantando-se enervada e saindo de cena ao ouvir o toque da campainha.)
Mentiroso! (As luzes apagam-se.)

Histórias Fulminantes 5

O carteiro hoje chegou tarde. Deixou apenas mais uma história fulminante. A que se segue:

Foi no Verão de todos os calores. O Verão de todos os incêndios e da grande seca. Donato Alberti, um homem quente e de língua comprida, teve a ideia da sua vida. Iria para a Praça de São Marcos vender beijos molhados. Certo dia, por desconhecer que a bela turista dinamarquesa à sua frente estava prestes a afogar-se em mágoas, o seu beijo acabou por ser a gota de água que a matou.

domingo, 13 de maio de 2007

A arrumação dos dias


Ficção

Ontem, ao final da tarde, ligo a televisão. Uma bola luminescente atravessa o céu do écran. Gentes e gentio acoitam-se rente à fé temendo a fúria dos deuses ou a indesejada visita de extra-terrestres. Penso em Kubrik. Mas não. Na sequência seguinte, duas caras conhecidas: Catarina Furtado e Diogo Infante. Pensara tratar-se de um filme de ficção científica, afinal era ficção nacional.

E agora para um momento poético

brasileira, esplanada

diz a marquesa
toda tesa, toda tesa
perna alçada
muito empertigada:
sobremesa, sobremesa
soufflé!

diz o pedinte
sem ouvinte, sem ouvinte
mão esticada
muito cheia de nada
sob a mesa, sob a mesa:
sofrê, sofrê!

E agora para um momento poético

ontem fui à baixa
que me pareceu em alta.
apesar do atravancado passeio
apesar do sujo mesmo feio
apesar dos carros e dos escarros
apesar dos meninos de risca ao meio
meninos pó de talco
meninos de palco procurando enredo
e devaneio - no chiado
os pássaros piam mais fino.
apesar
da muita gente que se atravanca:
o coxo e a sua perna manca
a menina e sua anca
os espanhóis de Salamanca e também
os literatos
nos porões da fnac como ratos
comprando holderlin e rodelinda
folheando as horas regateando versos
e romances atando tudo com cordel
e saindo contentes com o bom preço
a que estava o pack brel. ontem
fui ao chiado
e também não paguei fiado.

sábado, 12 de maio de 2007

Hoje embirrei com a Florbela

«Ser poeta não é ser mais alto», há muitos poetas abaixo do metro e setenta; não sei se Florbela estaria a referir-se aos poetas nórdicos, enfim... Eu, de resto, que de vez em quando cozinho uns poemas e tenho um livreco singelo publicado com meia-dúzia de versos, serei excepção com o meu metro e oitenta e sete. E dos "novos" que conheço vos digo, são todos mais pecos do que eu.
Ser poeta também não «é ser maior do que os homens», seria demasiada presunção.
«Morder como quem beija?» Mas morder porquê? Que violência! E o beijo, um beijo, dado como quem morde? Meninas, fujam! Esta deve ter servido de inspiração ao Macário...
«É ser mendigo»... Ser poeta é ser mendigo? Eu cá por mim não mendigo palavras. São-me dadas e depois trabalhadas. De outro modo, a velha história do Torga, ou já não sei bem de quem: dez por cento do poema são dados, são inspiração, o restante é trabalho, ou seja, transpiração. Já nem a poesia está para contemplações.
É «dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor»! Discordo totalmente. Dar, muito bem, mas como quem nada ou pouco tem, sendo essa dádiva, sim, sinal de partilha e grandeza moral. Para mais, quem acredita que quem seja rei do que quer que seja dá alguma coisa? Por exemplo, o Rei dos Móveis, nunca soube que fosse mecenas... Sejamos honestos, os reis aplicam-se apenas em duplicar fundos e territórios. A única coisa que dão são filhos e para se perpetuarem no poder.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Histórias Fulminantes 4

Viktor Turgenev teve azar, muito embora até àquela data se considerasse um homem de sorte. Certa noite, dirigia-se para sua casa vindo do trabalho e já só pensava no quente das pantufas e do robe quando foi abordado por um estranho que o intimou com uma pistola. A carteira, o sobretudo, o relógio, os óculos, os sapatos, as chaves do carro... Turgenev ofereceu-lhe tudo o que tinha mas teve azar. Declinando tudo, o homem limitou-se a roubar-lhe a memória. Era um louco que andava perdido há vários meses e cujo paradeiro a família e a polícia desconheciam. Na esquadra de polícia, Turgenev tentou lembrar-se da sua fisionomia mas não conseguiu. Depois pediu ao agente um copo de água e agradeceu que o chamassem pelo seu nome pois começava a esquecer-se de quem era.

E agora para um momento poético

Geração Vate
um verso que seja
basta
desde que dê para mudar a sola
tal já me consola.
no entretanto
a espera é uma espora
o futuro um túnel
escuro.

Geração Mate
porque os tempos não estão
para versos nem amores
directamente vamos
do playground para a playstation.
no entretanto só a consola
nos consola e o futuro...
eu não auguro!
Aí está, como prometido, o novo e bonito livro infantil de Vergílio Alberto Vieira, «Para Não Quebrar o Encanto». De ser criança, naturalmente. Sobretudo agora, nestes dias em que o mal se abateu sobre a pequena Madeleine, convém recordar, também a poucos dias do Dia Mundial da Criança, os seus direitos fundamentais. É o que se propõe neste livro com ilustrações de Rita Oliveira Dias. E diz assim, a páginas tantas: «Para que nada falte a quem tudo falta,/ é preciso que seja de todos/ o que é de todos; é preciso que meu seja/ o que é meu; que teu seja o que é teu/ para que tudo tenhamos,/ para que nada nos falte.» Inclui a Declaração da ONU dos Direitos da Criança. E a propósito de Madeleine, não deixei de me lembrar da sugestão outro dia avançada por Miguel Sousa Tavares «propondo» que as crianças não deveriam ser levadas pelos pais para os restaurantes...

Novas Oportunidades

Franz Kafka dedicar-se-á ao futebol alinhando como Franz Kaká.
Jheronimus Bosch dedicar-se-á à poesia, assinando como Heterónimos Bosch.
Pablo Picasso dedicar-se-á à cobrança de bilhetes na CP, sendo conhecido como Pablo, o «Pica».
Gustav Mahler dedicar-se-á a criar uma marca de malas de viagem com o nome Gustav Malas.
Popov irá dedicar-se ao design automóvel assinando Popó.
Bill Clinton dedicar-se-á à ginecologia, assinando Bill Clint’Oris.
Tony Blair dedicar-se-á à venda de Bíblias tornando-se, com o sucesso, conhecido por Tony Biblionair.
Louis Pasteur dedicar-se-á naturalmente à pastorícia, apresentando-se como Luís Pastor.
Luis Pastor deixará a música e dedicar-se-á à doçaria com o nome Luis Pasteleiro.
Manuel Alegre dedicar-se-á às toiradas com a graça artística Manuel Alegrete.
George W. Bush dedicar-se-á a fazer par com o Estica, fazendo ele de Bucha.
Michael Schumacher dedicar-se-á a relançar a moda dos Chumaços, fazendo também uma perninha nos churrascos.
Nelson Piquet, entusiamado com o sucesso dos churrascos Schurry, decide tentar a sorte nos rodízios, com as Piquanhas como especialidade
Indira Ghandi dedicar-se-á à moda criando a linha Indigo Ghandi.
O Papa Ratzinger dedicar-se-á à literatura infantil criando as personagens Papão Ratzinger e Joseph, the Singer Rat.
A Irmã Lúcia dedicar-se-á à produção de velas com a marca Irmã Luzia.
José Luís Tenente dedicar-se-á à carreira no Exército ambicionando chegar a José Luís Coronel.
Eusébio Ferreira tentará carreira na Imprensa escrita assinando com o pseudónimo Repórter Y.
José será, naturalmente, Mago.
Agustina, por via do seu estatuto, reformar-se-á e passara a pedir tudo ao Luís.
António Lobo Antunes virar-se-á tanto sobre si mesmo que mudará o nome para António Lobo António, investindo doravante na Literatura do Eu.
Jorge Molder irá trabalhar nos moldes da Marinha Grande abrindo a arte do cristal à fotografia.
Tacita Dean, tacitamente irá reclamar-se antiga namorada de James Dean escrevendo um livro sobre a relação havida com o actor.
James Dean, influenciado por Andy Wahrol, dedicar-se-á ao negócio dos feijões criando a marca James Bean.
Mr. Bean irá reclamar em tribunal a usurpação do seu apelido por James Dean (James Bean) passando o resto da vida convicto de que irá ser indemnizado.
Bin Laden também pensou em processar James Dean, mas tendo problemas com a justiça no Ocidente achou por bem dedicar-se ao comércio de velhos Lada, abrindo o stand Bin Lada.
Alberto João Jardim dedicar-se-á à limpeza dos parques públicos começando por limpar o seu nome do panorama político nacional.
Francis Bacon irá dedicar-se aos enchidos.
Salvador Dali tornar-se-á nadador-salvador dali, da praia de Figueres, naturalmente.
Paganini, Menuhin, Stern, Ysayë e Oistrakh irão jogar no Sporting tentando reavivar os Cinco Violinos.
Kant irá dedicar-se ao Bel Kanto.
Rene Descartes dedicar-se-á ao jogo em Las Vegas como distribuidor de cartas. «Rene, dá as cartas!»
John Locke irá dedicar-se ao negócio das portas blindadas. With luck, Locke fará sucesso. Não o obtendo, tentará uma versão da sua vida em banda desenhada: «The Life of Lucky Locke».
Wittgenstein iniciará uma carreira como actor, obtendo o seu primeiro papel como Frankenstein.
Beethoven irá abrir um negócio de apostas on line chamado Bet & Hoven com o slogan promocional: «Bet Hoven, Get Heaven».
Epicuro tornar-se-á um cura de sucesso.
Mussolini dedicar-se-á à venda de mousses na internet. Proporá um prato «dois em um» misturando mousse e tortelini.
Alphonse Mucha dedicar-se-á aos lavores com predilecção pelo trabalho com flores murchas.
Diego Maradona, valendo-se do seu novo porte, dedicar-se-á ao bel canto com o nome artístico de Diego Primadona.
Johan Sebastien Bach tornar-se-á enólogo e vinicultor criando o vintage Johan Sebastien Baco.
Toulouse Lautrec, apesar do mau indício do seu nome, «To Loose», apostará no negócio dos matrecos.
Manuel de Pinho dedicar-se-á aos móveis em Paços de Ferreira, tentando promover a marca Pinho com a campanha «All Pinho».
José Sócrates dedicar-se-á à Filosofia, obtendo a licenciatura na Independente e só depois pensando em inscrever-se no curso.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Encontro na Caminho o escritor Vergílio Alberto Vieira. Conheço-o desde que, há coisa de dois, três anos dediquei uma página inteira da Magazine Artes ao seu livro de poesia «Papéis de Fumar» (Edição Campo das Letras). Ficou-me agradecido do fundo do coração e ainda hoje, volvido tanto tempo, voltou a agradecer-me «uma página inteira numa revista!». Isto dirá muito a quem pretenda estudar a receptividade dos Media à poesia, tão-somente aquela que se diz a arte maior. Diz também muito do coração dos poetas. Hei-de ir à estante num instante buscar o dito livro e aqui hei-de novamente o mostrar e dar a conhecer. No mais, mostrarei também o seu novo livro infantil que acaba de publicar na Caminho. E mais vos digo que na minha biblioteca, ao contrário do que se passa nas livrarias, a poesia não se encontra nos andares de baixo, rente ao chão e ao pó.

Perdidos e Achados


Ao almoço (e certamente ao jantar), mas ao almoço, que é quando com eles nos cruzamos, à hora de almoço, portanto, nesses grandes refeitórios democráticos da actualidade que são os shopings, vêmo-los na crista da moda. Eles, calças largas, a cair rabo abaixo, elas, calças justas, a cair rabo abaixo. Não sei de onde vem o estranho desejo desta geração em mostrar o traseiro... terá tudo começado naquele dia da manifestação de estudantes em frente à Assembleia da República, quando a luta contra as propinas estava no auge? Enfim, são os tempos e não deixo de me lembrar que quando tinha a idade deles usávamos calças que mais pareciam de quem se predispusesse a ir ao berbigão, talvez por ali, na maré vaza do rio Arade, frente a Ferragudo, ou então nos Três Irmãos, lá para o Alvor... Em suma, uns para baixo, outros para cima. Alguém devia investigar a que se deve este desconforto geracional com as calças! E nesta matéria, claro, como não lembrar os saudosos anos 70, supra-sumo do design e do look. Outro dia, passeando, em Campo de Ourique, por uma daquelas antigas casas de fotografia, dou com o formoso rapaz que aqui vêem emoldurado a ver a vida passar. Reparem no cabelo sedoso, abraçando o pescoço, a gola em bico sobre a camisola de malha com gola média, e depois a magnífica armação dos óculos. Um efebo a despertar para a moda! Que terá sido dele? Quem é/ era? E como se irão rever os efebos dos shopings de hoje, melenas sobre os olhos ou cabelos em crista, mas sempre com as calças a fugir aos rabiosques, quando daqui a vinte ou trinta anos subitamente, ao virar de uma esquina, ao dobrar de um dia, se virem (a um deles) numa fotografia similar, quem sabe numa moldura digital?

Gira Discos

Dentro de dias será lançado o terceiro álbum de originais de Ana Moura. Voz maior entre as novas vozes femininas do fado, Ana Moura reincide na qualidade, que é como quem diz, reincide no sentir e na alma. Depois de «Guarda-me a Vida na Mão» (2003) e «Aconteceu» (2005), aquela que foi a primeira fadista portuguesa a cantar no Carnegie Hall, em Nova Iorque (2005), como também no Getty Museum (2006), Ana Moura edita agora «Para Além da Saudade», disco em que se faz acompanhar na guitarra portuguesa por Custódio Castelo, à viola de fado por Jorge Fernando e por Filipe Larsen na viola baixo. Como convidados especiais, as presenças de Tim Ries (músico da banda de Jagger, mentor do Projecto Rolling Stones, em que Ana já participara) e Patxi Andion, como letristas, Jorge Fernando, Amélia Muge, Fausto, Mário Rainho, Nuno Miguel Guedes e Fernando Pessoa (música por Patxi Andion). 15 temas novos, acompanhados de um DVD, a ouvir em repeat.



terça-feira, 8 de maio de 2007

A arrumação dos dias




Dois dos mais emblemáticos filmes de Nanni Moretti, realizados nos anos 80, e inéditos entre nós, acabam de chegar ao mercado em edição Midas. São eles «Bianca» e «A Missa Acabou». Incontornáveis para os fãs do autor de «O Caimão» e tantas outras obras-primas.





Novas Oportunidades

Este é o Zé Malcriado, se não tivesse estudado seria criado.

Osteopenia e um momento poético

Vou ao reumatologista. Apanhei uma osteopenia! E osteopenia, hein? - diria certamente o saudoso Pessa. Coisa linda, de um tipo roer os ossos de inveja... Bem vistas as coisas, não é qualquer um que tem uma osteopenia. O mais trivial é ter-se osteoporose. Eu cá, arranjei uma osteopenia, que, bem vistas as coisas, é bem melhor do que uma cirrose ou uma artrose reumatóide, se é que tal existe. Portanto, agora vou ao médico. Há cerca de um, dois anos andava eu sem saber que tinha uma osteopenia, desconfiava, porém, de que alguma coisa me andava a cirandar o esqueleto. E fazia exames e mais exames e escrevia assim, em poema inédito:

por estes dias
tenho andado e parado assim:
entre o tique e o tac
entre o bário e o trânsito
que vai dos dias ao intestino
tenho andado e parado
entre o passo e o compasso
entre o pé e a espera
entre a pressa e o pássaro que passa
presa fácil do sol de julho
como há sessenta e tal anos um calor assim
não se sentia dizem nos telejornais
telehabituais teleformais telemenstruais.
assim tenho andado
e parado
mais para lá do que do lado
de cá do corpo assim
como se andasse descalço na vida
olhando triste o relógio
entre o tic e o tac
tic tac

mais um copo de bário?
vá lá, um esforço!, diz a enfermeira.
assim, isso, para o poema...

Rimas de Inventar



Estão para chegar às livrarias nos dias que vêm. São dois livros para crianças que escrevi e que a Rachel Caiano ilustrou a rigor. Um, «Histórias Tais, Animais e Outras Mais», outro, «Histórias de Patente, com Tenente e Outra Gente». Os dois na colecção Rimas de Inventar, da Caminho. Outros virão a seu tempo.





Fui a Fátima, cumpri a minha promessa. Aqui está parte do que vi.























segunda-feira, 7 de maio de 2007


Oriundos de Curitiba, os brasileiros Bonde do Role misturam rock e funk carioca. Formado pelos produtores Rodrigo Gorky, Pedro D’Eyrot e pela vocalista Marina Ribatski, em 2005, a banda alternativa iniciou-se nas lides musicais e chegou às bocas do mundo através das canções que disponibilizaram no MySpace. Em 2006, lançaram um CD promo e um vinil e desde então vêm sendo elogiados pela Imprensa internacional. A Portugal, chegam no próximo dia 10 de Maio, à Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto. Para conhecer o seu novo disco, brevemente também disponível no mercado: «Bonde do Role with Lasers». Doze temas muito aconselháveis.
Alberto João Jardim vence eleições na Madeira com quase 70 % de votos. Agora percebo o verdadeiro alcance da frase «A Madeira é um jardim».
Dia da Mãe. Às tantas, um tipo distrai-se e já tem três mães para presentear! Naturalmente com agrado.
Sexta feira passada fomos registar o Francisco. Agora, supostamente mais fácil, uma vez que todas as Conservatórias se encontram reunidas num só edifício, na Fontes Pereira de Melo. É o Simplex, pensei! E chegámos. Décima?... décima?... Lá em cima, no sétimo ou oitavo... Para espanto, pouca gente na sala. Para menos espanto, era melhor tratar do assunto noutra conservatória, noutro andar. Seja. E uma vez lá, ao tirar a senha verificámos que seríamos os primeiros a ser atendidos. Milagre! E sentámo-nos olhando o contador electrónico. Na sala, mais uma pessoa, para ser atendida noutro guichet. E os minutos a passar. Nada. Ninguém chama. Penso então que o Simplex precisa de uma pequena ajuda para acordar o sistema. Levanto-me e aproximo-me do balcão onde supostamente me chamariam. E só então uma amável senhora: «O senhor, está para quê? Nascimento?» Nem mais. «Só um momento». Agora sim, o Simplex parece que ia pôr-se em marcha. «Façam favor!» A princípio corre tudo muito bem, nome do pai, nome da mãe, nome da criança, ex, outros filhos... O normal da papelada. e enfim a impressão, a verificar por nós para que não haja erros. Só que, para azar geral, um erro, um pequeno erro num dos apelidos faz com que seja necessário fazer uma alteração. Uma, uma só, pequenina, tirar um apelido! E eis que o simplex volta a falhar. O sistema informático emperra, uma caixa não surge com a informação que devia conter e... está o caldo, ou o simplex, entornado! Que fazer? Passam os minutos, e outros mais. E mais alguns. Com o dedo indicador a amável senhora vai tentando eliminar hipóteses e justificações para a falha. E nada. Como fazer? Como ultrapassar a inércia do Simplex? Fácil: chama-se a funcionária do lado, que vem, prestimosa, também amável. Sucedem-se, entre as duas, o tu cá tu lá de soluções possíveis. «A ti já te aconteceu?» «A mim não, faço sempre tudo como ele (o sistema informático) quer.» «Ai, mas eu também!» Mais minutos. Até que para descompressão geral, a primeira amável senhora fala do quão bonito é o nome escolhido para o bebé. E que tem dois filhos. Dois bons rapazes. Que até são caseiros, imagine-se, nos dias de hoje! Um já namora. Às vezes dorme fora, mas antes avisa a mãe. Bom rapaz. O outro também. Uma delícia, ter rapazes. A mãe dela também se chama Alice. O primeiro neto também há-de chamar-se Vasco. E o sistema nada. Simplex mais Simplex é impossível. Reentra-se no sistema e para felicidade e alívio geral a dita e maldita caixa onde não aparecia a tal informação decide compactuar com o Simplex e, finalmente, parece que tudo bem. Agora, sim, nova impressão, «vejam se agora está bem», e já está. Registado. Só então percebo o dito que estava escrito numa pequena folha na secretária da amável senhora: «Sorri sempre ainda que o teu sorriso seja triste, porque mais triste que o teu sorriso triste é a tristeza de não sorrir». Sorrio e saio.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Como já há quem me pergunte onde fui buscar o nome deste blog, elucido: a qualidade do silêncio é o título de um dos poemas do meu livro «Chiasco», publicado nas Quasi Edições. Diz assim, o dito:

agarra essa pedra e abraça-a.
nem sempre o silêncio
tem a sua qualidade.

Sim, eu sei, tropeço no silêncio a cada poema. Silêncio, silêncio, silêncio... Até! Já estou a falar muito.

Ontem, assisti ao ensaio geral de «Blind Date», a peça coreográfica que Bill T. Jones vai apresentar amanhã e no dia seguinte no grande auditório do CCB. Uma outra vez, a desarmante destreza e fluidez dos corpos, corpos que falam, dizem. Talvez por isso co-assistidos por vídeos, projecções, palavras ditas: questionando o mundo militarista de hoje, perguntando pelos resquícios dos ideiais iluministas. Intensamente gestual, intensamente visual, intensamente musical, intensamente crítica, intensamente bela, assim a dança de Bill T. Jones. Em suma, uma coreografia de emoções. Depois da visita de Pina Bausch há coisa de um mês, de que podemos nós queixarmo-nos? Da falta que faz a Companhia Gulbenkian! Sem dúvida.



A chuva que nestes dias reapareceu fez periclitar a agenda do Estoril Open. Voltei. E, confesso, semi-infiltrei-me na área VIP, sponsors e afins (ou afilhados). E não ser «público» é outra coisa. Sponsor é que está a dar. Ali, sim, gosta-se de ténis: faz-se muito marketing, o socialight põe as festas em dia. Olá tio, olá tia, olá Pedro! Não eu, o Santana, que por lá andou a passear o seu penteado, que, estou certo, não arriscaria para salvar o planeta de um ataque de caspa à escala global... E depois ex-ministros e ex-políticos, empresários muitos, o creme português. E come-se sobretudo bem, muito bem. Destrincham-se leitões a céu aberto. Tias disputam saladas de marisco variado. Nutrem-se negócios. Eu, faço um smash dali para fora, a ocupar sozinho um camorote inteiro, podendo mesmo, assim quisesse, ocupar a quase totalidade dos restantes camarotes à minha volta. Porque ali, sim, gosta-se de ténis. No court, Gasquet (que também haveria de deitar abaixo o nosso «caracolento» Frederico Gil) dominava o gigante Max Mirnyi. É, está visto, o open dos David. Até já, vou comer um docinho à área de negócios e já venho. Ou então, aproveito para ir tirar uma licenciatura em Engenharia...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Histórias Fulminantes 3

Era um fascínio que Alexander tinha desde criança. Havia de ser maquinista de comboios. Como não o conseguisse, não foi por isso que desistiu do seu sonho. Passou a participar em todas as festas de casamento e baptizados do seu bairro, tomando sempre em mãos a tarefa de conduzir os comboios de gente cantando e dançando. O sonho acabou em tragédia quando atropelou uma convidada que se recusara a entrar no comboio.

quarta-feira, 2 de maio de 2007


Gostava de este fim-de-semana, ou nos próximos dias ir a Fátima. Em reportagem. Não para fazer nenhuma promessa, muito menos para uma qualquer pagar. Pagar promessas... Creio não distanciar-me muito da verdade ao pensar que é isso mesmo que muita gente que hoje vai a Fátima é levada a fazer ao engano. Pagar... Depois direi dos preços das velas e das promessas. Certamente capazes de fazer com que muitos em vez de pagarem promessas antes as apaguem. No mais, interessa-me captar a essência da fé. Uma fé que, confesso, me custa a perceber quando levada ao extremo da dor e ao arrepio da dignidade humana. A ver o que me reserva a minha bola de cristal.

Histórias Fulminantes 2


Dread Man Walking. Na rua, um tipo estilo dread olha de repente para o lado e vê um tipo com mau aspecto a fixá-lo. Tomado de ímpetos e azeites a ferver, dispõe-se a esmurrá-lo, dizendo: «'Tás a olhar para quem, ó chunga?» Barulho de vidros estilhançando-se e um grito de dor. Só então o dread percebeu que estava a ver-se ao espelho numa montra. Foi a primeira vez que teve a real percepção do seu look.

Do mais recente disco do rapper norte-americano Sage Francis, «Human the Death Dance», a lançar em Maio, recebi o endereço da label Epitaph (a sua editora) onde se pode ver e escutar o vídeo de «Got Up This Morning», onde surgem nomes como os de Slug, Buck 65, Brother Ali ou Jolie Holland. Porque o rap e o hip-hop também se ouvem com prazer.

Histórias Fulminantes 1

Tomava conta de crianças mas fartou-se dos seus berros e birras. Entrou para a Polícia e ficou desiludido quando o mandaram para a rua tomar conta de ocorrências.
Plácido Domingo, o tenor espanhol, actua hoje à noite em Lisboa. Parece que quis convidar pessoalmente Eusébio para estar presente no concerto. Espero que o Pantera Negra, ao ouvir uma qualquer grande ária, não se imagine a entrar numa grande área e dê consigo a rematar uma canção em cima do palco.

No Barreiro, o Auditório Municipal Augusto Cabrita abre portas a uma exposição sobre «A Arte de Maria Keil». Lembram-se das antigas estações do metro, revestidas a ladrilho em tonalidades mutantes, cuja beleza não resistiu à poluição e à usura dos anos? Pois é, nesta exposição Maria Keil mostra a resistência da beleza e sensibilidade do seu traço e do seu olhar. Um olhar que deve também ser lançado sobre a edição do livro «A Árvore Que Dava Olhos», com texto de João Paulo Cotrim e ilustrações da artista. O selo é da Calendário. A exposição pode ser vista até 31 de Julho.
FNAC. Segunda-feira à noite. Não resisto à tentação e compro (em promoção, 8,95 euros) o primeiro álbum dos Kings of Leon, depois de ter escutado o recente e acabado de sair «Because of The Times». Visito ainda a secção de literatura lusófona e reconheço uma voz: Ondjaki. Escritor andarilho, trotamundos e outros epítetos que tais, embaixador da literatura angolana (não seria de todo má ideia pensar nesta função, sobretudo quando para aí há tantos embaixadores da boa vontade disto e daquilo - de embaixadores da boa vontade, poder-se-ia dizer, está o mundo cheio), Ondjaki está de passagem por Lisboa, em trânsito para o Brasil. Falámos sobre livros, edições, bons e maus livros (a história da má moeda, que afasta a boa moeda, veio à baila, adaptando-se na perfeição aos livros), despedimo-nos. Não sem antes Ondjaki me convidar a visitar Luanda. Convém ter um guia, por causa de perigos vários, e ele oferece-se para o efeito: que haveríamos de visitar Ruy Duarte de Carvalho e Malangatana nas suas casas, etc. «Quando vais lá, Pedro?» Respondo que não sei, que tenho a vida presa em Lisboa. Como quem diz: «Quem me dera ser onda»!

Fim-de-semana e feriado. No Jamor, espectador do Estoril Open, assisti à derrota da promessa lusa Gastão Elias. O dito futuro grande Elias sucumbiu às mãos do francês Moncourt. Em dois set, sem apelo nem agrado do público.

sexta-feira, 27 de abril de 2007


Ontem, referi aqui o lançamento do segundo álbum dos Editors. Hoje, mostro a capa do dito.