quinta-feira, 26 de abril de 2007


Ok, ok, a pedido das muitas famílias do meu ego de pai orgulhoso, aqui está o Francisco.
E pronto, o Francisco já cá está connosco. Lindo - diz quem viu e o pai confirma. E também comprido, pés grandes (bom para um triplo saltador, diz o avô F.), nariz a sair ao da Alice, rosadinho (não demasiado), olhos claros. Chorou ao respirar, depois mostrou-se calmo o dia inteiro. Mamou muito bem e adormeceu. Enfim, tudo bem, tudo bem feito. É a natureza a desdenhar das nossas veleidades criativas. Na verdade, o que são um livro, um quadro, uma música, comparados com um bebé? Nada. Ínfimas aproximações à obra. Talvez por isso a felicidade dos criadores perante a obra feita jamais se aproxime do sorriso de um pai. Acho que me tiraram uma fotografia com um sorriso desses... Meio tonto, pois claro. Talvez também, por tudo isto, a mãe, as mães se riam com um ar de quem sabe a verdade profunda acerca do criar, coisa que os homens nunca saberão. Nessa matéria, «artistas» por natureza, as mulheres não têm de provar nada a ninguém. O poder está todo nelas. Há quem diga que por isso mesmo os homens sentem mais apetência pela conquista do poder material, como se, impedidos de criarem vida, tentassem a qualquer custo sentir a essência do poder criador (eventualmente, tentando imortalizar-se pelos actos e pelas conquistas), mas isso, isso só às mulheres está votado. As mulheres têm o poder, os homens precisam de inventá-lo. Acho que a mãe do Francisco sabe isso muito bem.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Na semana passada, entrevistei Eunice Munoz, cerca de três horas antes de mais uma apresentação de «Dúvida», de John Patrick Shanley, no palco do Teatro Maria Matos. Por momentos, deixei de lado as palavras, entregues aos cuidados paliativos do Tiago Salazar, e dediquei-me a captar imagens da actriz.








«Salazar vence Grandes Portugueses.» «PNR deseja “boa viagem” aos imigrantes.» «”A verdade é irrelevante”, diz Supremo Tribunal.» «Santa Comba quer Museu Salazar.» «Musical «Salazar» estreia em breve.» Pois é, parece que ele anda por aí. Foi por isso que publiquei esta foto com o meu editorial no número 51 da Magazine Artes.

Quatro da tarde. Uma boa hora para este blog nascer. Mal-grado o tempo cinzento, mal-grado a leve dor de cabeça. Mais um a engrossar as fileiras da geração blog. Mais logo, às nove, dez, nasce o Francisco. A Alice está contente. O mundo hoje parece não pesar. E tudo o mais se desfaz de sentido. Como se um palhaço, vindo do nada, nos cruzasse o caminho e nos levasse para dentro da fantasia, roubando-nos aos problemas, às responsabilidades, aos deveres. Assim, como nesse desconcertante filme que ontem vi na programação do IndieLisboa: «Crickets», do realizador japonês Aoyama Shinji. Desconcertantes também, mas por outros motivos, «Le Dernier des Fous», de Laurent Achard, e «Night Songs», do alemão Romuald Karmakar. De «Fantasma», do argentino Lisandro Afonso, ja gostei menos - embora me tenha dado uma ideia para um conto; «A Obra e o Artista». O Francisco! A Alice! São horas!